o passado tambem chuta
Nasceu no mesmo bairro que Diego Armando Maradona. A pobreza tirou-o da escola e colocou-o como vendedor ambulante de tudo (bananas, gelo, etc.) pelas ruas de Buenos Aires. Chamava-se Hector Casimiro Yazalde. Representou o Sporting e maravilhou Portugal de norte a sul, foi um goleador poderoso. Começou pelo futebol miúdo até que o Independiente de Avelhaneda o contratou. Com 20 anos começou a arrasar no futebol argentino e fez do Independiente bicampeão argentino. A seleção chamou-o, os grandes clubes começaram a cobiçá-lo. A Argentina não teria mais remédio que o ver partir. O Sporting foi mais hábil do que clubes como o Santos, o Boca Juniores, o Lyon ou o Valencia. Chegou a Lisboa em 1971, depois de quatro anos a triunfar no Independiente de Avellaneda. Não foi fácil. Chegou, mas a primeira época não foi famosa. O ano seguinte seria outro cantar.

O Sporting tinha bons jogadores internacionais e um génio como o Dinis. Tinha o Nelsão, o Damas, e ainda jogavam o José Carlos e o Pedro Gomes. Davam-se as circunstâncias para que o Sporting chegasse ao mais alto dentro do futebol nacional. Caíam Taças de Portugal, mas o título verdadeiramente cobiçado era o Campeonato. Chegou a época de 1973/74. Yazalde transformou-se numa máquina de fazer golos; o Nelsão e o Dinis transformaram-se nos complementos necessários. O Sporting realizou uma época fantástica e finalmente ganhou o campeonato. Yazalde marcou perto de 50 golos e ganhou a Bota de Ouro. Ele amava o Sporting, e o Sporting adorava-o; era o grande ídolo de que o clube de Alvalade necessitava.

O Sporting do Yazalde Fonte: Sporting Clube de Portugal
O Sporting do Yazalde
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Foi um jogador tecnicamente apurado e um rematador inverosímil. Tinha movimentos na área que surpreendiam os marcadores e, apesar de ser fisicamente normal, impunha-se e era também perigoso no jogo aéreo. O Real Madrid tentou levá-lo para Espanha, mas o Sporting negou-se. Um ano mais tarde vendeu-o caro mas a metade do preço que oferecia o Real Madrid. Esteve dois anos no Olimpique de Marselha sem grandes brilhos mas, mesmo assim, ganhou uma Taça de França.

Há quem diga que foi o melhor estrangeiro que passou pelo campeonato português. Não duvido. No entanto, se não foi o melhor está, certamente, entre os melhores. Regressou à Argentina e ainda fez várias épocas repartidas pelo Newll´s Old Boys e o Huracán. Retirou-se e ligou-se ao futebol na vertente de empresário de jogadores. A vida foi-lhe traiçoeira e uma cirrose assassina acabou com a sua vida quando tinha 51 anos. Disputou o Mundial de 1974. A Argentina era uma das grandes esperanças, mas a Holanda levou-a pela frente. Yazalde, mesmo assim, marcou dois golos nos três jogos que disputou. Era apodado como o Chirola.

Foto de capa: futpt.blogspot.pt

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