O problema do Sporting CP reside nos sócios e nos adeptos

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Muito se tem discutido sobre a ausência de adeptos nos estádios com o argumento de que o futebol com as bancadas despidas não faz sentido, uma vez que é por eles e para eles que os jogos e os estádios existem. 

Efectivamente, sem os adeptos a animar as bancadas, com cânticos de apoio, com coreografias coloridas e criativas, as romarias de final de tarde com cachecol e camisola envergados para apoiar a equipa do coração, o futebol não teria qualquer fundamento. Aliás, como em tudo, o que não tem procura tende a cair no esquecimento, chegando a extinguir-se. 

O futebol nunca cairá no esquecimento pela simples razão de que o mais pequeno ser, vendo algo redondo e que role, tem o instinto primário de chutá-lo. A paixão que este desporto faz crescer pelo simples prazer de se poder jogar na rua com os amigos, com balizas feitas de mochilas, pedras amontoadas ou qualquer outro objecto que possa delimitar uma baliza, nunca o deixará cair no esquecimento. No entanto, o negócio que alimenta as equipas profissionais já faz parte de outro assunto.  

O corte de receitas das bilheteiras pode significar a falência de muitos clubes de menor dimensão, ainda que para os maiores clubes portugueses sejam pouco significativas no “bolo” geral das suas finanças. E mesmo para estes, ao eliminar-se as idas aos estádios, restringem-se outros negócios paralelos como as vendas de merchandising. 

No fundo, o que dá significado ao futebol são os adeptos, apesar de ultimamente se estar a criar uma ideia de que a equipa de futebol do Sporting CP joga melhor sem a pressão dos adeptos nas bancadas. A verdade é que o clube leonino está a fazer um início de época como há muito não se via no reino do leão.

Os adeptos são o foco do espetáculo futebolístico e Alvalade não é exceção à regra
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

 

Será então que, para poderem ser campeões, os sportinguistas têm de se demitir do seu direito e prazer em ver a sua equipa ao vivo? 

Pelo menos é o que alguns notáveis sportinguistas têm dito recentemente, em entrevistas que dadas aos meios de comunicação. 

Talvez o caminho seguido pela actual direcção, que levou à crescente desmobilização dos sócios e adeptos no apoio à equipa de futebol do Sporting CP, com expulsões de sócios, perseguição a claques, fosse já uma visão premonitória, e a preparação para um futuro risonho. Tudo pensado por forma a criar o cenário ideal para termos o clube de novo a lutar pelo título. E até a pandemia ajudou a criar esse cenário. 

Mas, se assim for, e os sportinguistas não pudessem apoiar e seguir a sua equipa de coração, de que serviria ser campeão? Qual o prazer disso? Qual o sentido do clube existir? 

A verdade é que os jogadores, para ambicionarem jogar no Sporting CP, e poderem envergar a camisola verde e branca listada, têm de ter o arcabouço de aguentar a pressão de ganhar sempre e ter quem lho exija a cada jogo. Porque é por nós e para nós que eles jogam. Sem a nossa existência e o nosso amor ao clube, a sua situação profissional não teria qualquer sentido de existir. 

O Sporting CP é dos sócios e para os sócios. E os jogadores com certeza sentem muito mais prazer em ter as bancadas cheias a apoiá-los e a aplaudi-los pelas suas belas jogadas. Como todas as coisas boas têm um senão, as coisas menos boas feitas terão que ser apupadas e criticadas. É assim em todas as profissões e também o é nos estádios de futebol. 

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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