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O Vice Campeão Europeu que poucos conhecem – Entrevista a Bruno Magalhães

Francisca Carvalho · 16 min

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Foi em Oeiras que Bruno Magalhães nos recebeu. O vice-campeão europeu de ralis teve a sua melhor temporada, a nível de resultados no estrangeiro, mas lamentou o azar do Chipre e a falta de apoios que teve ao longo da temporada, que, para já, ainda não lhe permite garantir a próxima temporada.

Bola na Rede (BnR): Para quem não conhece tão bem o Bruno Magalhães, como e porque nasceu a paixão pelos ralis?

Bruno Magalhães (BM): A paixão nasceu por tradição familiar – o meu pai fazia ralis – e eu, desde os seis anos, comecei a ir ver os ralis do meu pai. Portanto, se eu quando era miúdo gostava de jogar à bola e tinha aquela paixão toda pelo futebol, a partir dos meus 12/13 anos, aquilo que eu queria era fazer ralis e o meu sonho foi virado para os ralis; tinha aquela ideia do futebol, e até tinha jeito, mas, quando conheci o mundo das corridas, esqueci logo o futebol.

BnR: Quando foi o primeiro rali que fizeste?

BM: O meu primeiro rali foi em 1999, na altura tinha 18 anos, e foi o Rali Portas de Ródão, com um Volkswagen Golf GTi.

BnR: Preferes ralis de terra ou de asfalto? Quais as particularidades de cada piso?

BM: Sinceramente, gosto dos dois, são pisos muito diferentes. Enquanto a condução em terra dá muito gozo porque o carro anda sempre a escorregar e de lado, o asfalto, quando é um asfalto bom, dá muito prazer – temos que andar no limite e à procura do décimo de segundo, que é uma coisa que na terra não acontece tanto. Normalmente, quando faço dois ralis de asfalto seguidos, tenho saudades de conduzir na terra, se faço dois ralis de terra seguidos, tenho saudades de conduzir no asfalto. De facto, o único piso que ainda não experimentei a 100% foi neve – já fiz o Rali de Monte Carlo com neve, mas era neve em cima de alcatrão, portanto é diferente. Gostava de fazer um rali verdadeiramente de neve, com aqueles pregos grandes, que é quando é neve em cima de terra. Se me perguntasses qual era o rali que eu mais gostava de fazer e que ainda não fiz, diria que é o Rali da Suécia.

Bruno Magalhães com a equipa oficial da Peugeot Fonte: Bruno Magalhães
Bruno Magalhães com a equipa oficial da Peugeot
Fonte: Bruno Magalhães

BnR: A chegada à equipa oficial da Peugeot foi o momento mais determinante da tua carreira?

BM: Claro que sim. Nessa altura eu ainda era bastante novo, e foi isso que me permitiu alcançar os títulos que tenho e, portanto, esse foi o ponto fundamental, até porque estava numa altura em que, a nível pessoal, não conseguia suportar mais os custos, que eram cada vez mais elevados. Foi com a entrada na Peugeot que consegui tornar-me profissional e, nessa altura, as coisas correram-me bastante bem – foi o que me permitiu ter a carreira que tenho hoje.

BnR: Qual é o teu rali favorito (dos que já fizeste)?

BM: O rali que eu ainda hoje, e já passaram muitos anos, me lembro de estar no pódio para começar (e parece que estou lá neste momento) é o Rali de Monte Carlo. Porquê? Porque era um sonho de criança. Eu lembro-me de estar a ver televisão, assistir ao rali e ver os resumos. Houve um dia em que pude estar no pódio para arrancar em Monte Carlo e disse “Fogo! Eu vou fazer o Rali de Monte Carlo. É este o dia!”. Lembro-me quase como se fosse hoje, é engraçado, eu estava ali num momento de introspecção, a pensar na minha carreira e a dizer “Eu vou participar no Rali de Monte Carlo” e nunca mais me vou esquecer deste momento.

BnR: Este ano correste de Skoda, depois de muitos anos com a Peugeot. O Fabia R5 é o melhor carro que já pilotaste?

BM: É, é. Para já, é normal que seja o melhor porque os carros vão sempre evoluindo, portanto, vão-se tornando cada vez melhores, mas, de facto, este carro que usei este ano é um carro muito fiável e que tem um potencial muito grande, no qual podemos confiar a 100% e nunca estamos preocupados. O carro é tão fiável que não vamos para o rali a pensar que o carro vai avariar e isso liberta o piloto em termos de condução também – vemos um buraco, não temos medo de passar por cima, por exemplo.

Monte Carlo é o rali que mais marca o piloto Fonte: Bruno Magalhães
Monte Carlo foi o rali que mais marcou o piloto
Fonte: Bruno Magalhães

BnR: A esse nível, é o melhor R5 que existe neste momento…

BM: Eu acho que é muito parecido com o Ford, a nível de competitividade e de fiabilidade. Mesmo nos campeonatos internacionais, opta-se sempre por um ou pelo outro e, portanto, neste momento, se me desses a escolher o carro com que eu iria correr para o ano, eu escolhia o mesmo, o Skoda.

BnR: Qual é a tua maior referência nos ralis?

BM: Quando era miúdo, era o Colin McRae, como toda a gente, não é? Foi o piloto que mais me impressionou ver passar. Tenho uma memória, de 1999, da qual nunca me esqueci: vê-lo passar em Ponte de Lima, quando ele ganhou praticamente o Rali de Portugal nos dois primeiros troços de Ponte de Lima. Lembro-me da forma como ele passou e de achar que aquilo era impossível, era impossível fazer aquilo. No entanto, se me perguntares se foi o melhor piloto de ralis, a resposta é: não, não foi. Ele batia demasiadas vezes, mas também era aquilo que o público gostava e era aquilo que trazia a paixão aos ralis e aquilo que nós, enquanto público, gostamos. Agora, se me perguntares qual foi o melhor piloto até hoje… É uma pergunta um bocado complicada. Talvez o Sébastien Loeb, que ganhou nove vezes, mas muitos também vão dizer que tinha tudo e que não tinha concorrência à altura. Portanto, a nível de paixão, enquanto espectador, o Colin McRae ainda hoje é um dos nomes mais conhecidos e só ganhou um título mundial. É o piloto mais conhecido em todo o mundo, mais do que o Loeb, que ganhou nove vezes. Mas o melhor é o que ganha mais vezes, e aí é o Loeb, que ganhou por nove. BnR: Esta foi a temporada que gostaste mais na tua carreira?

BM: Foi, por tudo o que representou. Desde logo, porque era só para fazer um rali. Depois, fui fazer o primeiro rali, que foi o dos Açores, e ganhámos. Era um rali de terra e já não conduzia neste piso há um ano e meio, nunca pensei ter um nível de competitividade alto; ainda por cima, tinha um carro totalmente desconhecido por mim, o Skoda Fabia R5. O carro ajudou, porque tem potencial e é simples de aprender, por isso, senti-me bem desde o início. Vencer o primeiro rali do Europeu (ERC) foi espectacular e foi um passo importante para o que se passou a seguir, que foi conseguir fazer o campeonato todo.

BnR: Nos Açores, antes do rali, disseste que apenas esperavas terminar e adaptar-te ao carro…

BM: Sim, queria usufruir do rali. Imagina que fazia um troço ou dois e batia, era um desperdício. Agora, claro que quando me senti mais confortável com o carro fui podendo atacar mais e fui ganhando posições. Acabei por vencer o rali com um pouco de sorte, porque o russo [Alexey Lukyanuk] deu um toque; em condições normais não o apanharíamos e ficaria em segundo. Foi um início de época espectacular.

BnR: O que mais gostaste na temporada? Da vitória nos Açores?

BM: Não! Foi uma vitória e uma vitória é sempre especial. Mas deu-me muito mais gozo ir a alguns ralis desconhecidos e, apenas com duas passagens, ser rápido, mostrando o bom trabalho que temos vindo a fazer nos últimos anos, mesmo com algumas paragens pelo meio – no ano e meio ante só tinha feito uma prova – deu frutos. Eu e o Hugo [Magalhães] sabíamos que estávamos a fazer um bom trabalho, mas não tínhamos oportunidades de o mostrar no terreno, e isto foi o que me deu mais gozo. O das Canárias deu-me também um gozo enorme, apesar já lá ter competido há muitos anos. O Rali da Grécia foi totalmente novo para mim, os meus adversários já conheciam, e conseguimos ganhar troços à geral e, no final do primeiro dia, estávamos a menos de 10s do primeiro. No segundo dia, a centralina partiu-se, foi pena…

BnR: E o que gostaste menos?

BM: O ponto negativo foi o Chipre, foi lá que perdemos as hipóteses de ser campeão. Era uma curva que mudava tudo. O Kajetan Kajetanowicz tinha ficado lá e, se eu tivesse passado aquela curva, iria adoptar uma táctica totalmente defensiva e, mesmo que não ganhasse, era segundo, o que me iria dar uma boa vantagem no campeonato e iria criar pressão no Kajetan para as provas seguintes e obrigá-lo a arriscar mais, ficando mais propenso a erros.

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BnR: Como é ser vice campeão europeu depois de teres começado a temporada só com o rali dos Açores confirmado?

BM: A satisfação é enorme, mas já estou a pensar em 2018 e na dificuldade de encontrar apoios para continuar. Não me agarro muito às taças, dão-me satisfação, mas o meu objectivo é sempre fazer mais. Eu não tenho aquela coisa de acabar em grande, eu quero é correr cada vez mais, isto é a minha vida e é o que eu gosto mais.

BnR: Sentiste mais apoio ao longo da temporada, por parte da FPAK e dos portugueses?

BM: Dos portugueses, sim. No início, as pessoas sabiam que era prova a prova e não apoiavam tanto, mas depois, com os ralis a serem feitos e com a liderança do campeonato, sentimos que as pessoas começaram a vestir a camisola e foram apoiando cada vez mais. Percebia que todos estavam cada vez mais mais ligados a nós.

BnR: Os principais pilotos do ERC, em 2017, foste tu, com 37 anos, o Kajto, com 38, e o Lukyanuk, com 36. No entanto, vemos cada vez mais jovens com um grande ritmo desde muito novos…

BM: Antigamente não havia tanto este sonho e não se falava tanto na internacionalização, por isso é que tivemos grandes pilotos que nunca pensaram sequer em internacionalizar-se. De há uns anos para cá é que se começou a falar nisto. O que é que acontece? É que as condições para correr lá fora só chegaram com uma determinada idade. Eu quando comecei a fazer ralis tinha 18 anos e quando comecei a correr lá fora tinha 30. Se compararmos isto com os miúdos de agora, há uma diferença muito grande. Quando corremos em Portugal, vamos cheios de vícios, os reconhecimentos são ilimitados, há uma série de regras que são diferentes do que encontramos lá fora e depois é complicado. Por isso, se os pilotos mais jovens tiverem oportunidade para ir lá para fora mais cedo e habituar-se a estas regras, é uma vantagem para eles. BnR: Já há alguma coisa confirmada para 2018?

BM: Nada, nada, nada. Neste momento nem um patrocínio tenho ainda confirmado. Continuo a trabalhar nisto, tenho alguns projectos a decorrer e à espera de respostas, mas neste momento não tenho nenhuma confirmação. Não há perspectivas, apenas vontade de continuar.

BnR: Nos Açores, festejaste no mesmo dia a tua vitória e o título do Benfica. Gostavas de ser um piloto do Benfica, como já foi o Bernardo Sousa ou o Paulo Gonçalves é?

BM: Já pensei, mas não sei se juntar o Futebol e os Ralis é positivo. Hoje em dia, as pessoas são tão fanáticas que fico sem saber se é muito benéfico fazer este tipo de associações no mundo dos automóveis. Basta dizer que tenho apoio do Benfica e uma pessoa do Marketing de uma empresa ser do Sporting, por exemplo, para me dizerem que não. Não sei se é benéfico, cada coisa no seu lugar. Gosto muito de ir ver o Benfica ao estádio, mas a minha prioridade são os ralis.

BnR: Neste momento, ainda não há calendário, mas deverá ser igual a 2017, apenas com a troca do Rali da Polónia (que passa de asfalto para terra). Agora que conheces quase todos os ralis, achas que tens mais hipóteses de lutar pelo título?

BM: Claro, este ano tinha quatro ralis que não conhecia. Para o ano tenho a certeza que serei mais rápido, porque vou ter um nível de conhecimento, quer do carro, quer do terreno, muito superior, o que me pode permitir ser melhor. BnR: Em França, aconteceu, recentemente, o Rally Jeunes, uma prova organizada pela FFSA (Federação Francesa de Automobilismo), que já levou à descoberta de muito bons pilotos, sendo Loeb e Ogier os expoentes máximos. Achas que era um trabalho que a FPAK tinha que fazer em Portugal?

BM: É normal que em França existam mais iniciativas porque eles têm os construtores lá, apesar de neste momento ser a M-Sport a apoiar, na altura eram a Peugeot e a Citroen que apoiavam. Obviamente que acho que devia haver algo mais para projectar pilotos para o futuro e por isso é que nós, em Portugal, neste momento, não temos muitos pilotos jovens, porque não há apoios. Acho que há uma grande falha de comunicação ao nível dos ralis, nos meios de comunicação mais generalistas, porque nós vemos pessoas noutros desportos que vão disputar um campeonato da Europa, seja no Atletismo, no Remo, no Judo ou no que for, e são alvo de atenção por parte dos meios de comunicação e nós, que estivemos num campeonato europeu, numa modalidade que está ligada ao mundo automóvel, e pouco ou nada foi falado. O mundo automóvel é um dos principais sectores de actividade em Portugal, tudo o que é ligado aos automóveis tem muita força no orçamento. Como é que uma participação num campeonato tão forte, que envolve tantos meios, com um acompanhamento da Eurosport, não é mais mediática? Só senti uma abordagem diferente quando fui para a última prova, ainda com a possibilidade de ser campeão, porque, de resto, nunca vi nas televisões que tínhamos ido ao pódio, ou algo parecido. Faz-me muita confusão como é que não se olha para isto. Acho que é preciso fazer um trabalho de fundo, mas não sou eu, como desportista, que o tenho de fazer, tem de ser a FPAK a trabalhar isto, tem de se impor perante os meios generalistas e mostrar que o mundo automóvel em Portugal é importante, talvez em conjunto com as próprias marcas. O que se passou este ano não é normal, uma pessoa anda à frente de um campeonato da Europa e ninguém liga, só as pessoas que gostam, e, claro, é também disto que advém a dificuldade de arranjar patrocínios. Eu tenho retorno, porque só a Eurosport a transmitir para todo o mundo permite isso, mas podíamos ter muito mais e sermos conhecidos por mais gente que não só as pessoas que gostam das corridas. Por exemplo, eu não percebo nada de Judo, mas sei quem é a Telma Monteiro, tal como todos nós sabemos. Alguém trabalhou para que a Telma, fruto dos seus resultados, seja um nome conhecido por todos. Mesmo noutras modalidades isto acontece, por exemplo, no Ténis, não temos ninguém a liderar rankings, mas todas as semanas temos notícias do jogador X e Y, basta entrar no top100. E um português que está à frente do Europeu? Ninguém quer saber e isto faz-me confusão.

BnR: Achas que o ERC anda a perder influência nos últimos anos, comparativamente com o IRC, tendo, inclusive, perdido os directos?

BM: O IRC – competição que deu origem ao ERC atual – antes era mais forte. As marcas estavam envolvidas e havia muito dinheiro. Tínhamos pilotos que estão agora a discutir provas e títulos no WRC e nós, na altura, fomos vítimas disto. Porque estes pilotos de topo já tinham seis ou sete anos a fazer ralis com duas passagens e eu vinha com os vícios de Portugal. Agora, temos os pilotos locais, que conhecem o terreno como ninguém e que temos de contar com eles, mesmo que sejam nomes desconhecidos que ninguém ouviu falar, porque eles conhecem bem o rali. É um campeonato forte, mas tem menos força que o IRC.

Todos os anos milhares de pessoas vão para as estradas na prova do WRC Fonte: Rali de Portugal
Todos os anos, milhares de pessoas vão para as estradas para assistir ao Rali de Portugal
Fonte: Rali de Portugal

BnR: Que ideia tens da importância dos ralis em Portugal e do interesse dos portugueses pela modalidade?

BM: Acho que os portugueses gostam de ralis e é por isso que o Rali de Portugal tem muitos milhares de pessoas nas estradas, mas se calhar também já teve mais adeptos, porque a modalidade também era dada a conhecer de outra maneira pelas televisões e jornais generalistas. Em Portugal, as pessoas são apaixonados por automóveis por natureza, por isso, acho que se recuperarmos a atenção, podemos recuperar rapidamente o interesse das pessoas.

BnR: Falaste nas TV’s generalistas… Hoje em dia, só aparecem ralis nas televisões portuguesas durante o Rali de Portugal ou devido a acidentes graves. O que mudou nestes 20 anos para antes termos notícias do Campeonato Nacional de Ralis e agora pouco ou nada se fale?

BM: Para começar, as marcas deixaram de se preocupar com o desporto automóvel. Antes, quem estava à frente das marcas gostava de automóveis. Agora, quem está à frente já não tem paixão, é igual ser uma marca de automóveis ou de frigoríficos, as pessoas olham para números. E como só olham para números, muitas decisões não são tomadas e muitos projectos não são apoiados. Antigamente, quem trabalhava na área estava lá 20 ou 30 anos e era daquela marca, havia paixão. Agora, estão sempre a mudar e a pessoa tanto trabalha nos carros, como nos frigoríficos, como noutra coisa qualquer, o que levou a esta troca da paixão pelos números. Quem está nas marcas deveria ter prazer ao criar um Troféu, ir ver os ralis, que era o que se passava antigamente. Antigamente, criava-se um Troféu e iam todos ver o rali durante o fim de semana, era uma festa. Acho que o que falta é paixão e não dinheiro.

BnR: Como vês o futuro dos ralis em Portugal?

BM: Vejo com alguma preocupação porque há poucos pilotos jovens. Se compararmos com a altura em que estava no Nacional, é muito mais envelhecido e os pilotos são praticamente os mesmos, quem aparece também já não é muito novo. Não aparecem novos valores, o que é preocupante. Uma das coisas que mais gostava era poder acompanhar um piloto desde novo, para o ajudar a fazer campeonatos internacionais desde novo, mas vejo isto com muita dificuldade – desde já, por falta de apoios -, eles próprios precisam de mostrar potencial. Quando começamos, ou é o pai que ajuda, ou um tio, ou o padrinho; é cada vez mais difícil arranjar novos valores.

BnR: Temos como bom exemplo disto o Diogo Gago, que chegou à equipa oficial da Peugeot através de um prémio, mas que quase desapareceu, apesar de voltar agora no Rali do Algarve…

BM: É o melhor exemplo que se pode dar. É o piloto jovem com mais potencial, é muito rápido, chegou a uma equipa oficial graças a um prémio, mas, quando o prémio acabou… ele não conseguiu mais apoios para continuar. É triste porque ele era um piloto que, se fosse ajudado, poderia ter um futuro bastante bom. Mas está a viver as dificuldades que muitos outros estão a enfrentar.

BnR: Qual a história mais curiosa nos ralis?

BM: Esta é muito difícil, tenho que pensar. Mas o Rali do Brasil foi o pior que fiz, era a desorganização total. Chegamos a um controlo horário e o controlador não tinha caneta. A função dele era escrever, mas não tinha caneta. Este rali foi cheio de peripécias.

Magalhães no Rali do Brasil Fonte: EWRC - Douglas Ramos
Magalhães no Rali do Brasil
Fonte: EWRC – Douglas Ramos

BnR: Qual o carro que sonhavas pilotar?

BM: Gostava de conduzir um WRC, porque nunca conduzi nenhum. Gostava de ter conduzido um Skoda S2000, porque nos dava muito trabalho quando estava na Peugeot. Gostava de ter conduzido um Peugeot 306 Maxi, porque foi um carro que, desde novo, fui habituado a ver e era espectacular o barulho dele. Gostava mais de carros do passado do que algo novo, tirando os WRC, carros que me marcaram de alguma maneira. Além do Skoda e do 306, gostava também do Clio S1600, que também nos dava muito trabalho.

BnR: Suponhamos que, em 2018, as quatro marcas do WRC te tentavam contratar. Qual escolhias?

BM: Acho que, neste momento, a Hyundai está pujante, na minha opinião, tem o melhor carro. Além disso, actualmente, parece ser a equipa que tem mais condições. Acho que neste aspecto, a Toyota também vai melhorar.

BnR: Que conselhos dás a quem quer começar nos ralis?

BM: Escolherem outra modalidade (risos). O melhor conselho que posso dar é fazerem isto com paixão, porque os obstáculos são muito grandes. Sem paixão já tinha abandonado a carreira e agora não era vice-campeão europeu, e já vimos vários pilotos que fazem dois ou três anos e depois fartam-se e desistem. A paixão é o mais importante.

Foto de Capa: Bola na Rede

Francisca Carvalho

Redação Bola na Rede · ver artigos