Uma equipa carregada de juventude, amarelos e traumas | Sporting CP

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Em alguns dos meus últimos textos fui referido algumas dificuldades que esta equipa de futebol do Sporting CP poderia vir a encontrar no caminho que até agora tem conseguido ultrapassar com maior ou menor dificuldade.

Cheguei a referir que a equipa estava dependente de “Pote”, da sua boa forma e golos, e faltando a inspiração desse jogador os jogos poderiam tornar-se complicados. Coincidentemente, ou não, Pedro Gonçalves, ao voltar de castigo não tem tido a mesma influência de antes na equipa e, consequentemente, o grupo mostrou imediatamente mais dificuldades em resolver jogos. Não será apenas pela inspiração individual deste jogador, mas isso resolvia muitos dos problemas que iam surgindo.

Junta-se a isso o facto de as equipas adversarias já se conseguirem adaptar à forma de jogar do Sporting CP. Equipas como a do campeonato português, que jogam na raça, fechadas, a pressionar, criam muitos problemas a este estilo de jogo, principalmente quando conseguem anular os criativos da equipa, nomeadamente João Mário e “Pote”. Ou seja, equipas que consigam povoar o meio campo, conseguem dificultar imediatamente o modelo leonino.

Felizmente, e nomeadamente no último jogo contra o Belenenses SAD, os jogadores conseguiram resolver essas dificuldades com jogo direto a aproveitar a rapidez de Tiago Tomas, mas não é essa a essência desta equipa, e talvez precisemos de mais rapidez na troca da bola para podermos ultrapassar as teias montadas pela maioria das equipas do campeonato português.

Essas equipas têm também uma pequena ajuda por saberem que contra o Sporting CP podem condicionar através da falta cirúrgica. Sabem que até aos 60 minutos, pelo menos, podem usar e abusar do jogo faltoso para parar qualquer jogada sem que lhe seja exibido qualquer cartão. Já se sabe, porque fazem questão de nos lembrar sempre e em todos os jogos, que qualquer lance mais duro será punido. Não é teoria, é factual. Basta ver  os números de cartões que a equipa do Sporting CP tem comparativamente com outros emblemas.

Pela lógica sabemos que as equipas com mais posse de bola têm necessidade de fazer menos faltas, e logicamente correm menos risco de ser admoestados com cartões, mas por incrível que pareça, o Sporting CP, uma das equipas que mais posse tem, mais assenta o seu jogo pela troca de bola constante entre os seus jogadores, é também a que mais cartões tem no campeonato. Vejam lá quantos têm outras equipas com o mesmo tipo de jogo, mais especificamente as outras duas equipas ditas grandes.

A equipa do Sporting CP é a mais amarelada (35) da Primeira Liga Portuguesa
Fonte: Bola na Rede

Tudo isto pode também advir da juventude da equipa que não consegue ainda ter a matreirice que é precisa para controlar os tempos dos jogos ou a forma como cada árbitro dirige o jogo. Porque quer queiramos ou não, percebe-se perfeitamente que os árbitros portugueses, para se defenderem apitam a todo e qualquer toque (bem, com as excepções que algumas cores beneficiam), todos sabem que um guarda redes pode fazer o anti-jogo que quiser porque só verão o amarelo depois dos 80 minutos e, esses momentos, para um jovem ainda não estão assimilados porque o que eles querem é jogar e correr, sem pensar quando, onde e como devem parar, cair, temporizar.

Todas estas condicionantes parecem estar a pesar na equipa. Nos últimos jogos não se vê a mesma fluidez e em alguns casos nem a mesma disponibilidade dos jogadores. Já o venho dizendo, começa a notar-se que a equipa é curta para que se possa pensar em conquistar títulos.

Começa a pesar a juventude, a pesar o facto de os jogadores começarem a perceber que jogando no Sporting CP o seu trabalho não é respeitado como noutros clubes, e até psicologicamente, estes jovens, numa época festiva onde normalmente podem receber o carinho das suas famílias, podem quebrar pela falta que isso pode fazer para aconchegar mentalmente miúdos de 18,19 ou 20 anos.

Sabemos todos que no Sporting CP, para termos as mesmas oportunidades que outros, temos de trabalhar o triplo e, no fim, isso pesa. Teremos de ser leões em todos os jogos para podermos ambicionar algo bom. Onde Vai Um Vão Todos, não como um rebanho de acéfalos, como alguns tentam colar a este lema, mas para ajudar o clube de todos nós a vencer.

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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