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Após a retoma do campeonato, temos visto um Portimonense SC bastante diferente. Mas o que teria acontecido se Paulo Sérgio tivesse sido a primeira escolha dos responsáveis pelo emblema algarvio, aquando do início da época 2019/2020? Acompanhe-me, caro leitor, numa viagem a um universo paralelo no qual tal se verificou.

O trabalho de António Folha ficou aquém das expectativas dos dirigentes do Portimonense, pelo que, decidiram contratar um novo treinador. O escolhido foi Paulo Sérgio.

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Assim que chegou ao clube algarvio, o mister das sobrancelhas rapadas impôs de imediato novas regras. Uma das principais foi a abolição dos golos mais vulgares. A partir daquele momento, apenas se aceitavam golos candidatos ao Prémio Puskas, ou então golos bastante caricatos. Alguns elementos do plantel, como Lucas Fernandes e Júnior Tavares acataram demasiado bem essa nova regra. O plantel tinha qualidade e estavam reunidas todas as condições para uma época positiva.

Início de época. O futebol praticado pelo Portimonense é de muita qualidade. Jackson Martinez apresenta-se em excelente forma física (recordo o caro leitor de que se trata claramente de um universo paralelo) e tem capitaneado brilhantemente a equipa. Em quase todos os jogos surgem golos de belo efeito, ou então golos caídos do céu, mas enfim, contam igualmente. No entanto, acabou por aparecer uma contrariedade que complicou bastante a boa época que o Portimonense estava a realizar.

No país vizinho, o colosso FC Barcelona estava a passar por muitas dificuldades. O futebol de Ernesto Valverde estava muito longe de agradar os adeptos e em todos os jogos acabava por haver uma coreografia que consistia na exibição de lenços brancos. O principal candidato a ocupar o cargo de Valverde era Quique Setién, nome também pouco apreciado pela massa associativa. Face ao descontentamento dos adeptos, os responsáveis do Barcelona viram-se obrigados a abrir os cordões à bola e a contratar um treinador que agradasse verdadeiramente a toda a gente no clube. Foi então que, no dia 1 de Dezembro de 2019, foi apresentado Paulo Sérgio como novo treinador do Barcelona. O excelente trabalho que estava a realizar no Portimonense fez com que Paulo Sérgio fosse um nome consensual entre plantel, dirigentes e adeptos do Barcelona.

Esta saída viria a trazer graves problemas para o clube de Portimão. Em primeiro lugar, a questão da sucessão. Não havia muitos treinadores disponíveis naquele momento para assumir o cargo. As opções que estavam a ser estudadas pela direção do Portimonense eram os míticos Toni Pereira, Filipe Moreira e Luís Campos, este último tinha a ambição de regressar à sua promissora carreira de treinador. Contudo, nenhum dos três aceitou ir treinar o Portimonense, pelo que tiveram de optar pelo treinador dos sub-23, Bruno Lopes, que não transmitia muita confiança.

Depois, a situação acabou por ficar ainda mais complicada para o conjunto algarvio. Quando Paulo Sérgio chegou ao Barcelona, acabou por constatar que o plantel não era suficiente para as ambições do clube catalão. Então, quando chegou o mercado de transferências, em Janeiro, o técnico natural de Estremoz exigiu as contratações de jogadores da sua confiança. Foi desta forma que Lucas Fernandes, Bruno Tabata, Dener e Hackman acabaram por assinar pelo Barcelona.

O Portimonense viu-se assim desfalcado sem alguns dos jogadores mais influentes e sem o treinador que estava a conduzir a equipa a uma excelente prestação na Primeira Liga. A partir desse momento, a equipa conquistou poucos pontos, e verificou-se uma queda abrupta na qualidade de jogo. Por vezes, observávamos o futebol do Portimonense e quase que parecia que os jogadores tinham vivido alguma pandemia ou algo do género, enfim, nem pareciam os mesmos.

Atualmente, ocupam o penúltimo lugar da Liga, estão, portanto, em zona de descida de divisão. Têm 27 pontos e estão a três do Tondela e do Vitória de Setúbal, os clubes com os quais estão a lutar pela manutenção, faltando apenas duas jornadas para acabar o campeonato.

Curioso que neste universo paralelo em que o caro leitor pôde constatar que a situação pontual do Portimonense é bastante semelhante à atual, sendo que o percurso até aí foi praticamente o inverso. Enfim, é o que acontece quando redatores inexperientes navegam por universos paralelos. Haja paciência!

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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