Última horaBrasileirão: Palmeiras de Abel Ferreira goleia e Cruzeiro de Artur Jorge também ganha
Publicidade

Fumo branco

Bernardo Lobo Xavier · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

No artigo de opinião que escrevi na passada semana, abordei a chegada de Bruma ao Estádio do Dragão. Chegada essa que nunca chegou a acontecer, tendo o jogador, umas horas mais tarde, assinado pelo PSV Eindhoven. Assim sendo, tentarei ser mais comedido no tema que trago a este espaço esta semana. No entanto, com a imprensa a dar por praticamente garantida a tão proclamada contratação de Zé Luís, sou forçado deixar alguns breves comentários sobre um jogador de se fala há já largas semanas.

É sabido que o cabo-verdiano é um pedido expresso de Sérgio Conceição (que trabalhou com o jogador na sua passagem pela cidade de Braga), ao qual a SAD anuiu, tendo multiplicado esforços para oferecer ao seu treinador o goleador desejado.

Não deixa de ser uma contratação de risco. Pelos montantes envolvidos, pela idade do jogador e pelos números que foi apresentando ao longo da carreira, é normal que algumas dúvidas vão assolando a cabeça dos portistas.

Antes de abordar a vertente desportiva, começo pela questão financeira. A imprensa vai falando em valores entre os 8M€ e os 10M€. Sobre isto digo o mesmo que disse sobre Bruma na passada semana. São valores altos para a realidade portuguesa e tem que ser sempre considerado um risco elevado quando um clube português admite despender quantias desta natureza. No caso de Zé Luís existe a agravante de o jogador estar a caminho dos 29 anos, sendo que muito dificilmente gerará mais valias financeiras no futuro, a menos que acabe transferido para um mercado periférico.

Depois de Renzo Saravia, Sérgio Conceição está perto de receber o segundo reforço para a época 2019/2020
Fonte: FC Porto

Assim sendo, a aposta é total no lado desportivo. Acreditam os responsáveis do FC Porto que Zé Luís poderá ser dono e senhor da dianteira do ataque do clube nos próximos três ou quatro anos e que poderá garantir os golos, e acima de tudo uma maior eficácia remate/golo, que faltaram aos avançados do plantel em 2018/2019.

Para que isso seja uma realidade, o jogador terá que conseguir alcançar números que não foi capaz de atingir até hoje. Apesar de épocas interessantes no Gil Vicente FC, no Videoton, no SC Braga e no Spartak, a verdade é que nunca foi capaz de passar a fasquia dos 15 golos por temporada, o que para um jogador da sua posição, com a sua idade e experiência não é o melhor cartão de visita.

Zé Luís, no entanto, é muito mais do que golos. É um jogador com técnica apurada, ágil para a altura que tem (185cm), e forte de costas para a baliza e a jogar em apoios. É um ponta-de-lança interessante que jogando num clube grande do nosso campeonato poderá pulverizar os seus recordes de carreira (um pouco à imagem do que se passou com Seferovic na temporada passada), mas a quem, apesar de mais perfumado, não reconheço capacidade substancialmente superior a Soares, por exemplo.

Em suma, há finalmente fumo branco em relação ao dossier Zé Luís que ameaçava tornar-se na novela deste verão depois de Jorge Nuno Pinto da Costa e Sérgio Conceição terem anunciado no Porto Canal o interesse na sua contratação. É um jogador interessante e para render no imediato e não deixa de ser uma mensagem importante da SAD para o mercado, para o universo portista (que vai desesperando por reforços) e para o treinador de que está, de facto, a trabalhar para oferecer à equipa técnica o tal plantel competitivo de que tanto se fala. A confirmar-se, bem-vindo Zé Luís.

Foto de Capa: SC Braga

artigo revisto por: Ana Ferreira

Bernardo Lobo Xavier

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quando a tática explica tudo e, mesmo assim, passa para 2.º plano | Torreense

Não é que a tática não seja importante. Ela é, aliás, crucial para entender o jogo e o seu caminho. Ainda assim, depois de dois golos dos descontos e de uma nova vitória - a primeira em casa - do Torreense, qualquer pensamento, qualquer sentimento, qualquer nota sobre o jogo tende a lembrar a magia de, não um, mas dois golos anotados nos descontos para mudar completamente o resultado e o apelo de um clube a uma prova. Só a tática, na forma como o Torreense se organizou 11x10, 10x11 e 10x10, explica uma vitória construída com base em pensamento, em estrutura e em alterações constantes, num dinamismo tal que precisa de múltiplos cantos para escrever uma epopeia. Mas também só a emoção ou, pelo menos, a capacidade de a exteriorizar, explica a forma como, quando todos já poderiam deitar a toalha ao chão, um clube da Segunda Liga se consegue superiorizar na Europa e, depois de sofrer uma reviravolta, responder na mesma moeda, depois de, em casa, perder pontos nos descontos, recuperá-los e triplicá-los. 

Diogo Ribeiro · 9 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.