Recordar é viver | Guti, o “outro” galáctico

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A 31 de outubro de 1976, nasceu em Torrejón de Ardoz, nos arredores de Madrid, José María Gutiérrez Hernández, mais conhecido no mundo do futebol por Guti. Juntou-se à academia do Real Madrid aos oito anos e viria a jogar na equipa principal dos blancos durante praticamente toda a sua carreira.

O seu enorme potencial foi identificado logo nas camadas jovens e a sua ascensão dentro do clube tornou-se um exemplo para todos os jovens que ingressavam em La Fábrica com ambições de um dia representar um dos melhores clubes do mundo. Em 15 temporadas (1995-2010), foi um elemento importante na conquista de vários troféus, incluindo três edições da Liga dos Campeões e cinco da La Liga.

A lista de jogadores de classe mundial que passaram pelo Santiago Bernabéu e partilharam balneário com Guti é extensa: Ronaldo Nazário, David Beckham, Zinedine Zidane, Raúl González, Luís Figo e Roberto Carlos são apenas alguns dos nomes que acabaram por ofuscar o talentoso jogador madrileno.

Durante muitas épocas, Guti não foi titular indiscutível no Real Madrid, e rumores de possíveis transferências foram-se acumulando. Talvez não tenha sido o único motivo para ficar, mas o próprio afirmou que a sua paixão pelo clube superava claramente a necessidade de ter mais protagonismo.

Quando se fala de criatividade e visão de jogo, Guti é um dos nomes que surge automaticamente como exemplo. A sua excelente leitura do posicionamento dos colegas e adversários, aliada a uma incrível precisão no passe, dava origem a jogadas de perigo que pareciam surgir quase do nada.

A versatilidade era outra das características notáveis do médio espanhol. Jogou maioritariamente como médio ofensivo, mas conseguia adaptar-se facilmente a outras posições. Durante uma das suas épocas mais prolíficas (2001/02), foi utilizado por Vicente del Bosque numa posição mais avançada, papel que desempenhara nas camadas jovens, e acabou por registar 14 golos no campeonato espanhol.

Guti foi criticado recorrentemente por uma certa falta de ética de trabalho e o facto de “ferver em pouca água” colocou-o no top de jogadores com mais expulsões ao serviço dos merengues (seis por duplo amarelo e quatro vermelhos diretos).

Ao serviço da seleção espanhola, disputou apenas 13 jogos, o que dá uma ideia do brutal leque de opções de que os selecionadores dispunham. Nunca ter participado numa grande competição internacional é quase chocante, dada a qualidade que poderia oferecer à la roja.

A inconsistência que lhe era frequentemente apontada e a concorrência de estrelas como Xavi Hernández, Andrés Iniesta ou Cesc Fàbregas fizeram com que fosse preterido nas convocatórias chave. A sua discreta passagem pela seleção principal espanhola não faz de todo justiça à sua classe.

Com um palmarés capaz de causar inveja a muitos clubes, Guti é ainda hoje um dos ícones mais acarinhados pelos madridistas. Pode ter passado mais ou menos despercebido para o público geral, mas para quem acompanhou mais de perto o Real do início do século, a magia de Guti é uma das muitas fontes de nostalgia.

João Pedro Santos
João Pedro Santos
Licenciado e mestre em Biotecnologia pela Universidade de Aveiro, é atualmente estudante do Programa Doutoral em Engenharia Química e Biológica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Tendo a música e o desporto como grandes interesses, dedicou-se recentemente à escrita de artigos de opinião para o projeto Bola na Rede.

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