Recordar é Viver | Nani

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Luís Carlos Almeida da Cunha – conhecido no mundo do futebol por Nani ou por Nanaca com quem partilhou balneário – decidiu pendurar as “botas” aos 38 anos, depois de uma carreira recheada de momentos de glória e de escrever a sua marca na história do futebol português.

Conhecido pelos seus dribles estonteantes e pela vertigem do seu jogo, Nani começou o seu percurso no futebol em 1996 nos escalões de formação do Real SC, clube de Queluz, perto da Amadora, onde o astro português coabitava de forma bastante humilde com a sua família de origem cabo-verdiana. Ingressa nos juniores do Sporting quando Cristiano Ronaldo esta de bagagens feitas para Manchester e é na academia leonina que tem o palco perfeito para mostrar o seu potencial e procurar espaço no exigente mundo do futebol. Estreia-se na equipa principal dos leões pelas mãos de José Peseiro em 2005 e ao fim de duas épocas com grande rendimento e sendo um dos protagonistas do nosso campeonato, parte para Manchester a troco de 25 milhões de euros, com uma Taça de Portugal conquistada.

Os primeiros meses em Inglaterra não são fáceis. Não tem grande espaço no onze inicial dos Red Devils, uma vez que o titular da sua posição é nada mais, nada menos que Cristiano Ronaldo. Ainda assim, consegue a confiança de Sir Alex Ferguson e vai somando alguns minutos na Premier League e na Liga dos Campeões, ganhando protagonismo no exigente futebol inglês. Termina a primeira época fora de portas com uma Premier League e uma Liga dos Campeões conquistada, tornando-se uma das estrelas da magnífica constelação que era aquele Manchester United, ao lado de figuras como Ronaldo, Giggs, Scholes, Rooney e van der Sar.

É em Inglaterra que o internacional português assume o seu lugar na seleção nacional e tem o seu apogeu futebolístico. Ganha cinco Premier League em sete épocas em Manchester e ainda soma mais oito taças, incluindo a já mencionada orelhuda e um mundial de clubes. Volta a Portugal por uma época, depois de ganhar tudo em território britânico e é protagonista principal no Sporting de Marco Silva, fazendo uma das melhores épocas da carreira a nível individual e amealhando mais uma Taça de Portugal para um palmarés já incrível.

Cessado o contrato com o Manchester United, a expectativa dos sportinguistas era a permanência do extremo no plantel de forma definitiva. Contudo, opta por outra experiência num novo campeonato: no Fenerbahçe da belíssima cidade de Istambul. Torna-se um dos principais elementos da equipa turca, contribuindo com doze golos e duas assistências em 47 jogos. Sai da Turquia ao fim de uma época, sem qualquer título conquistado, assinando com o Valência. Segue-se, em seguida, uma passagem de uma época no futebol italiano ao serviço da Lazio, antes de regressar ao Sporting para uma terceira e última passagem. Contribui para a conquista de mais uma Taça de Portugal e de uma Taça da Liga para os leões, antes de aceitar uma proposta milionária do outro lado do atlântico.

Ruma a Orlando, representando a equipa da cidade durante três épocas, fazendo as maravilhas dos norte-americanos. Em 2021, Nani regressa ao futebol europeu, sem que nada fizesse prever, para nova passagem pelo futebol italiano para representar o Venezia. Segue-se uma surpreendente e curta passagem pelo futebol australiano ao serviço do Melbourne e um novo regresso ao futebol turco, onde é um dos jogadores mais utilizados, fazendo uma bela época, no Adana Demirspor. Para terminar a carreira, regressa à sua cidade – na Amadora – para representar o Estrela, saindo a meio da época alegando motivos pessoais.

Nani
Fonte: Ana Beles / Bola na Rede

Pelo meio, Luís Carlos, é um dos protagonistas na maior conquista do futebol português. O Euro 2016 tem selo de Nanaca, marcando uma geração de extremos irreverentes como Ronaldo ou Ricardo Quaresma. É o quinto jogador com mais jogos pela seleção nacional defendendo as Quintas em quatro fases finais – Euro 2008, 2012, 2016 e Mundial 2014.

Sempre irreverente com o seu estilo de jogo e pelos seus mortais, Nani é um dos jogadores mais marcantes do futebol português neste século e o perfume dos seus dribles vai deixar saudades. 

Rafael Velho
Rafael Velhohttp://www.bolanarede.pt
O Rafael é estudante de Jornalismo e Comunicação e é observador assíduo da Premier League e da liga mais espectacular do mundo que é a NBA. Chora e vibra pelo Porto e o seu maior talento é ser treinador de bancada. Dentro dos pavilhões assume-se como um adepto dos LA Lakers desde que se apaixonou pela beleza do Basquetebol.                                                                                                                                                 O Rafael escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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