Publicidade

Que jogos devo rever nesta Quarentena? Portugal 3-2 Inglaterra do Euro 2000

Frederico Seruya · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Vivemos tempos muito difíceis e enfrentamos uma situação de alerta mundial sem precedentes. Cada dia com saúde é uma dádiva mas a sombra do contágio, nosso ou daqueles de quem gostamos, paira sobre nós incessantemente.

Em tempos sombrios como este, o Bola na Rede decidiu trazer algo de positivo para o dia-a-dia dos leitores, que possa trazer esperança e luz à escuridão que nos engoliu. Não pretendemos com isto que se esqueça ou que se finja que não se passa nada, mas antes que se traga alguma esperança e otimismo a um ambiente demasiado (ainda que justificadamente) negativo.

Relembro neste artigo um dos jogos mais extraordinários da história do nosso futebol. E, por que não dizê-lo, do futebol mundial. Estamos no dia 12 de junho de 2000, uma segunda-feira que poderia ser igual a tantas outras do calendário, mas que se tornou numa segunda-feira histórica porque Portugal esteve a perder por 2-0 aos 18’ mas acabou a vencer a Inglaterra por 3-2, entrando com o pé direito no Euro 2000.

A seleção portuguesa foi sorteada para o chamado “grupo da morte”, com as temíveis Inglaterra e Alemanha, assim como a não tão temível Roménia. Ironia das ironias, acabaram por ser portugueses e romenos a seguir para os quartos-de-final da competição, deixando pelo caminho dois colossos do futebol mundial. Mas estamos a adiantar-nos na história.

Inglaterra e Portugal enfrentaram-se no Philips Stadion em Eindhoven e os ingleses entraram a todo o gás. Aos 18 minutos, a Inglaterra já vencia por 2-0 com golos de Paul Scholes e Steve McManaman. Ambos os golos surgem de cruzamentos teleguiados de David Beckham do lado direito do ataque inglês, que apanham desprevenido um Portugal algo adormecido.

Mas a verdade é que a seleção não se vai abaixo e começa calmamente a chegar à frente e a controlar o jogo. Jogadores como Figo, Rui Costa, João Pinto ou Nuno Gomes chegam a este Campeonato da Europa em grande momento de forma, pelo que é inevitável a remontada portuguesa neste final de tarde em Eindhoven.

Apenas quatro minutos depois de sofrer o segundo golo, Portugal volta ao jogo com um golo, e que golo, de Luís Figo. Servido por Rui Costa, o 7 português galga uma boa distância e, a cerca de 35 metros, envia um míssil com selo de golo que entra mesmo ao ângulo da baliza de David Seaman. A magnitude do golo de Figo é visível na reação do guarda-redes inglês ao seu remate: Seaman fica pregado ao chão, controlando apenas com o olhar a trajetória da bola desde que sai do pé do nosso craque e entra onde a coruja faz o ninho. É caso para dizer que o guarda-redes da Inglaterra teve visão privilegiada para o primeiro golo de Portugal.

Luís Figo fez o primeiro golo de Portugal frente à Inglaterra
Fonte: FPF

O empate chega ainda antes do intervalo, num golo extraordinário de João Pinto. Na minha opinião, o melhor golo de cabeça que já vi. Tudo começa numa troca de bola paciente de Portugal no meio-campo da Inglaterra, à espera de uma brecha no muro defensivo adversário. Rui Costa acaba por ver essa oportunidade quando recebe descaído para a direita e centra a meia altura para a grande área. João Pinto surge de rompante e, num gesto técnico fabuloso, põe a cabeça onde Sol Campbell põe o joelho e cabeceia certeiro, com a bola a embater no poste antes de fazer a rede balançar.

Na segunda parte, é uma questão de tempo até Portugal passar para a frente do resultado. Os ingleses estão emocionalmente derrotados e Portugal transpira confiança pela recuperação que faz. Aos 59’, Rui Costa, que está na génese dos três golos de Portugal, recebe no meio e rasga a defesa inglesa com um passe de morte para Nuno Gomes. O 21 faz a receção orientada e dispara cruzado, estreando-se a marcar pela Seleção e colocando o placar em 3-2 a favor de Portugal.

Que este exemplo de superação, esperança e acreditar nos possa inspirar a ser a nação valente e imortal que cantamos no nosso hino nacional. Esta vitória foi fruto do trabalho e do esforço coletivo de todas as individualidades. Espero que recordar este jogo possa trazer alegria, por um lado, mas também que inspire cada um de nós a fazer a sua parte para vencermos este vírus. A fórmula, esta equipa do Euro 2000 já nos mostrou: o coletivo trabalhar para o objetivo comum, na soma do contributo de todas as individualidades. Ou seja, o país como um todo respeitar as diretrizes das entidades competentes e isso passa pelo contributo individual de cada cidadão. Haja bom senso nestes tempos difíceis mas ânimo também.

“The night is darker before the dawn. And I promise you, the dawn is coming.” (Harvey Dent em The Dark Knight).

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Frederico Seruya

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.