Publicidade

FC Porto 2-1 Rio Ave FC: O bacalhau ia sendo servido (bem) frio

Ricardo Anselmo · 7 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O recorde foi igualado. A 15.ª vitória consecutiva foi alcançada, mas, para chegar até ela o FC Porto usou uma vez mais a estratégia do costume: dar um golo de avanço ao adversário.

Assim, pelo quarto jogo seguido a equipa de Sérgio Conceição viu-se obrigada a corrigir uma entrada em falso. É certo que o resultado final é que conta e, novamente, a turma azul e branca arrecadou os três pontos. Com três golos nos primeiros 25 minutos, o resto da partida obrigou os adeptos portistas a colocarem o comprimido debaixo da língua. Nem a entrada de Óliver Torres alavancou um dragão que queria muito passar a quadra natalícia na liderança isolada, mas que nem sempre optou pelos melhores caminhos para lá chegar.

É particularmente simples e fácil de contar a história do primeiro tempo. Comecemos pelo ambiente: Um jogo às 15 horas, a um domingo, em vésperas de Natal, tinha tudo para dar certo. E assim foi. 48 208 adeptos não faltaram à chamada e ajudaram a equipa de Sérgio Conceição e reforçar a liderança isolada do campeonato. Isto, tendo em conta que ao longo do dia, Benfica e Sporting ainda teriam de encarar desafios teoricamente complicados. A entrada da equipa, contudo, não foi a de um dragão feroz à procura de ferir e trucidar um Rio Ave que se apresentou personalizado e disposto em contrariar uma história que parecia ter um final decidido bem antes de ser escrita. Vinícius, aos 12 minutos, confirmou a tendência: este FC Porto anda com ‘tiques’ de masoquista. Um mau passe de Corona foi o tónico para que os vila-condenses aproveitassem a ausência de Maxi no lado direito da defesa para aí abrirem uma autoestrada. Gelson Dala descobriu bem o avançado brasileiro e este, no frente a frente com Casillas, só teve de contornar o guardião e atirar a contar.

Ainda assim, nada de dramas. Brahimi decidiu chamar a si todas as atenções e pegou na bola com toda a confiança. O resto… é mais um tratado daquilo a que o argelino nos habituou. Depois de servir Corona na direita correu para área para receber o cruzamento do mexicano, que fez ainda escala na cabeça de Soares antes de parar nos pés de Yacine. Tudo simples e tudo, de novo, igual, menos de quatro minutos depois. O pé, contudo, continuava no acelerador e foi, mais uma vez, a partir do corredor direito qua vantagem sorriu aos portistas. Maxi soltou em Marega que, depois de aguentar o choque com Nélson Monte tocou com categoria para o fundo das redes de Léo Jardim. Até ao final do primeiro tempo, destaque para a perdida de Corona, que tinha tudo para elevar a contagem, mas atirou ao poste.

Foi um jogo muito disputado no Estádio do Dragão
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Se o resultado não mexeu no fim da primeira parte por intermédio de Corona, o inicio da etapa complementar ficaria novamente marcado pelo desperdício do mexicano. Um cruzamento milimétrico de Brahimi, pela esquerda, encontrou ‘tecatito’ solto ao primeiro poste, que desviou por cima. O terceiro golo, da tranquilidade, não aparecia e do outro lado, o Rio Ave, ia acalentando esperanças de colocar em causa a sério vitória dos azuis e brancos. Não criaram perigo evidente, é certo, mas no ar pairou sempre a possibilidade de chegar o empate. Alex Telles teve de oferecer o corpo às balas para evitar que Tarantini fizesse o 2-2, ao deslizar pelo relvado para tirar o pão da boca ao rioavista.

Já com Óliver em campo mas sem melhorias evidentes, seria na área de Casillas que o perigo andaria novamente à solta. Vinícius segurou bem a bola e depois de fugir à marcação dos centrais rematou forte contra o corpo de Felipe. Na recarga, Coentrão atirou muito torto quando poderia ter feito bem melhor. Até ao apito final de Tiago Martins o mais perto que o Estádio do Dragão teve de entrar em êxtase aconteceu no primeiro dos cinco minutos de compensação, quando Fábio Coentrão perdeu a cabeça numa disputa com Maxi e acabou na rua. Para a história fica a certeza de que o Natal, na Invicta, é mesmo azul e branco.

ONZES INICIAIS

FC Porto: Casillas, Maxi, Felipe, Militão, Alex Telles, Danilo, Herrera, Corona (Óliver, 71’), Brahimi (Adrián, 90+1’), Marega e Soares (Hernâni, 81’).

Rio Ave FC: Léo Jardim, Matheus Reis, Nélson Monte, Buatu, Tarantini (Murilo, 79’), Schmidt, Fábio Coentrão, Nadjack, Gabrielzinho (Bruno Moreira, 87’), Gelson Dala (Jambor, 25’) e Vinícius.

A FIGURA

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Moussa Marega – Outra vez… dirá o leitor, mas a verdade é que o maliano vem sendo um autêntico abono de família. Pelo menos no que à matéria de golos diz respeito. É já o 5.º jogo seguido a faturar, o que permite a Marega juntar-se a um restrito lote de estrelas que passaram pelo FC Porto e lograram tal feito. Face a uma aparente dificuldade da equipa em controlar o jogo e criar claras oportunidades de golo, o maliano foi importante para ajudar os colegas a respirarem e a subirem as linhas com as suas arrancadas.

O FORA DE JOGO

Fonte: Rio Ave FC

Fábio Coentrão – Não se adivinhava uma tarde fácil para o jogador português a partir do momento em que pisou pela primeira vez o relvado do Dragão. Apupado em cada momento que tocava na bola, Coentrão acabou com nota negativa quando se desentendeu com Maxi, já nos descontos e levou o segundo amarelo que conduziu à expulsão. Aí, parecia que o FC Porto tinha feito o terceiro golo, tal a festa que se verificou nas bancadas.

BnR na Conferência de Imprensa

Sérgio Conceição (FC Porto)

– Em termos defensivos havia uma agressividade que até hoje não tinha sido revelada. Acho que faz parte da estratégia dos adversários para quebrarem o nosso ritmo. Desde que seja dentro daquilo que é normal não vejo problema nenhum, mas admira-me que noutros jogos esta agressividade não tenha existido.

– Hoje entramos bem no jogo, acabamos por sofrer na primeira vez que o adversário chega à baliza. Fomos à procura de inverter e colocamo-nos por cima. Nos últimos minutos da primeira parte o Rio Ave esteve por cima mas nós podíamos ter saído com mais um golo, na oportunidade do Corona. Corrigimos ao intervalo, conseguimos ser mais pressionantes, podíamos ter matado o jogo e na parte final meteram um segundo ponta de lança e colocaram as bolas lá em cima, mas em termos de perigo evidente lembro-me penas de uma ação do Alex Telles que teve um corte fantástico. A atitude do Rio Ave veio valorizar a nossa vitoria.

– Não gosto de sofrer, mas temos de olhar para a qualidade do adversário, teve uma transição de grande qualidade e fez o golo com mérito. Algum demérito nosso. Isso acontece, eu não gosto… mas a reação é importante. Sempre à procura do golo. Podíamos ter acabado com o jogo mais cedo e sujeitamo-nos. A vitoria é incontestável e justíssima.

– Queria mandar um beijinho a todas as crianças do IPO, bem como às famílias e a todas as pessoas que lá trabalham. Eu desejo muita saúde a toda a gente e que estejamos mais atentos às crianças e aos idosos. Não nos devemos lembrar deles só nesta data.

– Ficamos satisfeitos por igualar um treinador como Artur Jorge. Tenho as melhores recordações dele. Agora vamos à procura da 16.ª vitória. O ano foi bom, podia ter sido melhor. Não foi excelente, mas foi bom.

Augusto Gama (Rio Ave FC)

– Satisfeito coma prestação, a equipa demonstrou uma atitude enorme, mas com o resultado não. Penso que merecíamos outro resultado, não foi possível, agora há que seguir em frente.

– Pelo que fizemos, o empate era merecido. A equipa fez o que lhe pedimos, aumentou o nível de agressividade, apesar de termos cometido um ou outro erro, no geral estou satisfeito com a atitude em campo.

– O Rio Ave tem crescido a nível profissional e isso cria condições para que os treinadores possam desenvolver um bom trabalho. Nós estamos muito contentes por isso acontecer e se outros clubes seguissem o Rio Ave seria importante para o futebol português.

– O Dala traz coisas diferentes ao jogo, é um jogador refinado e importante no último passe. Com a saída dele tivemos que mudar o que estava planeado. Um jogador com as características do Jambor oferecia-nos muita qualidade na circulação de bola.

– O Coentrão é um jogador que gosta de ter bola e desposiciona-se quando a bola não está na zona dele e achamos que nos seria mais útil no meio. Com a saída do Dala ficamos sem um jogador com capacidade no 1×1. Em relação à expulsão houve uma picardia e penso que eles como jogaram juntos não creio que tenha sido nada de mais.

artigo revisto por: Ana Ferreira

Ricardo Anselmo

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Manter o rugido europeu | Sporting x LASK

Alvalade volta-se a vestir de gala pela segunda vez na presente temporada, desta vez com o Sporting a receber o LASK, emblema que milita no campeonato austríaco. Com duas vitórias somadas em dois embates disputados, os pupilos de Rui Borges colocam as suas miras apontadas ao terceiro triunfo, numa fase em que todos os pontos são de extrema importância. Os verdes e brancos iniciaram a presente campanha na Liga dos Campeões com um registo positivo e pretendem assim manter os números protagonizados até então (dois triunfos, onde apontaram cinco golos e sofreram apenas um) e colocam-se atualmente no sexto posto da competição.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.