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Força da Tática: O «Caldeirão Verde» do Basquetebol

Diogo Silva · 4 min

Força da Tática: O «Caldeirão Verde» do Basquetebol
Foto: FPB

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Depois de vários anos a competir na Proliga, o «caldeirão verde» finalmente chegaria à Primeira Liga. A juntar ao ambiente fantástico vivido em todos os jogos que decorrem no Pavilhão de Esgueira, a equipa aveirense praticou um basquetebol entusiasmante que fez ruído na liga tornando-se numa das sensações das últimas duas temporadas.

No pós-Proliga, conscientes das dificuldades que se avizinhariam, a direção e a equipa técnica aveirense construíram uma filosofia e um estilo de jogo simples e consistente, de forma a garantir a permanência na primeira liga o máximo de tempo possível. Em primeiro lugar, a manutenção do treinador foi fundamental na crença de um projeto a longo prazo, tal verifica-se em equipas grandes (FC Porto com Moncho López) e o Esgueira não quis escapar a essa linha de pensamento.

Houve assim, continuidade e confiança no treinador que havia conseguido um feito muito positivo para o clube (a subida). Pedro Costa e sua equipa técnica, todavia não podiam seguir com a mesma equipa da Proliga para a primeira liga, ao passo que seria suicida não pensar em contratações de maior calibre.

Como tal, existiu uma linha de contratações bem delineada, que persistiu na procura de jogadores de idiossincrasia semelhante e tal notou-se no desenrolar das duas temporadas por parte da equipa técnica aveirense.

Pedro Costa a analisar jogadores na pré temporada da época atual
Fonte: Esgueira Basket

O que Pedro Costa fez com as “pedras” que teve à disposição foi fantástico, mantendo o mesmo princípio e ideias semelhante retirando o melhor de cada individualidade sem desvirtuar o coletivo, foi assim na sua primeira época na LPB e o mesmo se reproduziu na época atual.

No Esgueira de 2018/2019, houve dois jogadores fulcrais para o sucesso de Pedro Costa, sendo eles Greg Alexander e Ty Toney. Ambos foram all-stars na sua primeira época enquanto profissionais e frisavam o estilo liberto, criativo e explosivo com que a equipa aveirense atuava. Resultado das suas qualidades e características individuais, ambos tinham a «luz verde» para atirar sempre que tivessem a confiança para tal, sem descurar do desenho tático.

No Esgueira atual (2019/2020), houve várias mutações no plantel (como expectável), e os dois principais jogadores referidos no parágrafo anterior já não se encontravam disponíveis, obrigando a uma «busca» no mercado. Com inteligência e um bom scouting, o Esgueira conseguiu manter uma prática de basket atrativa mantendo a filosofia que vinha do ano transato, conseguindo jogadores de alto nível, mesmo que jovens, como é a principal estrela Montell Goodwin ou o poste de referência Daniel Regis. Para além de Goodwin, junturam-se dois jogadores jovens que vinham do histórico campeonato da Europa sub-20, sendo eles Henrique Barros e Gustavo Teixeira que apesar de suplentes, funcionam como catalisadores da ofensiva aveirense, sendo Gustavo o principal destaque neste aspeto.

PROCESSO OFENSIVO

O Esgueira é muito forte em transição ofensiva, contando com jogadores atléticos e com qualidade técnica para iniciar e terminar jogadas.

Em jogo posicional ofensivo, Goodwin é quem comanda o ataque aveirense e é quem tem mais tempo com a bola, sendo ele simultaneamente o maior criativo e o responsável maior pela finalização das jogadas. Nem sempre decide bem e por vezes fica demasiado tempo com a bola nas mãos, contudo é ele o maior responsável pelo sucesso ofensivo da equipa aveirense.

Montell Goodwin em transição ofensiva diante a Ovarense
Fonte: FPB

Em jogo posicional ofensivo, o ataque do Esgueira promove muito o pick and roll, conseguindo várias vezes encontrar o espaço necessário seja para um tiro exterior ou para a concretização de um 2×2 entre o base e poste. Outra ação recorrente passa pela equipa procurar Elgadi e impelir o isolamento do mesmo, flutuando todos para o lado contrário de modo a oferecer espaço ao colega para finalizar a jogada.

Entre estas há mais jogadas, contudo existe a primazia de explorar a versatilidade do bloqueio direto no início da jogada, seja este um bloqueio central, lateral ou inverso. Quer Goodwin, quer Gustavo Teixeira têm a criatividade para catapultar jogadas a partir daqui, com a ajuda (naturalmente) do bloqueador (Daniel Regis ou Pedro Belo por norma).

PROCESSO DEFENSIVO

Bolon Sauané e Henrique Barros a incomodar a ação de Marc-Eddy Norelia
Fonte: FPB

O Esgueira, por norma, defende num homem a homem de elevada intensidade, variando entre defesa a campo inteiro (tentando incomodar a ação do portador da bola) ou numa defesa a meio campo, de menos risco e de forma a evitar transições ofensivas.

Como é natural, existem erros pelos quais nem sempre são do controlo do treinador, resultado de más leituras, falta de cumprimento tático ou mau entrosamento entre colegas. No processo defensivo destaco a falha na transição defensiva, onde por uma maior descompressão pós cesto ou por falta de agressividade a equipa tende a sofrer cestos fáceis.

Mas reitero, são erros que nem sempre sublinham o trabalho do treinador, ao passo que as circunstâncias do jogo e a atitude dos jogadores têm um impacto significativo.

Umas das curiosidades do Esgueira Basket passa pela juventude da equipa, sendo esta a equipa mais jovem da LPB (média de idades de 23,61 anos). Apesar de ser um realce positivo é também o porquê de existir alguma falta de maturidade em certas situações de jogo (lançamentos forçados, ataques precoces, faltas de atenção), que acabam por prejudicar a missão do treinador.

Em suma, o Esgueira tornou-se numa das equipas sensações da nossa liga, sendo simultaneamente das mais respeitadas e das que mais espetadores traz às bancadas. O «caldeirão verde» é uma lufada de ar fresco não só no basquetebol, como também nas modalidades em geral ao nível nacional.

Foto de Capa: FPB

Diogo Silva

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