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SL Benfica x Rangers FC | 5 momentos de um histórico impecável contra portugueses

Pedro Cantoneiro · 6 min

SL Benfica e Rangers FC defrontam-se esta quinta feira, pelas 18h, no Estádio da Luz, na terceira jornada da fase de grupos da Liga Europa.
Foto: Rangers FC

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É no seguimento da calamitosa derrota no Bessa que o SL Benfica enfrenta, pela primeira vez na sua história, o gigante do Reino Unido: apesar do extenso historial de confrontos com os seus rivais católicos, os encarnados nunca tiveram a sorte de encontrar os protestantes do Rangers FC, que sempre se divertiram com outros emblemas, quando era hora de defrontar lusos – umas vezes o Sporting CP, outras vezes o FC Porto, maioritariamente. Um desencontro curioso que terminará na noite desta quinta feira, às 18h.

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Na Luz apresentar-se-á uma equipa ultra-competente sob a gestão de Steven Gerrard. Os números comprovam-no, com as 11 vitórias em 13 jogos disputados em 2020-21 (e nenhuma derrota), o que, conjungando com o impressionante registo de apenas… três golos sofridos, representa enorme obstáculo a um SL Benfica hesitante na consolidação do sistema de jogo do seu treinador.

Jogando em 4-3-3, é uma equipa que sabe esperar pelo momento certo para desferir golpes certeiros em adversários entusiasmados com ilusões ofensivas, característica à qual Jesus demonstrou estar bem atento na conferência de imprensa.

«Vai ser a equipa mais difícil que encontrámos até à data. É uma equipa que conhecemos bem, na época passada defrontou o FC Porto e o SC Braga. Tem um sistema de jogo diferenciado, parecido com o do Liverpool. Joga com a mesma ideia, quer seja em casa ou fora e vai ser um jogo difícil para o Benfica. E para o Rangers também», aproveitando para elogiar Morelos quando confrontado com o seu nome, utilizando comparação original. «Esse avançado é muito conhecido, um colombiano que não tem muito estilo de jogador, não tem uma estética elegante, mas é muito perigoso, aquele estilo como Gerd Muller.»

Mas não é só o nome de Morelos que merece atenção cuidada, a ele juntam-se Hagi (sim, filho da lenda romena), Ryan Kent ou Tavernier, capitão e melhor marcador da equipa – 10 golos – apesar de partir da posição de lateral direito, destacando-se por ser especialista da bola parada.

Mas do Rangers muito se pode e deve falar do seu passado glorioso e preenchido de muitos sucessos. A nível doméstico conta com 54 títulos nacionais, número que o coloca no topo do ranking europeu e em segundo lugar no plano mundial, sendo só ultrapassado pelos egípcios do Al Ahly.

Poderíamos supor que esse domínio interno se tivesse traduzido, a dada altura, em conquistas sistemáticas no resto do continente, mas esse papel coube ao rival Celtic, que tomou responsabilidades patrióticas quando ganhou a primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus das Ilhas Britânicas, em 1970 (com a fabulosa equipa de Jock Stein).

O Rangers até foi o primeiro emblema britânico a participar numa final uefeira, quando chegou ao derradeiro encontro da Taça das Taças de 1961, mas a Fiorentina de Robotti e Hamrun, treinados pelo eterno Hidekguti, revelou-se obstáculo intrasponível (4-1 no agregado).

Essa derrota foi pedra no sapato dos protestantes, que tiveram de esperar até 1972 (e à terceira tentativa, porque além de ’61 houve ’67 contra o Bayern de Munique) para recolher o troféu para o seu museu, em vitória diante do Dínamo de Moscovo, tornando-se até hoje como a única conquista internacional alcançada pelo clube.

Num longo e respeitável trajecto de 349 jogos com equipas de todos os cantos do Velho Continente, seria expectável surgirem vários confrontos com portugueses. O primeiro encontro ocorreu precisamente no caminho para a vitória de 1972, quando o sorteio ditou o Sporting CP como oponente na segunda eliminatória da competição – Protestantes e Leões tornar-se-iam conhecidos, amigos até, com a repetição desse confronto por mais duas ocasiões, já no século XXI (2007-08 e 2010-11).

FC Porto (1983-84, 2005-06 e 2019-20), Boavista FC (1986-87), CS Marítimo (2004-05) e SC Braga (2019-20) também tiveram oportunidade de construir história juntos, ainda que com relacionamentos nunca fáceis – só por uma vez, em oito tentativas, os nossos representantes eliminaram o Rangers em competições da UEFA.

Agora, pela primeira vez, o SL Benfica tem a oportunidade de começar a inverter a tendência dominante que os Protestantes apresentam quando têm de se deslocar ao nosso território – em 18 jogos, contando idas e voltas, perdeu apenas… três vezes.

Relembramos, por ordem cronológica, cinco das mais sensacionais noites em que o Rangers defrontou clubes nacionais, como forma de preparação para um duplo embate que promete decidir o vencedor do Grupo D desta Liga Europa.

Taça das Taças 1971-72, segunda eliminatória

Sporting CP 4-3 Rangers FC (6-6 ag, vantagem nos golos fora para os escoceses) – O Sporting de Vítor Damas e Yazalde recebia o Rangers após derrota tangencial em Glasgow (3-2) e os 40 mil adeptos que enchiam Alvalade acreditavam na reviravolta.

O jogo terminou com o mesmo resultado no final do tempo regulamentar, seguindo para prolongamento, onde cada equipa finalizou mais uma vez com êxito, obrigando o árbitro a ordenar o desempate por penáltis: Damas foi herói, defendeu quatro dos pontapés e pôs toda a gente a festejar.

Acontece que o árbitro não estava a par do… novo regulamento da UEFA, que tinha introduzido nessa mesma época a regra de vantagem por golos fora. A famosa noite dos penáltis que não valeram foi o mote necessário para a conquista da prova por parte do Rangers e tornou-se capítulo importante da mitologia do futebol português.

Taça das Taças 1983-84, segunda eliminatória

FC Porto 1-0 Rangers FC (2-2 ag, portistas com vantagem nos golos fora) – No caminho até à primeira final europeia da sua história (que perderia com a Juventus de Platini), o FC Porto, treinado por Pedroto, eliminou o Rangers e, sem saber, tornou-se na primeira e única equipa portuguesa a eliminar a turma de Glasgow nos 40 anos seguintes.

Taça UEFA 2004-05, pré-eliminatória

Rangers FC 1-0 CS Marítimo (1-1 ag, escoceses vencem nos penáltis) – Num Marítimo cheio de nomes que chamam aos berros pelo toque da nostalgia – Briguel, Van der Gaag, Chaínho, Alan, Manduca ou Silas – era possível sonhar com a passagem à fase de grupos, apesar da maior experiência do adversário.

Nos Barreiros houve lugar ao sonho com a vitória tangencial, mas toda a força do mundo seria necessária para aguentar a pressão de um Ibrox à ‘pinha’. Não aconteceu, Dado Prso igualou, mas só nos penáltis, com 4-2, se confirmou a eliminação dos portugueses, que saíram de queixo levantado de Glasgow.

Taça UEFA 2007-08, Quartos-de-Final

Sporting CP 0-2 Rangers FC (0-2 ag) – O grande rival do SL Benfica, então orientado por Paulo Bento tinha caído da Liga dos Campeões, depois de luta intensa com a AS Roma pelo segundo lugar, atrás do Manchester United FC, encarando a UEFA como prova acessível aos seus interesses.

Despachados Basileia e Bolton, não esperavam os leões dificuldades maiores com os escoceses, ideia que se acentuou depois do empate a zero para lá do Canal da Mancha. Em Alvalade, os minutos a passar fizeram crescer ansiedade nas bancadas – que a equipa acusou, o carismático Darcheville percebeu e, com frieza suficiente, aproveitou para marcar o golo que terminou com o sonho português.

Liga Europa 2019-20, 16 avos de Final

Fonte: UEFA

SC Braga 0-1 Rangers FC (2-4 ag) – Num jogo que dominou por completo, Rúben Amorim teve neste encontro o seu único falhanço enquanto treinador principal do Braga. Depois de um 3-2 fora, aos arsenalistas bastava o 1-0 que toda a gente acreditava ser fácil alcançar, dada a perfomance caseira da equipa.

Gerrard mandou a equipa fechar-se bem lá atrás, aguentar o ímpeto dos visitados e, numa desatenção geral, ordenou a Hagi que libertasse Ryan Kent na exploração supersónica do imenso espaço na rectaguarda bracarense. Abordagem que se espera que repita na Luz, frente ao SL Benfica, esta noite.

Pedro Cantoneiro

Redação Bola na Rede · ver artigos