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Já apresentámos a armada portuguesa que vai representar o nosso país em Doha e, hoje, falamos dos diversos eventos nos Mundiais de Atletismo. Seja bem-vindo ao Guia Doha 2019 – parte 2!
OS EVENTOS
Masculino
100 METROS
São os primeiros Mundiais sem Usain Bolt e isso por si só já afetaria esta prova, mas há mais… Andre de Grasse (CAN) e Yohan Blake (JAM) são nomes entusiasmantes, mas não parecem com capacidade atual para levar o Ouro, depois das lesões que por tanto tempo os têm atormentado. Para piorar a situação, a grande estrela atual Christian Coleman (USA) ,que já bateu o recorde mundial de 60 metros, esteve envolvido num caso relacionado com o sistema antidopagem e apenas escapou a uma sanção na secretaria.
Ainda assim, é o claro favorito, mas para tal terá que bater o campeão mundial, e nada menos polémico, Justin Gatlin (USA), o campeão europeu Zharnel Hughes (GBR) e fortes atletas como o sul-africano Akani Simbine (campeão da Commonwealth) ou o nigeriano Divine Oduduru (o segundo mais rápido em 2019, com 9.86s, mas que deverá pagar a fatura da longa temporada universitária norte-americana). Da Ásia, Sani Brown (JPN) e Zhenye Xie (CHI) podem vir a surpreender.
200 METROS
Em 2017, já sem Bolt (apenas fez os 100), a prova foi surpreendentemente vencida por Ramil Guliyev (TUR). O turco por Doha também estará presente, mas será difícil contrariar o absoluto favoritismo de Noah Lyles (USA), que tem sido rei e senhor da prova durante os últimos dois anos. O seu recorde pessoal de 19.50s já o coloca como o quarto mais rápido da história e vai a Doha à procura de melhorar essa marca. Jereem Richards, (TTO) que recebeu o bronze há dois anos, estará também presente. No entanto, quem poderá também entrar no pódio um dos atletas que dobrará distâncias, fazendo 100 e 200m. Entre eles constam nomes como Christian Coleman (USA), Andre de Grasse (CAN), Yohan Blake (JAM) ou Divine Oduduru (NIG).
400 METROS
Tal como já se previa, o recordista mundial, também campeão mundial e olímpico, Wayde van Niekerk (RSA), não estará presente e todas as atenções estarão centradas no duelo entre Michael Norman (USA) e Fred Kerley (USA), que deverão garantir que o evento volte para mãos americanas. Norman já correu em incríveis 43.45s este ano, marca que o colocou como quarto melhor de sempre e tem levado várias vezes a melhor sobre Kerley, incluindo na final da Diamond League deste ano. No entanto, Kerley surpreendeu nos Nacionais norte-americanos ao vencer em 43.64s, um novo recorde pessoal, subindo a sétimo mundial.
São estes os grandes favoritos, mas retirar Steven Gardiner, das Bahamas, ( que regressou de lesão em 44.14s, correndo em 43.87s como recorde pessoal) ou Akeem Bloomfield (jamaicano que no ano passado correu em 43.94s) da equação pode ser arriscado.
Atenção ao regresso do grande Kirani James (GRN), que com uma aparição surpresa no meeting de Andújar garantiu o apuramento, bem como a curiosidade de vermos duas das maiores estrelas dos 400m barreiras inscritas: Karsten Warholm (NOR) e Abderrahman Samba (QAT).
800 METROS
Mais uma vez sem Rudisha (será que algum dia volta?), a prova tem, no entanto, subido de nível no geral, com vários atletas a aproximarem-se do recorde do astro queniano. Um deles é Nijel Amos (BOT) que irá procurar voltar a entrar na casa do 1:41 para levar o Ouro. O Quénia também estará, claro, muito bem representado, com Ferguson Rotich Cheruiyot e Emmanuel Korir (ainda que não tenha, até agora, dado seguimento a um extraordinário 2018) a terem honras de favoritos também.
O campeão Pierre-Ambroise Bosse (FRA) estará presente, mas não parece que desta vez consiga surpreender. Da Europa, entre os maiores nomes, constam ainda Amel Tuka (BIH) ou Adam Kszczot (POL), mas um dos prediletos chega dos EUA: Donavan Brazier já correu este ano em 1:42.70 e foi com esse tempo que venceu a Diamond League, com uma ponta final demolidora. Conseguirão os norte-americanos obter um Ouro num evento em que nunca o conseguiram em Mundiais?
1.500 METROS
Elijah Manangoi (KEN) não recuperou da lesão, mas já poucos eram os que consideravam o campeão mundial como o mais favorito ao Ouro em Doha. Essa honra (ou responsabilidade) pertence a Timothy Cheruiyot (KEN) que tem protagonizado duas excelentes temporadas, praticamente imbatível no circuito. Foi o único abaixo dos 3.30s este ano e subiu a sétimo mais rápido de sempre.
Os outros lugares do pódio estarão em aberto (quem sabe, com uma ameaça ao Ouro), para alguns favoritos entre os africanos, como Ronald Musagala (UGA), Samuel Tefera (ETH) ou Abdelaati Iguider (MOR), todos à procura de melhorar os seus recordes pessoais.
Entre os europeus, Marcin Lewandowski (POL) pode sempre surpreender e atenção, claro, aos irmãos Ingebrigtsen. Filip foi o terceiro em Londres e continua em excelente forma (no ano passado bateu o recorde nacional) e Jakob, a grande promessa europeia, é o segundo mais rápido em 2019, logo, é favorito a um lugar do pódio. Apesar dos seus 19 anos, feitos há poucos dias, o jovem já provou que se bate com qualquer um em pista.
5.000 METROS
É um evento que a IAAF eliminará de futuras Diamond League, sendo isto de certa forma inexplicável, tanto pela qualidade dos atletas, como pelas marcas e grandes provas que temos assistido, principalmente nesta liga. Três etíopes estão entre os favoritos e são os mais rápidos do ano. Telahun Bekele é o mais rápido do ano (na louca corrida de Roma, em 12:52.98), Selemon Barega é o segundo mais rápido deste ano e subiu no ano passado a quarto mais rápido de sempre (12:43.02) e Hagos Gebrhiwet já alcançou medalhas em Mundiais e Olímpicos (faltando-lhe o Ouro).
E, por falar em Ouro, não vamos esquecer o quarto etíope. Muktar Edris pouco tem competido (este ano nada a registar, a não ser um 18º lugar em Lausanne), mas é o campeão mundial, depois de derrotar Mo Farah em Londres. Entre outros grandes candidatos constam nomes como Paul Chelimo (USA), Nicholas Kimeli (KEN) ou Birhanu Balew (BRN).
10.000 METROS
Outro evento carregado de estrelas, que está praticamente limitado a grandes campeonatos. A Etiópia apresenta também aqui uma equipa muito forte, com nomes como Yomif Kejelcha ou Hagos Gebrhiwet, sendo possivelmente a nação a terminar no topo do pódio. Mas muita atenção ao Quénia, com uma equipa encabeçada por Rhonex Kipruto (KEN), bem como ao perigo que vem do Uganda, com Joshua Cheptegei (UGA). Fora do espaço africano o maior nome a considerar será o de Julian Wanders (SUI).
MARATONA
Prever Maratonas de grandes campeonatos é praticamente impossível. Tudo se torna ainda mais complicado se estivermos a falar de Maratonas com condições climatéricas muito específicas, como é esta de Doha, assim como será em Tóquio no próximo ano. Ainda assim, os três etíopes selecionados (Mosinet Geremew, Mule Wasihun e Shura Kitata) têm todos eles nome no circuito e são os únicos inscritos que já correram abaixo das 2:05.
O Quénia aposta na rapidez de Amos Kipruto (KEN) e na experiência de Laban Korir (KEN), mas atenção a Tadesse Abraham, que representa a Suiça e a Zersenay Tadese (ERI), que foi durante oito anos o recordista mundial da Meia-Maratona e foi o quinto em Berlim no ano passado. Os tempos serão o menos importante naquilo que será uma verdadeira batalha contra o calor e humidade (e de madrugada!) e surpresas nunca serão de descartar.
3.000 METROS OBSTÁCULOS
Pode parecer estranho, mas Conseslus Kipruto (KEN) estará presente e não será, à partida, o favorito. O queniano passou por uma prolongada paragem por lesão e no seu regresso não pareceu com andamento para lutar pelo Ouro. Mas com Kipruto nunca se sabe… E quem sabe isso muito bem é o grande favorito, Soufiane El Bakkali (MOR), que continua na sua busca por um Ouro e por uma conquista de uma grande competição. Por incrível que pareça, El Bakkali ainda tem apenas 23 anos, mas já conta com marcantes derrotas no circuito quando era o favorito (até para Kipruto descalço!) e isso poderá ter o seu peso na hora da verdade em Doha.
Entre os que podem surpreender, constam nomes como Benjamin Kigen (KEN), que este ano venceu três meetings da Diamond League ou Getnet Wale (ETH), que surpreendentemente venceu na final da mesma competição. Muita atenção também ao espanhol Fernando Carro (ESP), que não para de surpreender, sempre lutando com os africanos, já com um recorde nacional de 9:05.69, a quarta melhor marca no mundo este ano!
110 METROS BARREIRAS
Prova muito, muito em aberto. Omar McLeod (JAM) é o campeão mundial e olímpico, mas passou por um 2018 “preguiçoso” e foi tarde que decidiu acordar em 2019. Irá a tempo de renovar o Ouro? Não participou na final da Diamond League, mas correu no ISTAF de Berlim em 13.07s, dando excelentes indícios do que se aproxima.
Para vencer, desta vez, terá de enfrentar novas figuras… E que figuras! Os dois norte-americanos que dominaram a temporada universitária, Grant Holloway e Daniel Roberts, são os dois primeiros na lista das melhores marcas mundiais do ano. Holloway baixou mesmo dos 13 segundos (12.98), mas perdeu o gás até à final dos Universitários para Daniel Roberts (melhor pessoal de 13.00 este ano). Roberts tem mostrado mais consistência e exposição internacional, mas tudo dependerá de como estará a ser trabalhado um eventual segundo pique de forma.
Falando em consistência, é difícil não mencionar Orlando Ortega (ESP). O espanhol (que nasceu em Cuba) tem conseguido vencer e ser rápido (é o terceiro do ano, com 13.05s), tendo vencido a final da Diamond League. Não devemos também excluir Sergey Shubenkov (RUS). O russo foi uma das figuras da temporada 2018 (com 4 provas abaixo dos 13 segundos!), mas lesões (uma delas provocada por… Omar McLeod!) têm afetado a temporada 2019. Se chegar a níveis próximos do ano transato, será, obviamente, favorito.
400 METROS BARREIRAS
Para muitos este será o evento dos Campeonatos. Não temos dúvidas de que a qualidade será muita e que poderemos ver, pela primeira vez na história, três atletas abaixo dos 47 segundos numa prova. Isto se Abderrahman Samba (QAT) se apresentar em Doha nas melhores condições, depois de ter sofrido lesões na segunda metade da temporada.
Esse facto faz com que Karsten Warholm (NOR) e Rai Benjamin (USA) partam com um ligeiro favoritismo para Doha, sendo que os dois já fizeram história este ano ao estarem na primeira prova, em que ambos baixaram dos 47 segundos (pode também dizer-se que Benjamin foi o segundo classificado mais rápido de sempre). Warholm saiu por cima na final da Diamond League em Zurique, com uma marca de 46.92 (o segundo tempo mais rápido de sempre) e tem também a experiência de já ter importantes títulos no bolso, incluindo o título mundial desta disciplina em Londres. Rai Benjamin em Zurique correu em 46.98s, marca que também é o melhor pessoal de Abderrahman Samba.
Três dos quatro atletas mais rápidos de sempre, três dos únicos quatro que baixaram dos 47 segundos estarão em Doha e isso só poderá significar que teremos um grande espectáculo. O recorde de Kevin Young (46.78s) pode ainda parecer distante, mas não é bem assim. A segunda melhor marca da carreira de Young foi 47.18s, pelo que, olhando para as marcas que o trio que estará em Doha já fez, os 46.7s são perfeitamente realistas. O atual recorde mundial dura desde os Olímpicos de Barcelona, em 1992.
SALTO EM ALTURA
Estes pareciam ser os campeonatos ideais para Mutaz Essa Barshim tentar o recorde mundial e ser campeão mundial em casa. Infelizmente, a estrela do Qatar lesionou-se a meio da temporada passada e só regressou à competição em Julho deste ano, não apresentando ainda os níveis habituais. Ainda assim, pode até lutar pelo Ouro, pois o nível da Altura tem sido relativamente baixo, sem termos um atleta a destacar-se. O ranking é liderado por Maksim Nedasekau (BLR), que saltou 2.35m já neste mês.
Depois há 20 atletas cujos melhores resultados este ano estiveram entre 2.30 e 2.33 metros, o que demonstra bem o quão nivelada (infelizmente alguns centímetros abaixo do que gostaríamos) está a Altura. Ilya Ivanyuk (RUS), Andriy Protsenko (UKR), Majd Ghazal (SYR), Bohdan Bondarenko (UKR), Brandon Starc (AUS) ou Yu Wang (CHI) são nomes a considerar, mas apostar num vencedor é praticamente uma aposta cega.
SALTO COM VARA
Aqui espera-se uma excelente competição com a participação dos grandes nomes do momento. Cinco dos integrantes da casa dos 6 metros estarão em Doha e entre eles dividem o favoritismo. Sam Kendricks (USA) é o atual campeão mundial e é também o líder mundial desta temporada com um novo recorde pessoal de 6.06 metros. Para voltar a vencer tem que bater, por exemplo, Renaud Lavillenie que nunca saltou tão alto ao ar livre (6.05 como melhor), mas que detém o recorde mundial da Vara, pois em Pista Coberta já saltou a 6.16 metros! Lesões têm afetado um pouco a sua temporada e vê-lo com o Ouro seria uma surpresa.
Tal como seria se víssemos Thiago Braz da Silva (BRA) com essa medalha. É campeão olímpico, mas desde aí tinha estado praticamente desaparecido até saltar 5.92 metros no Mónaco este ano. A nossa aposta é que o Ouro cairá para Kendricks, Lisek ou Duplantis. Piotr Lisek (POL) foi durante muito tempo o líder da temporada (6.02 metros como novo recorde pessoal), mas parece em queda e não tem mais demonstrado essa forma desde o meeting do Mónaco. Já o jovem Armand Duplantis (SWE) tem feito uma época regular e já provou que adora grandes palcos, como quando nos Europeus de Berlim saltou incríveis 6.05 metros. Será muito bom.
SALTO EM COMPRIMENTO
Parecia que poderia ser um dos eventos do ano, mas, verdade seja dita, não tem estado ao nível das expectativas. Claro que todos esqueceremos isso se Juan Miguel Echevarría (CUB) e Luvo Manyonga (RSA) forem a Doha brilhar. Echevarría já deu um ar da sua graça na final da Diamond League de Zurique quando saltou 8.65 metros, mais 25 centímetros do que qualquer outro atleta dos presentes saltou este ano! Manyonga tem feito uma época abaixo do esperado, ainda tendo como melhor “apenas” 8.37 metros.
O Comprimento é uma das disciplinas mais complexas para repetir picos de forma e percebe-se que a aposta esteja toda nestes Mundiais. Entre outros candidatos a medalhas temos o campeão olímpico Jeff Henderson (USA), o campeão europeu Miltiadis Tentoglou (GRE), Tajay Gayle (JAM) ou Shoutarou Shiroyama (JAP), que progrediu 39 centímetros este ano (já vai em 8.40m)!
TRIPLO SALTO
Uma prova de interesse nacional, com esperanças legítimas de medalhas. Já aqui falámos de Évora e Pichardo e ambos sonham com um lugar no pódio. Pichardo tem marcas recentes que o podem colocar nesse patamar (e até no do Ouro), Évora não as tem este ano ao ar livre, mas brilha sempre mais em grandes competições, mesmo quando poucos esperam.
Lá fora, os grandes favoritos são os dois norte-americanos que têm dominado o circuito nos últimos anos: o super campeão (duas vezes olímpico, três vezes mundial) Christian Taylor (USA) e o campeão mundial em pista coberta e líder mundial em 2019, Will Claye (USA). Claye é o único homem este ano a passar dos 18 metros, com um impressionante novo recorde pessoal de 18.14m, em Long Beach. Mas depois perdeu para Taylor a final da Liga Diamante.
Em Doha poderá ser ainda mais interessante, pois poderemos ter três atletas acima dos 18 metros, algo histórico. Entre outros candidatos a lugares de medalha, teremos Omar Craddock (USA), Hugues Fabrice Zango (BUR), Almir dos Santos (BRA) e uma forte armada de jovens cubanos: Jordan Diaz, Andy Diaz e Cristian Nápoles.
LANÇAMENTO DO PESO
Nível fantástico do Peso em 2019, sendo que em Doha teremos, nada mais nada menos, que oito (!) atletas que passaram dos 22 metros este ano. Entre os grandes favoritos às medalhas, temos Tomas Walsh (NZL), campeão mundial ao ar livre e em pista coberta, Ryan Crouser (USA), campeão olímpico, Darlan Romani (BRA), o número dois do ano, Darrell Hill (USA), Joe Kovacs (USA) e uma cada vez mais surpreendente dupla polaca que não para de crescer: Michal Haratik (o campeão europeu) e Konrad Bukowiecki, Prata em Berlim. Pouco mais há a dizer a não ser admirar um dos concursos mais esperados em muitos anos.
LANÇAMENTO DO DISCO
Daniel Stahl (SWE) tem dominado de forma sistemática os rankings desde 2016, mas tem sempre ficado aquém nos grandes campeonatos, não conseguindo o Ouro nos Olímpicos, nos Mundiais ou nos Europeus dos últimos anos. Será desta? É o único acima dos 71 metros este ano, mas terá que enfrentar não só os seus fantasmas como alguns adversários de peso. Aquele que mais luta lhe tem dado é Fedrick Dacres (JAM), que já vai em 70.78 e, à partida, estes são os dois grandes favoritos ao Ouro.
Não será inteligente, ainda assim, retirar da equação Andrius Gudzius (LTU), que se sagrou campeão e bateu Stahl tanto nos Mundiais quanto nos Europeus. Lukas Weisshaidinger (AUT) procurará entrar no pódio, mas ainda andarão por lá grandes nomes que brilharam no passado, como Piot Malachowski (POL) ou Ehsan Hadadi (IRI)
LANÇAMENTO DO MARTELO
Com a ausência nos maiores meetings (não faz parte do circuito DL), o Martelo passa praticamente despercebido do grande público e de forma totalmente injusta. Este ano dois homens já passaram dos 80 metros e deverão ser mesmo os polacos os grandes favoritos. Wojciech Nowicki (POL) é o líder do ano e sagrou-se campeão europeu no ano passado em Berlim, mas Pawel Fajdek (POL) é o triplo campeão mundial e não cairá sem luta. Sendo natural que estes dois assumam os lugares mais acima no pódio, irá existir uma interessante batalha também mais abaixo, com atletas de vários países a poder entrar na luta pelo Bronze. Javier Cienfuegos (ESP), Denis Lukyanov (RUS) ou Nick Miller (GBR) estão entre os principais favoritos a esse lugar.
LANÇAMENTO DO DARDO
Para se perceber como o Atletismo muda em tão curto espaço de tempo, basta verificarmos o que se tem passado no Dardo. No início do ano passado até se falava em recorde mundial e que seria certamente batido por um alemão.
Curiosamente eram Vetter e Rohler os mais badalados, mas depois Hofmann assumiu protagonismo e venceu até a Diamond League, enquanto Rohler venceu os Europeus. Johannes Vetter (GER), o campeão mundial, que passou por vários problemas físicos, até parecia longe de ser um real candidato ao Ouro de Doha, mas sem que ninguém contasse, lançou uma pedrada a 90.03 metros em Minsk. Andreas Hofmann (GER) parecia até então o melhor dos alemães este ano (89.65), enquanto que Thomas Rohler (GER) parece longe do que será preciso para entrar nas medalhas (ainda não chegou sequer aos 87 metros este ano).
Curiosamente, o líder mundial não é alemão, é Magnus Kirt (EST) que este ano chegou já aos 90.61 metros e entre os outros candidatos a medalhas constam nomes como o de Chao-Tsun Cheng (TPE) ou outro ex-campeão, Julius Yego (KEN), homens que já passaram na sua carreira dos 90 metros e que estão em boa forma.
DECATLO
Kevin Mayer (FRA), o recordista mundial desde o ano passado, optou por uma preparação diferente para estes campeonatos. Tem feito provas aqui e ali, algumas competições de Decatlo, mas não fez qualquer Decatlo completo. A nível individual tem estado muito bem e até bateu recordes pessoais no Peso e nas Barreiras, mas a exigência de um Decatlo completo é diferente. Ainda assim, Mayer saberá melhor do que ninguém o que está a fazer e tem elevadas ambições para Doha, onde procura renovar o título.
Muitas ausências de última hora têm marcado as Combinadas (tanto no masculino, quanto no feminino), mas existem, ainda assim, nomes de peso que procurarão aproveitar um deslize (como aconteceu nos Europeus) de Mayer. Entre eles estarão Damian Warner (CAN), Niklas Kaul (GER), Kai Kazmirek (GER) ou Maicel Uibo (EST).
20 KM MARCHA
É uma das disciplinas mais em aberto em Doha. Por norma, já são campeonatos especiais para a Marcha (as provas serão de noite/madrugada para evitar as horas de maior calor), e, a isso acresce o facto de muitos atletas terem marcas este ano bastante similares, com nove atletas abaixo da 1:19 (e o décimo e o 11.º são dois atletas da escola chinesa que não são de descartar).
Quem lidera o ranking é Toshikazu Yamanishi (JAP), que este ano subiu a quarto mais rápido de sempre, mas terá forte oposição interna, uma vez que os japoneses têm três dos quatro homens mais rápidos entre os inscritos (os outros são Koki Ikeda e Eiki Takahashi). Entre os europeus, estará, por exemplo, o campeão europeu Álvaro Martin (ESP), embora quem tenha sido mais rápido este ano tenha sido Massimo Stano (ITA), que ficou a um lugar do pódio em Berlim e que este ano já bateu o recorde nacional italiano. Destaque ainda para a presença de Caio Bonfim (BRA), também com aspirações aos lugares de topo, depois de ter sido Bronze em Londres.
50 KM MARCHA
Olhando para as dez melhores marcas do ano, vemos chineses e japoneses a dividirem quase todos lugares, excepto dois e um deles é o da melhor marca do ano que pertence a Yohann Diniz (FRA), com a vitória na European Cup. É o atual campeão mundial, recordista mundial e pode-se dizer que é o favorito. Mas isto é Marcha. E 50 km. E em Doha. De madrugada. Com muita Humidade. E com 30 graus. Tudo pode, de facto, acontecer. Na equipa chinesa, todos – Qin Wang, Wenbin Niu e Yadong Luo – já fecharam este ano a 3:41 ou mais rápido. O Japão traz também nomes fortes, como o de Yusuke Suzuki, que é o recordista mundial… Dos 20 km.
4×100 METROS
Em Londres, uma das grandes surpresas foi a vitória da seleção britânica na última prova da carreira de Usain Bolt. Bolt não terminou a prova, lesionado, mas os grandes favoritos, os norte-americanos nem assim conseguiram o Ouro. O Ouro foge aos norte-americanos desde Osaka 2007, sendo já cinco edições consecutivas sem o conquistar. Em Doha são, mais uma vez, favoritos, tendo de longe os melhores valores a nível individual, mas as estafetas são estafetas.
A Grã-Bretanha irá apresentar-se ainda mais forte do que em 2017 ( junta o campeão europeu Zharnel Hughes) e o Japão e a China são duas novas potências a ter em conta nas estafetas. Relembremos ainda que o Brasil venceu no Mundial de Estafetas deste ano e trará um quarteto muito similar, tendo os automatismos ajustados à perfeição.
Resta falar da Jamaica. Não é a seleção mais forte a nível individual, parecendo passar mesmo por uma crise de valores na velocidade de 100/200 masculina, mas tem obviamente atletas que podem conquistar uma medalha ou até surpreender e lutar pelo Ouro.
4×400 METROS
Se leram a nossa antevisão aos 400, perceberam que os dois grandes favoritos são norte-americanos. Por isso, e não só, os EUA são os claros favoritos. Afinal, este é o seu evento. Nas últimas sete edições, venceram seis. Curiosamente perderam na última, para Trinidad & Tobago em Londres. A seleção deste ano parece bem mais forte que a de há dois anos, mas, ainda assim, não podem descuidar-se. Trinidad & Tobago continua forte, a Jamaica parece bem mais forte e pode ser uma grande ameaça e não podemos descartar o poder da Bélgica e da Grã-Bretanha neste evento.
Feminino
100 METROS
Há três grandes favoritas e por isso pode ser tentador dizer que os lugares do pódio serão todos ocupados por elas, mas sabemos que o Atletismo não funciona assim. Elaine Thompson (JAM) e Shelly-Ann Fraser-Pryce (JAM) são as líderes do ano (10.73 nos Nacionais Jamaicanos) e deverão ter um pequeno grau de favoritismo em relação a Dina Asher-Smith (GBR), que mesmo assim venceu a final da Diamond League, derrotando Fraser-Pryce. Ainda não se sabe se Asher-Smith terá o que é preciso para correr em 10.7, caso isso seja necessário para vencer, mas desde os Europeus de Berlim que sabemos que ela não tem medo de grandes palcos e que vai à procura de melhorar os seus recordes pessoais nos 100 e nos 200.
Marie-Josée Ta Lou (CIV) que alcançou duas Pratas em Londres é também uma forte candidata às medalhas, existindo muita curiosidade para perceber o que a atual campeã mundial, muito afetada por lesões, Tori Bowie (USA) poderá trazer para Doha. Há ainda dúvidas se a jovem promessa, Briana Williams (JAM), poderá competir por estar envolvida num caso de doping (alegadamente acidental).
200 METROS
A prova fica, de certa forma, marcada pela ausência de Shaunae Miller-Uibo (BAH), a grande dominadora da distância que se viu obrigada a escolher apenas os 400 por conflitos de calendário. Será preciso uma grande marca para esquecer essa ausência e essa pode bem vir de Dina Asher-Smith (GBR), que no ano passado já correu em 21.89s. As jamaicanas terão também uma palavra a dizer. Elaine Thompson (JAM) é geralmente mais forte do que Fraser-Pryce (JAM) nesta prova, mas parece longe dos tempos em que correu em 21.66s. Ta Lou (CIV) volta a ser candidata às medalhas e a campeã mundial, Dafne Schippers (HOL), pondera apenas fazer esta distância em Doha, assumindo uma aposta total na sua melhor prova.
400 METROS
Será um grande duelo entre Shaunae Miller-Uibo (BAH) e Salwa Eid Naser (BHR). Miller-Uibo, apesar de tudo, tem o favoritismo, ao ter já baixado dos 49 segundos, mas atenção que Naser aproximou-se muito dessa marca no ano passado no Mónaco (49.08s). Será que iremos ter duas atletas a baixar dos 49 segundos na mesma prova? Seria fantástico. As duas não se têm enfrentado muito (no circuito da Diamond League, Miller-Uibo tem dado preferência aos 200 metros), tendo apenas se encontrado uma vez nos últimos dois anos (na épica prova do Mónaco), pelo que as expectativas são enormes. Como candidatas ao Bronze, teremos vários norte-americanas, entre elas a campeã mundial, Phyllis Francis, e jamaicanas com o destaque a ir para Shericka Jackson).
800 METROS
Este é agora um novo evento, com a nova regulamentação para atletas com elevados níveis de testosterona. Caster Semenya, Francine Niyonsaba e Margaret Wambui não estarão mais por aqui e o lote de favoritos é agora encabeçado pela norte-americana Ajee Wilson, que foi Bronze em Londres. Entre outras candidatas, temos Natoya Goule (JAM), Lynsey Sharp (GBR), Eunice Sum (KEN) e duas outras norte-americanas, Raevyn Rogers (USA) e Hanna Green (USA). Não se espere também uma prova tão rápida. Wilson é rápida, mas não é Semenya e os 800 metros deverão agora voltar a ser uma prova de estratégias diferentes, ao contrário dos últimos anos, que tem sido basicamente um contra-relógio.
1.500 METROS
Chegou a ser perspetivado como um dos grandes eventos dos campeonatos, mas tem sofrido baixas atrás de baixas e está agora muito em aberto. Faith Kipyegon (KEN) é a campeã mundial, mas fez apenas duas provas este ano (oitava melhor em 2019), pelo que não se sabe em que forma estará em Doha. Laura Muir (GBR) é outra favorita que lida com problemas de lesões e está até em dúvida para os Mundiais. Sifan Hassan (HOL) ainda não decidiu se fará a distância (é opção também nos 5.000 e 10.000) e Genzebe Dibaba (ETH) será uma baixa confirmada por lesão.
No melhor cenário, a única baixa até pode ser apenas Dibaba (que nada fez em Londres, verdade seja dita…), mas há ainda muitas dúvidas entre as favoritas. Na segunda linha, há várias fortes candidatas à espreita. Entre elas, constam nomes como Gudaf Tsegay (ETH), Konstanze Klosterhalfen (GER), Shelby Houlihan (USA) ou Jenny Simpson (USA).
5.000 METROS
É mais um evento que irá depender das escolhas de Hassan (HOL), que se estiver presente irá ser candidata a tudo. Ainda assim, não se espera que seja a favorita perante a presença de Hellen Obiri (KEN), a atual campeã mundial e líder mundial do ano. Não será a única queniana com aspirações ao topo, uma vez que a nação africana também terá outros grandes nomes, como Margaret Kipkemboi (KEN) ou Lilian Rengeruk (KEN), sendo que a rivalidade com a Etiópia promete aquecer, principalmente com a presença de Letesenbet Gidey (ETH). Konstanze Klosterhalfen (GER) chega a Doha com a 3.ª melhor marca do ano entre as presentes e quer também chegar ao pódio.
10.000 METROS
Em 2017, Almaz Ayana (ETH) pouco havia competido (nada nos 10.000 metros) e isso não a impediu de conquistar o Ouro. Desta vez, Ayana chega com ainda menos provas nas pernas, uma vez que em 2019 só tem o registo de uma (!) prova de 3.000 metros, que lhe correu pessimamente. Será que chega? Parece curto se compararmos com outras compatriotas, como a jovem Letesenbet Gidey (ETH) que está sedenta de grandes títulos e que lidera o ranking mundial. Senbere Teferi e Netsanet Gudeta são outras fortes etíopes, sendo que as quenianas trazem Obiri e Agnes Tirop para tentar contrariar o favoritismo das rivais. Existem dúvidas quanto a uma eventual presença de Sifan Hassan (HOL), que já correu rápido esta distância, este ano.
MARATONA
Numa prova em que Portugal tem algumas expectativas em relação à participação de Salomé Rocha, as africanas têm largo favoritismo. A Etiópia leva um fantástico trio composto por Ruti Aga, Roza Dereje e Shure Demise, mas o Quénia tem o trunfo chamado Ruth Chepngetich, que é nada mais nada menos que a terceira mulher mais rápida da história. Lonah Salpeter (ISR) que também nasceu no Quénia, deverá entrar também nas discussões de medalha.
3.000 METROS OBSTÁCULOS
Beatrice Chepkoech (KEN) é a recordista mundial e só pode ser a grande favorita ao Ouro em Doha. Foi a única a baixar dos nove minutos este ano, mas não se pode esquecer do susto na final da Diamond League, onde tentou correr para recorde mundial, naquilo que foi um ritmo quase suicida, pagando a fatura, mas conseguindo, apesar de tudo, segurar a vitória e o diamante.
As compatriotas quenianas são sempre as maiores rivais e falamos de ex-campeãs mundiais (Hyvin Kiyeng) e campeãs mundiais júniores (Chespol), todas abaixo dos nove minutos. Emma Coburn (USA) procurará repetir a enorme surpresa de Londres (onde alcançou um incrível Ouro) e terá a companhia de outras fortes atletas norte-americanas, como Courtney Frerichs (USA), a recordista nacional.
100 METROS BARREIRAS
A campeã Sally Pearson (AUS) abandonou a carreira, mas todos os grandes nomes do circuito estarão presentes numa das provas que poderá apresentar melhores resultados em Doha. Kendra Harrison (USA), a recordista mundial, estará lá, mas sabemos como é conhecida por falhar em grandes momentos, sendo difícil colocar as fichas nela. A favorita é, de momento, Danielle Williams (JAM), que parece como nova e pronta para recuperar o título mundial que foi dela em 2015. Já correu em 12.32 nesta temporada e pode até ameaçar o recorde mundial.
Sendo esta uma prova tão aberta e com tanta qualidade, é de referir que várias atletas podem aparecer em qualquer posição do pódio e entre elas constam a campeã olímpica Briana McNeal (USA), a também norte-americana Nia Ali (Prata no Rio), a nigeriana Tobi Amusan, campeã dos Jogos da Commonwealth, ou a jamaicana Janeek Brown, a segunda mais rápida do ano, em 12.40. Desta vez, não deverá haver lugares no pódio para europeias.
400 METROS BARREIRAS
Falando em recordes mundiais, este é outro que pode estar em sério risco. Na verdade, falamos de um recorde novo, com apenas dois meses.
Dalilah Muhammad (USA) correu em 52.20, em Julho, destruindo um recorde que durava há 16 anos. Em Doha poderá melhorar a sua marca ou… Perder a prova e, possivelmente, até o recorde! A sua grande rival será a grande promessa do Atletismo, chamada Sydney McLaughlin (USA), uma jovem de 20 anos que bateu todos os recordes imagináveis nos escalões jovens. Na final da Diamond League bateu Muhammad (já depois do recorde mundial de Muhammad nos Nacionais norte-americanos) e em Doha pode ser o tira-teimas.
Kori Carter (USA), a campeã mundial, estará por lá, embora neste momento não pareça em forma para ficar sequer perto do pódio. Candidatas a esse pódio são Ashley Spencer (USA), Rushell Clayton (JAM) e Zuzana Hejnová (CZE).
SALTO EM ALTURA
Mariya Lasitskene (RUS) é a absoluta favorita e até pode tentar mais um ataque ao recorde mundial, sendo a atual campeã mundial (indoor e outdoor) e europeia (indoor e outdoor). Apesar de tudo, ultimamente tem aparecido longe dos 2.06 metros que saltou há poucos meses e até perdeu no encontro Europa x EUA em Minsk. Nesse dia perdeu para Yuliya Levchenko (UKR) que saltou para um novo recorde pessoal com 2.02 metros. Levchenko, que foi Prata em Londres, terá uma palavra a dizer e outras atletas que poderão entrar na luta pelas medalhas (embora não nos pareça que o Ouro seja realista) são Yaroslava Mahuchikh (UKR), Karyna Demidik (BLR), Vashti Cunningham (USA) ou Mirela Demireva (BUL).
SALTO COM VARA
É um ano atípico em que não tem existido uma grande força dominadora, havendo várias candidatas ao Ouro. A experiência de Katerina Stefanidi (GRE) pode fazer a diferença, uma vez que a grega é a campeã mundial e olímpica, além de ter vencido a Diamond League há poucas semanas. Mas atenção às norte-americanas, especialmente a Sandi Morris (USA), que tem estado lado a lado com Stefanidi em muitas competições e que até venceu os Mundiais Indoor. Além dela, Jennifer Suhr (USA) e Katie Nageotte (USA) procuram também lugares no pódio, mas terão ainda a forte concorrência de Anzhelika Sidorova (RUS) e Alysha Newman (CAN).
SALTO EM COMPRIMENTO
A campeã mundial Brittney Reese (USA) é uma das candidatas, mas não a maior favorita ao Ouro. Isto porque Malaika Mihambo (GER) tem mostrado um nível impressionante em 2019, com seis competições acima dos sete metros (!) e com a liderança mundial num impressionante recorde pessoal de 7.16 metros nos Nacionais alemães.
Ese Brume (NIG) é outra atleta (três com Reese) que passou dos sete metros este ano e que terá no Qatar uma grande oportunidade de medalha, depois do quinto lugar nos Jogos do Rio. Destaque ainda para a presença de Caterine Ibarguen (COL) que competirá no Triplo e no Comprimento e para Tori Bowie (USA), que competirá nos 100 e no Comprimento. Maryna Bekh-Romanchuk (UKR) e Darya Klishina (RUS) são outros nomes que podem entrar na discussão das medalhas.
TRIPLO SALTO
O Triplo feminino tem mostrado um nível fantástico em 2019, com dez mulheres acima de 14.50m e 21 acima dos 14.30m, só falando de competições ao ar livre (casos há como o de Susana Costa que não o fez ao ar livre, mas fez em pista coberta). Uma marca na casa dos 14.4 pode ser necessária para alcançar a final e essa pressão extra pode afetar as favoritas na qualificação.
Ainda assim, poucos podem negar que a campeã mundial Yulimar Rojas (VEN) chega como super-favorita, depois de ter saltado impensáveis 15.41 metros em Andújar já neste mês. A marca coloca a venezuelana como a segunda de sempre, próxima de um recorde mundial que muitos diziam imbatível. A sua grande rival será uma lenda do Triplo, Caterine Ibarguen (COL), que ainda no ano passado venceu o prémio de atleta do ano e que terá em Doha que voltar a saltar acima de 15 metros se quer o Ouro, algo que já não faz desde 2016. Não serão, ainda assim, as únicas candidatas ao Ouro.
Shanieka Ricketts (JAM) surpreendeu todos ao vencer a final da Diamond League com um grande salto (e recorde pessoal) de 14.93m ao último ensaio e por isso sabe o que é vencer Rojas. Entre outras candidatas às medalhas temos Liadagmis Povea (CUB), Keturah Orji (USA), Tori Franklin (USA), Ana Peleteiro (ESP), Kimberly Williams (JAM), Olga Rypakova (KAZ) ou mesmo Patrícia Mamona (POR), que sabe que para aí chegar terá a dura necessidade de melhorar o seu recorde nacional.
LANÇAMENTO DO PESO
Lijiao Gong (CHI) é a campeã mundial e a única mulher a ter ultrapassado os 20 metros em 2019, pelo que tem o favoritismo para o Ouro. Ainda assim, há outras oito atletas acima dos 19 metros este ano, que prometem luta. Daniel Thomas-Dodd (JAM) é mais uma candidata jamaicana às medalhas em eventos de lançamentos (o que começa a ser cada vez mais comum) e as norte-americanas têm um forte trio em Chase Ealey (incrível época, depois de nos dois anteriores anos não ter chegado aos 18 metros), Maggie Ewen (que explodiu no ano passado) e a campeã olímpica, Michelle Carter. Da Europa entre os grandes nomes constam Christina Schwanitz (GER), Aliona Dubitskaya (BLR) ou Anita Márton (HUN).
LANÇAMENTO DO DISCO
Sandra Perkovic (CRO) é uma instituição (dupla campeã olímpica e mundial), mas não chega a estes campeonatos como favorita. Problemas de lesões afetaram o seu início de temporada e, apesar de já ter lançado a 68 metros, existem dúvidas de que poderá bater uma consistente dupla de cubanas que já lançou este ano acima dos 69 metros.
Yaimé Perez (CUB) é a líder mundial e duas vezes consecutivas vencedora da Liga Diamante (em 2018 foi bastante surpreendente) e parte com um ligeiro favoritismo, mas Denia Caballero (CUB) é uma campeã mundial (2015) e medalhada olímpica (Bronze no Rio), pelo que essa experiência pode pesar. Será surpreendente se uma das três não ficar nas medalhas, mas entre as candidatas a essa surpresa estão Valarie Allman (USA), Claudine Vita (GER) ou Nadine Muller (GER).
LANÇAMENTO DO MARTELO
Será estranho não vermos por lá Anita Wlodarczyk (POL), mas a polaca está a recuperar de uma complicada lesão e não competirá este ano. Nesse caso, a Polónia faz-se representar por Malwina Kopron (que foi Prata em Londres) e Joanna Fiodorow (Bronze nos Europeus de Berlim), uma forte dupla, mas que não deverá ser suficiente para bater as norte-americanas que têm as três marcas que lideram o ranking mundial: DeAnna Price, Brooke Andersen e Gwen Berry. Price, atual líder mundial e dupla campeã norte-americana parece ter o maior favoritismo e, caso o faça, será a sua primeira medalha em eventos globais, de um oitavo lugar no Rio. Zhen Wang (CHI) e Hanna Malyshik (BLR) são outras atletas com aspirações às medalhas.
LANÇAMENTO DO DARTO
Apesar de uma Prata e um Bronze, falta um Ouro a Lyu Huiui (CHI) em grandes eventos globais e Doha parece ser a grande oportunidade para a atleta chinesa. Venceu todas as últimas 12 competições em que participou (incluindo a final da Diamond League) e é a líder do ranking mundial (67.98m). A grande Barbora Spotakova (CZE) – dois Ouros em Olímpicos e três em Mundiais, incluindo Londres – está de regresso depois do nascimento do segundo filho, mas parece longe da forma necessária para voltar às medalhas.
Já em relação a Sara Kolak (CRO), campeã olímpica, o caso parece ser diferente, uma vez que a croata já lançou acima dos 66 metros e pode chegar aos Mundiais ainda em melhor forma. Entre outras grandes candidatas às medalhas, podemos encontrar nomes como Kelsey-Lee Barber (AUS), Nikola Ogrodníková (CZE), Tatsiana Khaladovich (BLR) ou Christin Hussong (GER).
HEPTATLO
Há dois nomes que parecem bem distantes de todos os outros em termos de marcas e estes são os de Nafi Thiam (BEL) e Katarina Johnson-Thompson (GBR). A britânica alcançou este ano um novo máximo de carreira e começou o ano a vencer o Pentatlo nos Europeus Indoor de Glasgow. Ainda assim, não nos parece ter ainda o necessário para bater a belga que é a atual campeã europeia, mundial e olímpica. Thiam já alcançou este ano recordes pessoais na Altura e no Comprimento (e no Peso ao ar livre), e vai a Doha à procura de passar Carolina Kluft (SWE) como a melhor europeia e segunda melhor mundial de sempre. Entre as atletas que procurarão uma medalha temos Erica Bougard (USA), Kendell Williams (USA), Carolin Schafer (GER), Xénia Krizsán (HUN) ou Ivona Dadic (AUT).
20 KM MARCHA
As chinesas levam todas as suas armas para o Qatar e isso inclui a campeã olímpica e recordista mundial Liu Hong (CHI), e a campeã mundial Yang Jiayu (CHI). Ainda assim, terão que suar, e muito, para chegar ao Ouro, pois estará presente Glenda Morejón (ECU), que surpreendentemente já bateu todas este ano na Corunha, com uma marca (1:25:29) que é a melhor alguma vez feita por uma atleta júnior. Erica de Sena (BRA), Kumiko Okada (JPN), Antonella Palmisano (ITA) e Maria Perez (ESP) são outros nomes com ambições de medalha.
50 KM MARCHA
Inês Henriques (POR) é a campeã em título e apesar de chegar com a quinta melhor marca este ano entre as presentes, é uma forte candidata a tudo em Doha. Sabendo do seu espírito de sacrifício e da sua experiência, as condições da capital do Qatar não deverão assustar a atleta portuguesa.
Li Maocuo (CHI) é a mais rápida este ano entre as inscritas, tendo já corrido em 4:03:51 e a prova de Alytus deu-nos grandes e surpreendentes marcas para europeias, incluindo os 4:04:50 de Eleonora Giorgi (ITA) e os 4:05:46 de Júlia Takács (ESP), mas os tempos não terão qualquer importância nesta madrugada. Liang Rui (CHI), a ex-recordista mundial, pode ser um dos grandes nomes a ter em conta de que poucos estão a falar (ainda não tem uma grande marca este ano), numa prova que será de uma exigência ainda mais brutal do que o normal.
4×100 METROS
A Alemanha tem a marca líder do ano com excelentes 41.67 e tem tido várias oportunidades de mostrar o seu valor ao mais alto nível, parecendo ter todos os automatismos no ponto. Numa equipa liderada por Tatjana Pinto e Gina Luckenkemper, até poderemos ficar surpreendidos se não saírem com uma medalha, mas a verdade é que a concorrência é de peso.
A maior parece vir da Jamaica, com nomes como Elaine Thompson e Shelly-Ann Fraser-Pryce (as duas líderes mundiais dos 100), onde ainda se pode juntar Briana Williams, caso seja dada luz verde à sua participação nos Mundiais. No entanto, as jamaicanas (e principalmente Thompson) têm mostrado muitas dificuldades nas transições e na optimização dos seus recursos.
Problemas nas passagens de testemunho também têm sido crónicos nos EUA, apesar de em Londres terem recuperado este título. Não é em termos individuais o melhor que já vimos dos EUA, mas num dia bom podem surpreender e até levar a vitória. Como outras fortes possibilidades de medalha temos a China, a Holanda e, principalmente, a Grã-Bretanha, encabeçadas por Dina Asher-Smith e Asha Philip.
4×400 METROS
Os EUA têm aqui todo o favoritismo, com um misto de velocidade e experiência, que dificilmente será destronado. Poderemos até assistir na final a mais um Ouro para a atleta mais medalha da história dos Mundiais, uma vez que Allyson Felix virá “dar uma perninha” nas estafetas. Mas existe grande qualidade entre as norte-americanas inscritas. A Jamaica pode ter algo a dizer, com uma equipa que certamente incluirá Shericka Jackson e Stephenie Ann McPherson e muita atenção a uma Polónia, que dominou por completo nos Europeus do ano passado e nos Mundiais de Estafeta deste ano. O Canadá e a Grã-Bretanha são outras nações que ameaçarão os lugares do pódio.
4×400 METROS MISTOS
É um novo evento em Campeonatos Mundiais e, à partida, isso irá favorecer a nação que tem uma pool maior de atletas de elite, ou seja, os EUA. É muito difícil prever este evento por ser algo novo, numa altura estranha do calendário e não sabemos se será algo a que os atletas/nações darão prioridade. Ainda assim, Polónia, Grã-Bretanha, Canadá e Bahrain parecem ter potencial para sair de Doha com uma medalha extra.
QUANDO, ONDE E COMO VER?

Estes campeonatos têm a particularidade de terem apenas uma sessão diária nas provas de pista (obviamente, mais longa) num teste da organização, uma vez que as sessões matinais despertam, usualmente, pouco interesse, normalmente recheadas de eliminatórias. Os horários de Doha parecem perfeitos para acompanhar a competição em Portugal, uma vez que na capital do Qatar a diferença horária é de duas horas (menos duas em Portugal) e até as provas que decorrem de madrugada, com início à meia-noite, acabam por ser favoráveis ao horário português, começando por volta das 22h.
O calendário completo pode ser encontrado aqui e será constantemente atualizado com as startlists e resultados em tempo real. No website do evento podem também ir acompanhando as últimas notícias e destaques dos campeonatos. Para Portugal, a transmissão televisiva estará a cargo da RTP. Também podes acompanhar tudo aquilo que vai acontecer em Doha aqui no Bola na Rede!
Foto de Capa: Doha Diamond League
Texto revisto por Joana Mendes










