Recordar é Viver | Eden Hazard, o último grande fantasista

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Drible, capacidade técnica, rapidez, ousadia, finalização… Pela descrição, é fácil perceber que estamos a falar de um grande jogador, alguém capaz de pautar o jogo ao seu próprio ritmo, fazendo uso das suas capacidades para bater os rivais e levar a sua equipa a bom porto. Podíamos provavelmente enumerar uma mão cheia de jogadores que cabiam neste perfil, mas se queremos encontrar alguém que o faça com a distinção de ter sido um dos melhores jogadores de sempre a cumprir estes requisitos, esse alguém é Eden Hazard.

Muitas vezes falamos de jogadores que foram tocados por Deus, numa plena harmonia entre a sua qualidade e aquilo que dava de facto ao jogo, e Eden Hazard era um desses seres fantásticos que, por qualquer razão, trazia a mensagem divina ao seio do comum dos mortais.

Era fácil perceber que Eden era diferente dos demais, que a sua qualidade explodia dentro de um terreno de jogo, que tornava o jogo da sua equipa mais leve, através das suas próprias movimentações, que serviam de convite a vê-lo jogar com regularidade, como se se tratasse de uma peça de teatro, onde ele assumia o protagonismo semana após semana. 

Hazard é provavelmente um dos jogadores mais desvalorizados de todos os tempos, digo isto porque quando falamos, por exemplo, da Premier League, a ideia geral é trazer à baila nomes como Cristiano Ronaldo, Henry ou Aguero, mas raramente existe consideração pela lenda que foi Eden Hazard. 

Primeiro com o 17, depois com o 10, Eden foi sem dúvida o melhor jogador que já passou pelo Chelsea e, na minha opinião, foi o melhor jogador que já passou pela Premier League, logo atrás de Cristiano Ronaldo. 

A sua forma de atuar e de tornar o jogo simples apaixonava qualquer um, a forma como driblava em velocidade, numa parábola nunca antes vista, aliás não me lembro de ter visto nenhum jogador com a capacidade de drible em rapidez que Eden possuía, o arranque explosivo estava em perfeita harmonia com a sua técnica aguçada, para além de uma inteligência acima dos demais que lhe permitia prever o que iria acontecer de seguida ainda antes de realmente acontecer. 

O grande episódio que ”manchou” a sua carreira foi, de certa forma, a transferência para Madrid. Numa altura em que Hazard era inegavelmente o melhor jogador a jogar fora de Espanha, o Real decidiu roubar a estrela maior dos “blues” numa transferência milionária, que servia na perfeição para fazer esquecer o legado deixado por Cristiano em Madrid. O número sete estava à sua espera e a grande equipa do Real também, e realmente esperava-se que Eden cumprisse o desejo de todos nós, que só queríamos que brilhasse na melhor equipa do mundo, o que infelizmente não aconteceu. 

Ainda assim, para trás fica uma grande carreira que começou de forma promissora, e que rapidamente se tornou enorme, por mérito e culpa própria de um grande senhor futebol. Ao todo, Hazard jogou 748 jogos onde contribuiu com 200 golos, para além de contribuições diretas para a forma de jogar das suas equipas. 

Como memória fica uma carreira que acabou de forma precoce, aos 32 anos de idade, recheada de momentos deliciosos de um grande driblador, que tornava o que era difícil muito fácil, e que até o que era fácil fosse feito de uma forma arrebatadora. Eden foi o último exemplar de um fantasista puro que passou nos nossos relvados, um autêntico animal enjaulado, subtil nas suas ações, extremamente perigoso e imprevisível, como um animal exótico à espera de atacar a sua presa, que normalmente eram os laterais direitos adversários, que quando entravam em campo, já sabiam o que esperar…

Se jogar futebol fosse comparado a outro desporto, e a julgar pelo futebol de Hazard, a dança era o que mais se aproximava de si, porque ele bailava e bailava os seus adversários, e fazia-nos suspirar de alívio por podermos assistir ao seu jogo. Vai ficar para sempre gravada na nossa memória, a sua herança, a história de um predestinado que assombrou os adversários com recortes de pura magia.

Mais que um jogador, um fantasista que nunca iremos esquecer, para sempre o menino-bonito que Londres viu crescer… Eden Hazard.

Bernardo Santos
Bernardo Santoshttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é Licenciado em Relações Públicas e quase mestre em Jornalismo. É um comunicador nato, que transporta para o futebol a mesma simpatia e alegria que tem em viver.

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