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Força da Tática: A idade de quem não sabe quantos anos tem

João Mateus · 3 min

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Na tarde deste domingo, para a 22ª jornada da Bundesliga, o Borussia Vfl Mönchengladbach foi à Commerzbank-Arena empatar com o Eintracht Frankfurt e.V.

A expectativa para este jogo era enorme. Mesmo com Jovic e Pléa no banco dos suplentes, Adolf Hutter e Dieter Hecking proporcionaram-nos uma batalha bastante interessante. Do lado visitante, a mobilidade de Stindl causou muito desconforto e a qualidade de Elvedi e Ginter com bola permitiram à equipa romper a pressão adversária com qualidade e segurança.

Já no lado das Die Adler, voltou a emergir Makoto Hasebe. O nipónico, depois do jogo dominador frente ao RasenBallsport Leipzig, na última jornada, continua a afirmar-se como uma das grandes bases deste interessante projeto. Longe dos holofotes e das capas de jornais, em detrimento de nomes como Jovic e Rebic, o internacional japonês tem tido uma relevância inegável nas últimas duas épocas, e permite ao Eintracht Frankfurt continuar a crescer de forma continua e sustentável.

Importância Tática

  • A perceção é a realidade

Com Adolf Hütter ao leme, a equipa encontrou no 3-4-1-2 o seu sistema preferencial, apesar de ter iniciado a temporada numa formação mais próxima do 3-5-2. Assim, é no centro da linha defensiva que aparece Hasebe.

A decisão de converter o ex-médio defensivo a “central do meio”, foi introduzida por Niko Kovac na última época. Num sistema de três defesas centrais, ladeado por Ndicka e Abraham, Hasebe vê o jogo constantemente de frente, e isso é fundamental.

No Futebol, um dos aspetos mais subestimados, mas dos mais importantes, é a perceção e como ela afeta a tomada de decisões e a execução de ações em todas as fases do jogo. Todas as ações que o jogador realiza em campo são influenciadas por aquilo que os jogadores percebem, sendo a sua dimensão mais importante a visão. Enquanto jogadores, a capacidade de ver as coisas como a bola, os companheiros, os adversários e as suas posições em campo é vital.

E como central do meio, Hasebe vê tudo.

  • Superar linhas.

Hoje, onde joga, vê tudo, mas durante a sua formação e toda a carreira não tinha esse “privilégio”. Jogar na ala, por exemplo, têm as suas dificuldades, mas é no corredor central que o oxigénio começa a faltar. No centro, é necessário ter qualidade técnica para conseguir jogar sob pressão, decidir para onde olho e para onde não olho (gerir lado cego), ser inteligente, usar o corpo … enfim, a lista continua.

Apesar de agora jogar a central, Hasebe traz consigo todas essas características. Assim, a equipa têm no japonês um jogador capaz de superar linhas através do passe, com a intensidade e a precisão adequadas, e da condução, sem medo de assumir o risco em conduzir curto e invadir o espaço.

Este recurso, superar linhas através do passe ou da condução, permite aos alas laterais assumirem posicionamentos agressivos em largura e profundidade e evita que os médios baixem demasiado, abandonando os espaços entre linhas do adversário.

  • “Tranquilos, a bola está com o Hasebe”

Adicionalmente, e talvez o mais importante de tudo: a equipa sente-se confortável e segura quando a bola está nas botas de Hasebe.

Joga sob pressão, sendo capaz de fazer uma gestão eficaz dos tempos e dos espaços, oferecendo-se aos colegas como o primeiro apoio atrás. Não tira a bola, tenta sempre colocar a bola a jogar.

Finalmente, faz os colegas melhores. A experiência dos seus 35 anos e a segurança que transmite permitem aos restantes dois centrais adotarem uma posição aberta na fase inicial de construção, sem medo e com personalidade.

Assumir o risco na condução curta para superar linhas de pressão e calma sob pressão.

 

Foto de capa: Eintracht Frankfurt

 

 

João Mateus

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