Quem deve assumir a posição 6 no FC Porto: Alan Varela ou Pablo Rosario? Eis as diferenças entre os dois médios

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O FC Porto voltou a somar mais um triunfo na Europa League, depois de ter derrotado o Malmo por 2-1 no Estádio do Dragão. Apesar de, no pré-jogo, se considerar que a equipa sueca seria o adversário mais fácil que os dragões iriam apanhar na prova, devido a toda a conjuntura – os maus resultados na última temporada, transição de treinador e o facto de não competir há duas semanas. Porém, a postura sem bola do Malmo adiou essa ideia até aos dois golos dos azuis e brancos.

Para este jogo, Francesco Farioli decidiu apostar em Pablo Rosario na posição 6, em detrimento de Alan Varela, que tinha feito os 90 minutos na deslocação a Tondela. E o médio da República Dominicana correspondeu com uma exibição de grande nível, enchendo o campo tanto com bola como no momento defensivo.

Sem bola, o Malmo apresentou-se num 4-3-3 que muitas vezes se transformava em 4-4-2, com os extremos Adrian Skogmar ou Sead Haksabanovic a juntarem-se alternadamente a Salifou Soumah para condicionar tanto a saída de bola dos centrais dos azuis e brancos, como as ações de Pablo Rosario. Antecipando a habitual pressão alta do FC Porto, a equipa sueca tentou igualar a intensidade nos primeiros 30 minutos e criou alguns calafrios na área do FC Porto, com recuperações em zonas perigosas. Mesmo na saída de bola do conjunto portista, a equipa sueca colocou cinco jogadores logo na primeira fase para condicionar essa fase dos ataques. Ainda assim, e excetuando um passe mais arriscado de Jakub Kiwior, Pablo Rosario conseguiu responder com qualidade à pressão, oferecendo sempre uma solução fiável.

Richard Ríos Pablo Rosario
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Tendo em conta a postura, quase inevitável, dos adversários do FC Porto em tentar fechar o corredor central – desde o Gil Vicente de César Peixoto, na 2.ª jornada da Primeira Liga – o Malmo não fugiu à regra. Mas a grande diferença para os jogos anteriores esteve na calma e no conforto com que Pablo Rosario recebeu essas bolas e na qualidade da definição. Em vários momentos, o médio enfrentou triângulos de pressão do adversário, fosse em 2+1 ou 1+2, mas nunca se deixou afetar. Mais do que nos últimos jogos, vimos o FC Porto, sobretudo através de Jan Bednarek ou Jakub Kiwior – os grandes iniciadores dos ataques portistas e quem decide quando e como a equipa vai atacar – a arriscar mais no passe vertical e encontraram em Pablo Rosario alguém capaz de resistir, girar, ligar e acelerar o jogo.

A partir desta base, o médio foi ligando passes laterais em direção a Francisco Moura ou Alberto Costa, que forneciam apoios curtos, tendo em conta os posicionamentos interiores dos laterais na ideia de Francesco Farioli. Combinou com Rodrigo Mora, que se exibiu igualmente a grande nível,  lançou as ruturas de Samu ou Victor Froholdt e alimentou os extremos Borja Sainz e Pepê com passes bem medidos.

Em comparação com Alan Varela, Pablo Rosario apresenta maior conforto a receber de costas e a lidar com pressão adversária. Se recuarmos aos jogos de Alan Varela a 6 nesta temporada, percebemos que, a partir do momento em que as equipas começaram a fechar mais a zona central e a condicionar os seus movimentos, o médio argentino perdeu influência. Acredito que, de forma propositada, o técnico dos dragões procurou dar mais conforto ao argentino, evitando colocá-lo tantas vezes a receber esse tipo de bolas. Recorde-se que, na época passada, com Martín Anselmi, víamos um Alan Varela muito desconfortável nessas situações e Francesco Farioli tem sido mais inteligente, ao antecipar e gerir melhor esses cenários do argentino. Por exemplo, no último jogo diante do Tondela, vimos já o Alan Varela a lateralizar sobretudo à direita, para receber o jogo de frente, não ficando exposto a essa pressão. É uma nuance tática que, apesar de discreta num primeiro olhar, dá mais soluções na saída de bola do FC Porto e faz uma enorme diferença na confiança no momento com bola do jogador.

Alan Varela FC Porto
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

No geral, nota-se uma confiança maior dos jogadores do FC Porto em colocar a bola em Pablo Rosario, porque sabem que ele consegue ligar melhor o jogo e lidar com a pressão em comparação com Alan Varela. Ainda assim, sem bola, Alan Varela continua a ter vantagens importantes. É mais leve e mais competente nas transições defensivas. Já o médio da República Dominacana, por sua vez, é mais pesado e demora mais a reagir nesses momentos, embora tenha estado muito bem na antecipação e nas recuperações diante do Malmo. Além disso, o médio argentino percebe melhor os momentos de cair para o meio dos centrais para formar a habitual linha de cinco de Francesco Farioli quando o Porto está mais baixo no terreno, ou de saltar rapidamente para a posição 6.

Por outro lado, outro ponto a favor de Pablo Rosario é a versatilidade. Por já ter trabalhado com o técnico italiano no Nice e conhecer bem as suas exigências, adapta-se com facilidade a diferentes papéis. Recorde-se que esta época já atuou como defesa central, médio interior, médio defensivo e até como lateral na vitória diante do Rio Ave.

Em resposta ao Bola na Rede, Francesco Farioli falou sobre a importância dos dois jogadores na equipa e desvalorizou qualquer ideia de concorrência direta, tendo em conta o calendário denso do FC Porto. A verdade é que o técnico italiano ganha duas soluções de grande nível para a posição 6, cada uma com características muito próprias: Pablo Rosario dá segurança na saída, critério sob pressão e versatilidade posicional. Já Alan Varela oferece mais mobilidade, maior efetividade nas transições e uma melhor cobertura defensiva. Num calendário tão exigente e de jogos de três em três dias, esta ‘dor de cabeça’ é provavelmente uma das melhores notícias para o FC Porto.

Francesco Farioli
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: As equipas contra o FC Porto tem tentado sempre fechar a zona central, mas hoje, mais do que nos últimos jogos, vimos um FC Porto a arriscar mais no passe para o Pablo Rosario mesmo com a pressão da equipa sueca. Pergunto-lhe quão importante foi o papel do médio para conseguir ligar os ataques e encontrar os espaços livres e por outro lado, se Pablo Rosário atualmente dá mais garantias com bola na posição 6?

Francesco Farioli: O Pablo tem-nos dado muito, e isso é evidente, tendo em conta que tem jogado todos os jogos e em diferentes posições. Acho que a minha confiança no jogo dele é clara. Mas não nos podemos esquecer do que o Alan Varela tem feito até agora, a contribuição, a atitude, o espírito e a qualidade que traz com bola. A posição 6 não depende apenas de quem lá joga, mas também de quem está à volta, do trabalho coletivo para ligar o jogo nessa zona e das respetivas distâncias. É sempre um cenário coletivo. Obviamente, há qualidades individuais que podem facilitar certas combinações, mas, como já disse anteriormente, estou muito contente com os nossos dois médios e, na minha opinião, ambos estão a desempenhar um papel importante na equipa.

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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