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RC Deportivo da Corunha| Do céu da Champions ao inferno da “segunda”.

João Pedro Gonçalves · 3 min

RC Deportivo da Corunha| Do céu da Champions ao inferno da “segunda”.
Foto: RC Deportivo Corunha

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Foi uma promessa na viragem do século que nunca se cumpriu. O RC Deportivo da Corunha já foi o undergod que mordia os calcanhares de qualquer tubarão, que o diga o AC Milan de Ancelotti, campeão europeu. Fez 16 anos na semana semana que ao relvado do Municipal de Riazor subiram nomes como Maldini, Nesta, Dida, Cafú, Pirlo, Kaká, Seedorf, Rui Costa, Shevchenko e Inzaghi. Resultado final? Quatro tentos sem resposta da formação espanhola, e qualificação para as meias-finais, onde viriam a ser eliminados pelo FC Porto.

Sob a batuta de Javier Irureta, foram quatro títulos de 1999 a 2003 – uma Liga Espanhola, uma Copa do Rei e duas Supercopas de Espanha. Era a melhor fase da história dos Blanquiazules, que ainda somavam mais uma Copa do Rei e uma SuperCopa de Espanha em 1995. Pelo RC Deportivo da Corunha passavam nomes como Djalminha, Pauleta, Rivaldo, Roy Makaay, Andrade, que iam fazendo mossa em alguns colossos. Até no início da era dos “Los Galáticos” reprovou no teste do Dépor.

Final da Copa do Rei de 2002, no Santiago Bernabéu, no dia do centenário do Real Madrid CF. Do lado dos merengues subiam ao palco camisolas como Cesar Sanchez, Roberto Carlos, Salgado, Hierro, Zidane, Figo, Raúl, Morientes, entre outras estrelas orientadas por Vicente Del Bosque. Todos os ingredientes para uma noite histórica e de festejo dos madrilenos, que acabou em pesadelo, com o SuperDepor a vencer por 2-1. O norte de Espanha festejava o anúncio de possíveis anos dourados para o Riazor.


Mas não foi. Depois da remontada histórica frente aos Rossoneri, o clube perdeu os eixos do sucesso. Na temporada 2004/2005 a formação da Corunha começou a viajar pelo meio da tabela da Liga Espanhola, com tendência a aproximar-se da linha de água. Na época de 2010/2011 os Blanquiazules acabaram por cair para o segundo escalão.

Por lá permaneceram um ano antes de voltar à Liga Espanhola como campeão da segunda divisão. Em 2012/2013, voltou a descer. De volta aos principais palcos espanhóis em 2014/2015, por lá se aguentou durante quatro anos, quase sempre com a corda no pescoço, e sem o brilhantismo de outros anos.

Já na segunda divisão, em 2018/2019, o RC Deportivo da Corunha chegou a estar na final de play-off de subida, onde perdeu por 3-2 frente ao RCD Mallorca. O verdadeiro descalabro chegou na presente temporada.

Com um posto acima dos lugares de despromoção e numa luta acesa pela manutenção – sete pontos de diferença para o último colocado e quatro para o penúltimo – a formação orientada por Fernando Vázquez soma oito vitórias, 11 empates e 12 derrotas. O conjunto que já levava três treinadores, chegou mesmo a ter um registo de 19 jogos sem vencer para o campeonato.

O balneário, por sua vez, também já não tem a magia de outros tempos, e segundo dados do Transfermarket, o conjunto da Corunha vale 36,20 milhões de euros, sendo que 21,4 milhões correspondem a jogadores emprestados.

A ascensão de alguns clubes espanhóis, os cofres recheados de outros emblemas, a troca de treinadores e a necessidade de vendas são alguns dos motivos apontados para a queda dos Herculinos. O Estádio Municipal de Riazor vive agora momentos de aflição, mas na retina fica o hino da Champions e as festas azuis e brancas de outros tempos.

 

 Artigo revisto por Joana Mendes

João Pedro Gonçalves

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