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Recordar é Viver: Rui Costa Campeão do Mundo de Ciclismo

André Filipe Antunes · 3 min

Recordar é Viver: Rui Costa Campeão do Mundo de Ciclismo
Foto: Comité Olímpico de Portugal

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O dia 29 de setembro de 2013 marcou o ciclismo português com a vitória estrondosa de Rui Costa, na prova de elite masculina do Campeonato do Mundo de Estrada, realizada em Florença, Itália.

O ciclista nacional fez história ao conquistar o mais importante título de sempre do ciclismo português. Após 272,26 quilómetros percorridos em 7h25m43s, o atleta luso acabou por cortar a meta em primeiro lugar.

A seleção de Portugal não tinha os números do seu lado, com apenas três ciclistas a representar as cores nacionais: André Cardoso, Rui Costa e Tiago Machado. No pelotão houve seleções com nove unidades, casos de: Austrália, Colômbia, Espanha, França, Holanda, Itália, Polónia e Suiça. Philippe Gilbert (Bélgica) era o detentor do título de campeão do mundo. Os grandes nomes do ciclismo estavam presentes no pelotão inicial.

Houve uma fuga desde cedo, com a presença de cinco nações no grupo: Jan Barta (República Checa), Matthias Brandle (Áustria), Yonder Godoy (Venezuela), Bartosz Huzarski (Polónia) e Rafaâ Chtioui (Tunísia).

A seleção de Itália era quem mais trabalhava, ainda para mais corria em casa. Com a distância a diminuir para o grupo dos escapados, foi Giovanni Visconti quem saiu do pelotão e lançou-se ao ataque, alcançando o último elemento resistente da fuga, Huzarski.

Com o mau tempo a fazer-se sentir em Florença, os ciclistas encontravam-se debaixo de imensa chuva durante todo o percurso, o que acabou por originar mais quedas e confusão dentro do pelotão. Vincenzo Nibali (Itália) foi um dos ciclistas que acabou por ir ao chão, contudo, acabou por conseguir reentrar na frente da corrida.

A fuga tinha sido alcançada e Nibali reentrou no grupo dos favoritos, com o seu colega Michele Scarponi a impôr um ritmo feroz, deixando muita gente para trás. Foi a altura perfeita para o tubarão de Messina, Nibali, desferir um ataque, levando na sua roda o espanhol Joaquín Rodríguez. No entanto, na descida, por incrível que pareça, o espanhol Purito Rodríguez distanciou-se de Nibali que, como se sabe, é um dos melhores do mundo no que toca a descidas. Rigoberto Urán (Colômbia) acabou por cair, ficando de fora da luta, a nove quilómetros do fim. Rodríguez seguia isolado na frente, com um grupo perseguidor atrás de si, composto pelo seu companheiro de seleção Alejandro Valverde, o português Rui Costa e o italiano Nibali.

Vincenzo Nibali era quem mais trabalhava no grupo perseguidor, mantendo sempre as diferenças entre os 10 e os 20 segundos para o espanhol. Quando faltava pouco mais de cinco quilómetros, na penúltima subida, que era dura, após tantos quilómetros em cima da bicicleta, Rui Costa procurava fechar um espaço de dois-três metros para Nibali e Valverde. Poderia ser um sinal de fraqueza, mas acabou por conseguir acompanhar os melhores.

O trio acabou por alcançar Rodríguez, antes de chegarem à última subida, com 300 metros de extensão, quando faltavam três quilómetros para o fim. Rodríguez desferiu mais um ataque, com a tentativa de resposta de Nibali. Rui Costa e Valverde também responderam, com o português sempre na cauda do grupo, correndo de forma fria e na expetativa.

No entanto, os esforços não eram suficientes e não parecia fácil anular os metros para Rodríguez, mas quando faltava apenas 1.5 quilómetro para o fim, Rui Costa atacou para tentar alcançar o espanhol na frente, enquanto que Nibali e Valverde ficavam para trás. O ataque, diga-se, foi na hora exata!

Após uma leitura de corrida excecional, a cerca de 600 metros para o fim, o poveiro alcançou o espanhol. Era uma luta a dois, com o espanhol a olhar para trás à procura de Valverde, pedindo ao português para que passasse para a frente. Rui Costa não acedeu ao pedido, e quando passou para a frente foi para lançar o sprint final pela direita, numa luta aguerrida até à linha de meta, acabando por conquistar o desejado triunfo perante o espanhol. Rui Costa alcançou assim o maior triunfo da sua carreira (até agora), relegando Rodríguez para a segunda posição. O espanhol Alejandro Valverde terminou no último lugar do pódio, a 15 segundos do primeiro.

Neste mesmo ano, Rui Costa já tinha vencido duas etapas na Volta a França e a classificação geral da Volta à Suiça, amealhando a camisola arco-íris ao seu palmarés.

Foto de Capa: Comité Olímpico de Portugal

 

Artigo revisto por Joana Mendes

André Filipe Antunes

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