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o passado tambem chuta

Ao recordar os tempos de menino, uma parte do meu cérebro futebolístico dirige-se imediatamente para o Estádio Dr. Magalhães Pessoa, “casa” do clube da capital do distrito onde vivo: a União Desportiva de Leiria.

São várias as recordações que tenho do “antigo” Magalhães Pessoa: o primeiro jogo “in loco” a que assisti foi ao UD Leiria – SC Espinho, no ano de 1994, jogo que o Leiria venceria por 2-0, celebrando assim o regresso ao convívio dos grandes do nosso futebol, o que acontecia somente pela terceira vez até então. Lembro-me vagamente de o jogo ter acontecido numa tarde de festa, de o estádio estar cheio, e sobretudo lembro-me do fogo de artifício.

Recordo-me igualmente de alguns jogos nocturnos no Estádio. Quase que consigo visualizar e sentir o cheiro das nuvens de fumo advindas dos grelhadores das zonas de comida exteriores ao estádio que, quando o vento estava de feição, se misturavam com o ambiente “interior” daquele “aconchegante” estádio, mesmo que com lugares em cimento.

A minha memória sempre me traz à baila o Dinda, um jogador que jogava no meio campo atacante e que tinha um grande pontapé. Que criava aquele suspense que ocorre sempre que há uma bola parada para a nossa equipa. Lembro-me perfeitamente do estádio, das palmas, do balanço que o médio tomava, do pontapé canhão do médio leiriense.

Dinda era, com certeza, um dos mais desejados pelos adeptos do Leiria em 98/99 Fonte: Caderneta de Cromos
Dinda era, com certeza, um dos mais desejados pelos adeptos do Leiria em 98/99
Fonte: Caderneta de Cromos

Recordo-me igualmente daquele jogador muito alto que jogava no ataque da equipa do Liz de seu nome Reinaldo – não era assim tão alto como eu achava, mas quando somos crianças achamos sempre os outros um pouco mais crescidos do que realmente o são. Tenho a ideia de que ele não fazia grandes jogatanas, muitas vezes nem se via muito, mas volta e meia pumba: golo do Reinaldo!

Recordo-me do Ferreira na baliza, do Bilro ano após ano ser o capitão, do João Paulo ser um jovem no Leiria, do Paulo Duarte ainda jogar à bola na defesa leiriense. Lembro-me do saudoso João Manuel, do Luís Vouzela, do Silas a orquestrar, do Maciel, do Douala, do Duah e do Fua tão rápidos quanto esguios. Lembro-me do Morgado, do Sérgio Nunes, do João Armando, do Mário Artur, ou do Hugo.

A maioria destes nomes fazia parte da equipa que em 97/98 venceu, pela segunda vez, a 2ª Divisão Nacional de Futebol, na altura já apelidada de Divisão de Honra. Antes, na época de 80/81, a União de Leiria havia vencido, pela primeira vez, o Campeonato Nacional da 2ª Divisão.

Seria este o início dos melhores anos da equipa leiriense. Um clube que havia sido criado em 1966, tendo subido pela primeira vez à 1ª Divisão em 1979, descendo no ano imediatamente a seguir e que, trinta anos após o seu nascimento, estava agora na sua fase adulta, consolidando no final do século passado e início deste, um lugar de destaque na Primeira Divisão Nacional.

Com um total de 18 presenças na 1ª Divisão, entre 1994/95 e 2011/2012, só em duas épocas o clube do Liz não marcou presença no campeonato dos grandes.

Para além dos já citados anteriormente, pela União de Leiria passaram alguns jogadores bem conhecidos da maioria de todos nós: Hélton, Costinha, Renato, Fernando Aguiar, Leão, Alhandra, Nuno Valente, Derlei e Hugo Almeida foram alguns dos nomes que representaram o clube.  Também a nível de treinadores, os mais felizes em Leiria foram Manuel José, Manuel Cajuda e José Mourinho, de entre uma série de nomes bem conhecidos que treinaram o clube, que com mais ou menos sucesso, fizeram a história recente do clube da capital de distrito.

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