Olheiro BnR | Ichem Ferrah

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Nem todos os extremos precisam de muito tempo para chamar a atenção, alguns fazem-no ao primeiro toque, ao primeiro drible, ao primeiro gesto de irreverência. Ichem Ferrah é desses jogadores que parecem jogar com a bola colada ao pé, sempre à procura de algo mais: mais espaço, mais risco, mais impacto. Há uma energia constante no seu jogo, uma vontade de decidir, de tentar, de falhar e voltar a tentar no lance seguinte. Com apenas 20 anos, começa a escrever o seu caminho longe dos grandes palcos, mas com sinais claros de que não ficará lá por muito tempo.

Com apenas 20 anos, Ichem Ferrah começa a consolidar-se como um dos jovens extremos mais interessantes fora dos grandes holofotes do futebol europeu. Formado no LOSC Lille, o internacional jovem com dupla nacionalidade francesa e argelina encontra-se atualmente emprestado ao SC Cambuur, onde tem beneficiado de um contexto competitivo que lhe permite crescer com regularidade e assumir protagonismo.

Os números falam por si: 35 jogos, 11 golos e seis assistências. Mais do que estatística, estes dados refletem impacto real no último terço, algo que se confirma através da sua influência constante no jogo ofensivo da equipa orientada por Henk de Jong. Ferrah não é um extremo de um só momento, é um jogador envolvido, que pede bola, que assume o jogo e que procura constantemente criar desequilíbrios. Prova disso é o facto de ser, nesta edição da segunda liga dos Países Baixos, o jogador com mais dribles conseguidos, um dado que reforça a sua capacidade de desequilíbrio e a frequência com que procura o duelo individual.

Taticamente, enquadra-se no perfil moderno de extremo invertido. Canhoto a partir do corredor direito, explora com inteligência o espaço interior, conduzindo a bola para zonas de finalização onde o seu remate colocado ganha especial destaque. Muitos dos seus golos surgem precisamente desse movimento clássico de fora para dentro, combinando técnica individual com critério na decisão. A forma como enquadra o corpo antes do remate e a frieza na definição revelam um jogador com maturidade acima da média para a idade.

No entanto, dizer que Ferrah é só um extremo finalizador seria simplificar demasiado o seu jogo. Há uma componente criativa evidente, a sua visão periférica e capacidade de identificar linhas de passe entre setores permitem-lhe funcionar também como elemento de ligação. Quando atua em zonas mais interiores, como médio ofensivo, demonstra qualidade na gestão de ritmos, alternando entre aceleração e pausa, algo pouco comum em jogadores tão jovens. O primeiro toque, geralmente orientado, facilita a progressão e dá continuidade às jogadas, evitando que o jogo perca fluidez.

Outro aspeto relevante é a sua relação com o risco. Ferrah não se esconde do duelo individual. Procura o um contra um com frequência, tentando ultrapassar o adversário direto através da mudança de direção e da sua agilidade. Essa capacidade de improviso torna-o imprevisível e difícil de anular, especialmente em situações de igualdade numérica. A sua rapidez, aliada a um centro de gravidade baixo, permite-lhe ganhar vantagem em espaços curtos, algo fundamental no futebol atual.

No plano coletivo, tem sido uma peça importante na caminhada do SC Cambuur rumo à subida à Eredivisie. Já confirmada. A confiança depositada por Henk de Jong traduziu-se em minutos, responsabilidade e liberdade criativa, três fatores essenciais no desenvolvimento de um jovem talento. Não surpreende, por isso, que o clube de Leuuwarden esteja interessado em prolongar a sua permanência, vendo nele um ativo importante para enfrentar o desafio do principal escalão.

Em termos de valorização, Ferrah apresenta atualmente um valor de mercado na ordem dos 900 mil euros, um número que, tendo em conta a idade, o rendimento e a margem de progressão, poderá crescer significativamente a curto prazo caso mantenha este nível exibicional e dê o salto para contextos mais competitivos.

Apesar de todos os pontos positivos, há margem clara para evolução. O compromisso defensivo ainda não é consistente, sobretudo na reação à perda da bola. Num contexto mais exigente, como o de uma liga de topo, essa componente será fundamental para garantir minutos. Para além disso, o uso do pé direito continua a ser limitado, o que, em certos momentos, torna as suas ações previsíveis. Desenvolver essa vertente poderá aumentar significativamente o seu leque de soluções.

O regresso ao LOSC Lille surge como um objetivo assumido pelo jogador, que ambiciona afirmar-se na equipa principal. No entanto, esse cenário dependerá de vários fatores, entre eles a continuidade de Bruno Génésio e o espaço que o clube estará disposto a conceder-lhe num plantel com ambições europeias. Estamos perante um jogador com características muito valorizadas no futebol contemporâneo: capacidade de desequilíbrio, criatividade, chegada à área e margem de progressão elevada. Ichem Ferrah ainda está numa fase inicial do seu percurso, mas já deixa sinais claros de que pode dar o salto para um nível competitivo superior.

Diego Tamaian
Diego Tamaian
O Diego está a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação e quer seguir jornalismo de desporto. O futebol está-lhe no sangue, é fanático pela Bundesliga, adora analisar jogadores e partilhar opiniões um pouco diferentes dos outros, sempre com respeito pela verdade desportiva.

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