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O caso de Luka Jovic

Bruno Costa · 3 min

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Luka Jovic, ponta-de-lança sérvio de 20 anos, chegou ao Sport Lisboa e Benfica em 2015, depois de cumprir todas as etapas de formação ao serviço do Fudbalski Klub Crvena Zvezda (Estrela Vermelha). Devido ao facto de, na altura, ter no plantel principal concorrentes de peso como Jonas, Kostas Mitroglou ou Raul Jiménez, o jovem sérvio teve de “baixar” à Equipa B e mostrar aí o que valia. As suas dificuldades de adaptação foram notórias e desde cedo se viu um Jovic algo desmotivado e mostrando muito pouca vontade durante os jogos que realizava. O seu potencial era já na altura tremendo, mas o jogador simplesmente não conseguia evidenciar no terreno aquilo que se esperava dele. Ao todo, realizou pela equipa secundária do SL Benfica 17 jogos (apontando quatro golos) e pela equipa principal quatro jogos (não tendo aqui feito qualquer golo).

As dificuldades na sua vinda para Lisboa foram explicadas pelo próprio que, numa entrevista a um site sérvio, confessou que nem sempre agiu da forma mais correcta: “Não tive um comportamento profissional. Sentia saudades do meu país e cometi erros graves”. Chegou, inclusive, a ser visto numa saída à noite após uma semana de treinos na equipa principal em que tudo lhe correu bem e onde conseguiu treinar entre os titulares e destacar-se: “A certa altura, o Mitroglou estava em má forma e o Jiménez lesionado. Tinha feito golos na equipa B e fiz a melhor semana de treinos na equipa principal. Marquei golos e a dois dias do jogo, o treinador colocou-me a treinar entre os titulares. O Mitroglou estava nervoso, ouvi-o dizer palavrões em grego. No final do treino, o Rui Costa disse que tinha de manter aquele nível. Contudo, decidi ir até à Baixa de Lisboa e só vim embora depois da meia-noite. Os responsáveis do Benfica viram-me e, claro, não fui convocado”.

A partir daqui, Jovic perdeu todo o espaço que já tinha conseguido conquistar, tendo sido emprestado na temporada seguinte (2017/2018) ao Eintracht Frankfurt Fußball A.G., num contrato com a duração de duas temporadas. Ora, é precisamente aqui onde se encontra o jovem ponta-de-lança e o seu percurso na Bundesliga tem sido altamente ascendente. Inclusivamente, na última jornada do campeonato alemão conseguiu apontar cinco golos! Com este feito, Jovic conseguiu já igualar o número de golos apontado na primeira temporada ao serviço do Entracht Frankfurt (nove) e promete não ficar por aqui.

Luka Jovic tem sabido aproveitar as oportunidades para se desenvolver como jogador, num campeonato exigente como a Bundesliga
Fonte: Eintracht Frankfurt Fußball A.G.

Esta nova vida de Luka Jovic faz-nos pensar até onde poderá ele ir. O seu potencial e as suas capacidades nunca estiveram em causa; trata-se de um ponta-de-lança técnico, inteligente nas suas movimentações, com boa capacidade física e frio no momento de finalizar. Trabalha bastante para a equipa, não sendo muito de se fixar na área à espera que a bola lhe chegue. Gosta de marcar golos artísticos e isso demonstra que não tem medo algum de arriscar.

O director-desportivo do Eintracht Frankfurt já abordou o futuro de Jovic no clube alemão e referiu-se à cláusula de compra do sérvio, deixando no ar a possibilidade (mais do que óbvia) de avançarem para a sua contratação em definitivo. Fala-se que, em princípio, será uma operação a rondar os 12 milhões de Euros. Ora, tendo em conta o potencial do jogador e a sua capacidade actual, estou em crer que será um negócio ruinoso para o SL Benfica. Mais uma vez, a Estrutura não conseguiu identificar o jogador em questão e fixou um valor de compra futura quase aleatório, como se não acreditasse que este se pudesse encontrar e evoluir para um patamar de qualidade.

Pessoalmente, não fiquei muito agradado das vezes que vi Jovic exibir-se com a camisola do SL Benfica. E, tal como eu, os próprios corpos técnico e directivo também não terão ficado agradados. Mas daí a desacreditar o potencial de um jogador de qualidade vai uma grande distância. É verdade que Jovic não teve o melhor dos comportamentos e o próprio tem essa consciência, mas até que ponto não seria também a obrigação do Clube pegar no jogador e conduzi-lo para melhores caminhos? Fazê-lo sentir-se em casa e traçar-lhe várias metas que o levassem a aumentar a sua confiança? O que é facto é que, tal como aconteceu com Bryan Cristante, o SL Benfica não soube aproveitar o potencial e qualidade de um dos jovens mais promissores no panorama europeu. Agora será tarde demais.

Foto de Capa: SL Benfica

Bruno Costa

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