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Moreirense FC 3-0 Gil Vicente FC: Entrar a matar e gerir para golear

Ricardo Lopes Almeida · 7 min

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Vitória justa mas exagerada do Moreirense FC, que soube explorar as deficiências gilistas no momento defensivo. Depois da vitória frente ao FC Porto, os galos não foram capazes de dar sequência às duas vitórias consecutivas neste regresso à competição profissional. Luther Singh fechou a goleada com um grande golo. Equipas seguem empatadas na classificação com três pontos.

Determinado a colocar um ponto final no ciclo de duas derrotas consecutivas (Vitória FC para a Taça da Liga e SC Braga para o campeonato), o Moreirense FC desde cedo soube ser inteligente e eficaz quanto baste para começar a fazer danos no setor mais recuado dos gilistas que, ao contrário do que fizera contra o FC Porto, apareceu em Moreira de Cónegos desconcentrado, desalinhado e sem a organização que evidenciara há uma semana.

O lado esquerdo dos galos, sempre mal preenchido. no momento defensivo. por Arthur, oferecia muitos espaços que Bilel e João Aurélio foram explorando, acabando por causar inúmeros calafrios a um desamparado Denis, que via também os seus centrais a falhar muitas vezes na leitura dos lances, permitindo que os passes a rasgar dos médios interiores cónegos deixassem os avançados cara a cara com o guardião gilista. Foi num desses momentos, aliás, que o Moreirense conseguiu chegar a uma vantagem de dois golos logo aos 20 minutos.

Ainda assim, a história do resultado começa a ser contada ao sétimo minuto, após um livre da direita batido de forma larga por Pedro Nuno e que encontrou correspondência ao segundo poste, onde Fábio Abreu se libertou da frágil marcação de Arthur Henrique para abrir o marcador. A desorientação era tal que as coisas não funcionavam e as constantes perdas de bola por parte de João Afonso e Soares, bem como o apagão de Kraev – o maestro gilista -, propiciavam a que os lances de perigo dos da casa se fossem acumulando, até que num dos muitos momentos em que o passe surgiu a explorar o muito espaço concedido entre o lateral esquerdo e o central do mesmo lado, deixou Bilel na cara de Denis com toda a facilidade para fazer o 2-0.

Vítor Oliveira, incrédulo com as facilidades concedidas, só conseguia abanar a cabeça e esperar que um lance fortuito pudesse oferecer um golo á equipa antes do intervalo, por forma a elevar os níveis anímicos e minimizar o desastre em que se tornou a primeira meia hora gilista. De facto, só nos últimos instantes Pasinato acabou por ser posto à prova, sempre com a qualidade de Lourency a vir ao de cima e a colocar em sentido as aventuras de João Aurélio pelo corredor direito.

No segundo tempo, as coisas não se alteraram significativamente, pelo menos no que à toada do jogo diz respeito, porque em relação à disposição das peças em campo, sobretudo do lado do Gil Vicente FC, houve bastantes diferenças. Vítor Oliveira optou por deixar no balneário os dois laterais que tão mal haviam estado e lançou um outro (Edwin), bem como mais um avançado (Naidji), para fazer parelha na frente com Sandro Lima. O 4-3-3 inicial dava lugar a um 3-4-3 (muitas vezes alternado com um 3-5-2), mas nem por isso se viram melhorias por parte do Gil Vicente FC, sempre muito incompetente na arte de dar o melhor seguimento às aproximações da área cónega.

Com um futebol mais expectante e à procura do momento exato para aplicar a machadada final, o Moreirense FC acabou por conseguir os seus intentos, já à entrada para o último quarto de hora, fruto de uma obra de arte do recém entrado Luther Singh. Um valente pontapé em zona frontal, a uns bons 25 metros da baliza, com a bola a embater na trave e a parar apenas no fundo da baliza de Denis. A diferença entre as duas equipas não fica espelhada no desnível do resultado, mas castiga sobremaneira a desorganização gilista na primeira parte e o acerto cónego no mesmo período. Lourency, a melhor unidade gilista, merecia ser feliz quando viu a bola esbarrar na trave, depois de um livre cobrado de forma exímia.

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Moreirense FC – Pasinato, João Aurélio, Iago, Steven Vitória, Djavan, Fábio Pacheco, Filipe Soares (Luther Singh, 67’), Alex Soares, Bilel, Pedro Nuno (Luiz Henrique, 83’) e Fábio Abreu (Nené, 85’).

Gil Vicente FC – Denis, Kellyton (Naidji, 46’), Rodrigo, Rúben Fernandes, Rodrigo, Arthur (Edwin, 46’), Soares, João Afonso, Kraev (Samuel Lino, 76’), Erick, Lourency e Sandro Lima.

A FIGURA

Fonte: Transfermarket

Luther Singh (Moreirense FC) – Fábio Pacheco fez mexer todo o jogo dos da casa, Pedro Nuno é o acrescento de qualidade nas zonas de finalização, Bilel oferece criatividade na frente e Fábio Abreu não precisa de muitas oportunidades para fazer golo. Ainda assim, Luther Singh acaba sendo o eleito para esta nomeação pelo simples facto de, menos de três minutos depois de ter entrado em campo, fechar a contagem com um grande golo, numa altura em que o Gil procurava relançar a partida. O avançado sul africano emprestado pelo SC Braga é um tormento para as defesas, especialmente aquelas que não fazem da velocidade uma das suas armas. Primeira vez que tocou na bola e fez levantar o estádio com um golo de muito belo efeito.

Do lado do Gil Vicente FC, Lourency continua a ser uma bela surpresa, cotando-se uma vez mais como o melhor dos galos. Muita velocidade, virtuosismo e qualidade técnica. O golo esteve perto, mas o livre em cima dos 90 embateu com estrondo na barra.

O FORA DE JOGO

Fonte: Passe a rasgar

Kraev (Gil Vicente FC) – Esperava-se que fosse, como nos últimos jogos o dínamo da equipa, mas acabou engolido pela estratégia cónega, que secou por completo os seus movimentos. Nas poucas vezes em que conseguiu espaço para alvejar a baliza atirou fraco e sem direção. Precisa de melhorar a sua intensidade, porque a qualidade que já mostrou indicam que pode dar muito mais.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Vítor Campelos (Moreirense FC)

– Entramos fortes, porque tínhamo-nos preparado para isso. Queríamos fazer da nossa casa a nossa fortaleza e dedicarmos esta vitória aos nossos adeptos e jogadores, que têm trabalhado bastante bem para chegar aos jogos e transpor o que fazemos nos treinos. Fizemos dois golos e até poderíamos ter ampliado o marcador na primeira parte, contra uma equipa bem organizada, que tinha ganho ao FC Porto. Na segunda parte íamos ter uma reação do Gil e sabíamos que tínhamos de ter mais bola e explorar as transições, onde conseguimos o terceiro golo.

– Meio campo? O Filipe e o Alex Soares são dois jogadores com grande potencial, como outros que temos no plantel. Foram-se adaptando ao clube e aos colegas. Na nossa equipa todos são titulares e têm de trabalhar muito para garantirem o seu espaço. O trio de meio campo hoje foi este mas com certeza outros darão uma boa resposta.

– Preocupamo-nos com aquilo que podemos fazer. Claro que analisamos o adversário. Hoje o Gil jogou num bloco mais subido e aproveitamos as costas. Exploramos muito bem algumas situações de transição, mas também vamos ser uma equipa que quando for preciso vamos saber ter bola. Mais do que ter preocupação com o adversário, vamos ter sempre em atenção aquilo que podemos fazer.

Vítor Oliveira (Gil Vicente FC)

Questão BnR: Ao intervalo fez duas mudanças e inclusive alterou o sistema da equipa, passando a jogar com três defesas. O que pretendeu nesse momento?

– Queríamos chegar a um resultado diferente. Quisemos ter maior agressividade ofensiva, metemos homens nos corredores para nos darem profundidade, correndo riscos na defesa. Acabamos por sofrer um grande golo. Não fizemos muita coisa, não tivemos grande objetividade. Este jogo pode servir de aprendizagem para sentirmos o que é jogar nesta Primeira Liga. Um jogo qualquer equipa pode ganhar, mas ganhar consistentemente é que é difícil.

Outras respostas:

– O resultado é justo. O Moreirense foi melhor, fizemos 35 minutos muito fracos, entramos desconcentrados, oferecemos dois golos e depois é difícil reverter. Equilibramos nos últimos dez minutos da primeira parte. Não tivemos grande objetividade. Ao intervalo tentamos mudar. Poderíamos ter sofrido mais, não fomos capazes de marcar para discutir o jogo. O Moreirense, como boa equipa que é, aproveitou os erros e depois geriu com qualidade o jogo. Há que lhes dar os parabéns, vamos ter de refletir. Fomos coesos nos últimos dois jogos e hoje jogamos muito estendidos, com displicência.

– Com jogadores novos ou experientes a parte defensiva é sempre mais fácil de trabalhar. Precisamos de melhorar em todos os aspetos, mas precisamos fundamentalmente que os nossos jogadores se apercebam da forma como as nossas equipas jogam, conheçam os jogadores adversários e se adaptem. Com o FC Porto jogamos com uma equipa muito baixa e hoje, contrariamente, tentamos jogar o jogo pelo jogo e ainda não estamos em condições de o fazer.

Foto de Capa: Moreirense FC

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

 

Ricardo Lopes Almeida

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