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Nem a tempestade parou Granerud | Saltos de Esqui, Willingen

Diogo Rodrigues · 7 min

Nem a tempestade parou Granerud | Saltos de Esqui, Willingen
Foto de capa: FIS

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A Taça do Mundo de Saltos de Esqui rumou, este fim de semana, até Willingen, na Alemanha. Com o objetivo de levar a cabo a primeira edição do “Willingen Six”, prova que pela primeira vez incluiria seis saltos válidos, uma vez que nas duas últimas épocas apenas tinham sido contabilizados cinco. O evento que inicialmente teria seis rondas acabou por não ser “Six”, nem tão pouco “Five”!

O palco para este mini-torneio, inserido na “Champions dos saltos”, foi o trampolim Muhlenkopfdchanze, uma estrutura de 147 metros, com o K-Point situado nos 130m e um record ex-aequo da autoria de dois “homens pássaro”: Janne Ahonen da Finlândia logrou atingir em 2005 a marca de 152m. Nove anos volvidos, igual distância voltou a ser “voada” neste trampolim, desta feita o seu autor foi o esloveno, Jurij Tepes.

À partida para mais um fim de semana, haviam três ausências a salientar e todas no seio da formação eslovena, falo dos manos Prevc: Peter (o mais velho) e Cene (o do meio) haviam testado positivo para a Covid 19. Já o mais novo, Domen, embora não tivesse estado infetado, viu-se forçado a cumprir um período de isolamento profilático.

A festa, na cidade de Willingen, localizada junto à fronteira com a República Checa, iniciou-se na sexta feira e logo com um motivo de regozijo para todos os fãs da modalidade. Isto porque foi batido, ainda durante a ronda de qualificação o record da estrutura germânica, diga-se que  por um nome improvável, o do polaco Klemens Muranka, que apesar dos 153m, fruto de melhores condições de vento que acabaram por lhe dar penalização, ficou com a quinta posição no final da ronda.

Esta foi vencida, saltando um metro a menos do que Muranka (distância anteriormente record do trampolim) pelo seu compatriota, Andrzej Stekala, que parecia continuar as boas prestações  rubricadas no decurso da presente temporada. O segundo posto da ronda de qualificação foi para o líder do campeonato, Halvor Egner Granerud da Noruega, sendo que a fechar o pódio esteve o vice-líder da presente época, o alemão Marcus Eisenbichler.

Refira-se que os “cazaques” regressavam à Taça do Mundo. Sim, os saltadores do Cazaquistão! Estes que apareciam esporadicamente, principalmente durante o torneio dos quatro trampolins, mas que este ano não haviam marcado presença nesse mítico certame, tendo sido esta a sua primeira aparição no campeonato deste ano. Claro está que sem sucesso!

Note-se que iríamos ter novo vencedor do torneio, visto que Stephan Leyhe, alemão que levantara o troféu na temporada anterior, continuava a recuperar de uma rotura de ligamentos, motivo pelo qual não pode defender as suas chances na competição.

Num dia em que as condições para se assistir a grandes distâncias pareciam as ideais, era Granerud quem ocupava o primeiro posto, findada que estava a ronda de saltos inicial. A marca que lhe ia valendo o comando eram 147,5 metros, o segundo ia sendo Daniel-André Tand, no entanto quem mais impressionava era o esloveno, Bor Pavlovcic, que a manter a toada faria aqui o melhor resultado de uma ainda curta trajetória entre os melhores.

Ainda dentro do Top 5, estavam o polaco Kamil Stoch em quarto e Ryoyu Kobayashi, para as cores nipónicas, ia assegurando a quinta melhor marca. O veterano “o Harry Potter suíço” Simone Ammann, marcava pela primeira vez na época, um lugar na ronda final. Já nomes como Stekala, fora dos vinte primeiros ou Robert Johanson apenas 17º iam desapontando.

Pior ainda fizeram Timi Zajc da Eslovénia, que regressado após problemas disciplinares não conseguiu acesso à derradeira ronda, tal como Johann  André Forfang que se vai mostrando altamente irregular, ora rubrica prestações de excelente nível ora intercala esses resultados com provas em que nem passa à segunda ronda. Já o estoniano, Artti Aigro, viu a sua marca não ser válida, uma vez que foi desqualificado por irregularidades nas medidas do fato.

Numa segunda ronda em que o vento se mostrou, como que a reconhecer o terreno, para os estragos que provocaria no normal desenrolar da competição do dia seguinte. Com isto, foi Granerud quem festejou pela sétima vez na carreira e coincidentemente na temporada.  A prata ficou para Tand, pela segunda prova consecutiva, já o bronze foi entregue a Kamil Stoch, que tentava desta forma minimizar ao máximo as perdas para o rival nórdico. Pavlovcic com a quarta posição garantia o melhor de sempre na Taça do Mundo, o polaco David Kubacki, que no fim de semana anterior se tinha exibido de forma particularmente desinspirada, voltava deste modo a conseguir um lugar honroso, na circunstância, o quinto.

O atleta suíço de 39 anos, Simon Ammann com o 12º registo, assegurou o melhor desempenho em duas temporadas e meia. Andrzej Stekala mostrava que é necessário repetir as indicações dadas nas qualificações, tendo o jovem polaco fechado o top vinte. De mencionar ainda a subida de nove postos do germânico Karl Geiger que trepou do 20º posto até ao 11º lugar, com uma marca de 138 metros, que a ser realizada na ronda inaugural, lhe daria legitimidade para sonhar com um dos metais. Continuando do lado da Mannschaft a destacar ainda que Marcus Eisenbichler, apenas oitavo, perdia terreno para Stoch, mas sobretudo via a distância aumentar face a Granerud.

No domingo cedo se compreendeu que não seria um dia nada fácil nem para a organização, nem tão pouco para os saltadores. A ronda de qualificação, adicionada, para completar os seis saltos pontuáveis para o torneio e depois de várias tentativas alterando de forma sucessiva o “portão”, acabou por ser cancelada, reduzindo a competição a apenas cinco saltos. No entanto, a força do vento manteve-se  e as condições foram-se deteriorando cada vez mais.

A primeira ronda ainda foi concluída levando 2h10m, tempo destinado normalmente para as duas rondas que compõem a competição. Com o vento a aumentar de intensidade, a soprar de forma cruzada e a noite a ser uma realidade, o evento que era para contabilizar seis saltos terminou reduzido a quatro, tendo prevalecido os resultados da primeira e única ronda disputada no dia de domingo.

Assim sendo, foi Granerud quem venceu, que apesar das péssimas condições atingiu 149 metros, fazendo a “dobradinha”. Em segundo, com uma marca inferior em 12 metros, ficou o polaco Piotr Zyla e, no bronze, assinando 143m, ficou Marcus Eisenbichler. Ainda merecedor de menção o quarto posto de Muranka que, após ter rubricado o recorde da estrutura na sexta, assinou no último dia de janeiro o melhor desempenho de toda a carreira na Taça do Mundo.

No polo oposto ficaram Stoch, apenas o 27.º colocado, Andrzej Stekala 20.º posicionado e Michael Hayboeck, nem se conseguiu imiscuir nos trinta lugares passíveis de pontuação.

Na geral do torneio Granerud foi o grande vencedor levando para casa os 15.000euros, Tand arrecadou o vice título e 10.000 euros de prémio, já Zyla viu 5.000 euros serem acrescentados à sua conta pessoal, adquirindo a terceira posição.

Agora na geral da Taça do Mundo e cumpridas que estão vinte provas, Granerud, fruto de mais um desempenho inolvidável, vê a sua vantagem disparar novamente somando agora 1206 pontos, Eisenbichler contabiliza 888 enquanto Kamil Stoch tem averbados 725.

A próxima etapa da Taça do Mundo está agendada de cinco a sete de fevereiro e decorrerá em Klingenthal , ainda em solo germânico, sendo que este fim de semana estava inicialmente destinado a ser realizado em Sapporo no Japão, mas em virtude do agravamento da pandemia, foi a cidade alemã quem ocupou a vaga deixada pelo trampolim nipónico. O BNR, como sempre trará o que de mais relevante lá se passar.

Artigo redigido por Diogo Rodrigues

Foto de capa: FIS Sky Jumping

A FIGURA DA PROVA

Halvor Egner Granerud – É impossível não atribuir tal distinção ao atleta de 24 anos, natural de Oslo. O atleta era uma incógnita, quando firmou o primeiro triunfo da temporada e da carreira. Agora, Granerud é unanimemente considerado como o maior favorito à conquista do grande Globo de Cristal. Será uma questão de tempo até o conseguir assegurar matematicamente, sendo igualmente incrível como em condições tão adversas como as verificadas neste último domingo, consegue manter a frieza “fintando” todos os obstáculos que lhe são colocados.

A DESILUSÃO DA PROVA

Michael Hayboeck – O austríaco de 28 anos, não consegue “coser” dois resultados consistentes, demonstrando que por vezes parece pouco motivado, ao invés das grandes competições, como em Mundiais ou em Torneios dos quatro trampolins onde consegue explanar o seu real valor. Futuramente, aquando dos Mundiais de Esqui Nórdico a serem realizados em Oberstdorf na Alemanha, perceberemos se o “tubarão” ainda se encontra na plenitude da sua forma e se a falta de regularidade tem sido de facto o seu calcanhar de Aquiles.

Diogo Rodrigues

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