Paris Saint-Germain: A antítese do futebol romântico

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É provavelmente do senso comum que o PSG de há uns anos até então, tornou-se apenas num compêndio de estrelas patrocinadas pelos milhões vindos do Qatar, que não faz jus à história do clube e que acima de tudo não traduz o investimento em conquistas.

O PSG é hoje um clube com mais milhões do que ambições e é provavelmente o expoente máximo dos valores do futebol moderno. O Parc des Princes, estádio dos Les Rouge-et-Bleu, é o espelho perfeito de um clube que perdeu a sua mística, onde tudo parece teatralizado uma vez que se perdeu “o amor à camisola”. Na bancada são tantos turistas quanto parisienses e mesmo em momentos de conquista não vemos a mesma emoção e alegria que por outros lados se registam.

O verdadeiro problema do PSG e única justificação para o fracasso reside exclusivamente na estratégia dos seus responsáveis. Reunir os melhores craques a todo o custo num único balneário não é uma opção inteligente pois origina choques de egos que fazem despoletar as variadíssimas novelas que são do conhecimento de todos os nós. Além disso, e levando a discussão para dentro do relvado, ao PSG faltam “homens da casa”, ou seja, em todos os clubes quer na estrutura como no plantel há pessoas que sentem genuinamente o clube e que transmitem esse sentimento aos restantes. Em Paris, isso não acontece e por isso o PSG não demonstra ser um plantel, mas simplesmente o somatório das individualidades.

A pouco dos dias do arranque oficial do Paris Saint Germain na temporada 2019/2020, reina novamente a instabilidade no núcleo do clube parisiense.

Até à data deste artigo, o PSG mostrou-se bastante sereno no mercado de transferências, destacando-se apenas a chegada de Pablo Sarabia e Abdo Diallo, provenientes do Sevilha e Borussia Dortmund, respetivamente.

A principal missão foi, portanto, impedir a saída das principais estrelas: Neymar e Mbappé.

O jovem prodígio francês terá recusado inicialmente renovar contrato com o clube, demonstrando assim a sua intenção de rumar ao Manchester City e o PSG para impedir este desfecho propôs um salário de 950 mil euros por semana, segundo um jornal britânico.

Fonte: PSG

Confirmando-se ou não estes números avassaladores o que é certo é que Mbappé deverá mesmo continuar em Paris. Tão certo quanto o francês não está o futuro de Neymar, que está a desenrolar uma autêntica novela brasileira. O principal interessado em Neymar é o FC Barcelona, mas o PSG mantém-se firme e não coloca o brasileiro oficialmente como transferível neste mercado de Verão.

Contudo, esta novela ganha contornos de drama uma vez que mesmo após recuperar de lesão, Neymar continua sem vestir a camisola do Paris Saint-Germain, uma vez que o clube decidiu deixá-lo em Shenzhen antes de disputar o particular.

Um ator secundário desta novela é Daniel Alves que agora sem clube manifestou-se publicamente dizendo que gostaria de voltar a Camp Nou e que queria levar Neymar consigo, fazendo aumentar os rumores de uma possível contratação por parte dos catalães.

O PSG apesar dos milhões não teme evitado este desgoverno constante e a falta de estabilidade inviabiliza a criação de uma equipa forte e coesa capaz de ter sucesso em todas as competições.

Nasser Al-Khelaïfi não é propriamente um homem do futebol mas é urgente que mude a sua estratégia para o Paris Saint Germain, assegurando um grupo de trabalho equilibrado, motivado e empenhado em conquistar títulos.

Foto de Capa: UEFA

 

Gonçalo Miguel Santos
Gonçalo Miguel Santoshttp://www.bolanarede.pt
Ainda era caracterizado com um diminutivo e sentado ao lado do seu pai, já vibrava com o futebol, entusiasmado e de olhos colados na televisão à espera dos golos. O menino cresceu e com o tamanho veio o gosto pela escrita e o seu sentido crítico.                                                                                                                                                 O Gonçalo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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