Publicidade

ATP 250 Marselha: Medvedev‎ emenda má imagem deixada em Roterdão

Diogo Rodrigues · 7 min

ATP 250 Marselha: Medvedev‎ emenda má imagem deixada em Roterdão
Foto: Open 13 Provence

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Foi com 32 inscritos no seu quadro principal que teve lugar, ainda que sem espectadores nas bancadas, mais uma edição do “Open 13 Provence”, no Palácio dos Desportos da cidade de Marselha, torneio este jogado desde 1994. Numa prova, que tinha como duplo campeão nas duas últimas temporadas o grego Stefanos Tsitsipas e que contava com uma das suas edições mais fortes de sempre, dado estarem a participar nesta competição como primeiro cabeça de série, o russo Danil Medvedev‎, que embora tendo cedido na ronda inicial no ATP 500 de Roterdão na semana anterior, sabia que mesmo repetindo igual desfecho nesta competição, ultrapassaria Rafael Nadal, veterano tenista espanhol na segunda posição da hierarquia individual.

Já o segundo maior favorito a levar para casa o trofeu era Stefanos, que não conhecia o sabor da derrota nesta prova, jogada em piso rápido coberto, desde a temporada de 2018. Refira-se que o torneio contava com juízes de linha em court, algo raro aos dias de hoje.

A PRESENÇA PORTUGUESA E A QUEDA AOS PÉS DE UM ATLETA QUE ESTAVA FORA DOS DUZENTOS PRIMEIROS

O tenista nacional das Caldas da Rainha, Frederico Silva, que atingira o seu melhor ranking na semana transata, após chegar a duas meias finais de seguida no escalão “Challenge Tour”, estava com a moral em alta para defrontar Mattew Ebden da Austrália. Mas o outrora membro do Top 40 mundial em 2018, altura em que a sua carreira começou a ser minada por várias lesões: primeiro nos pés, seguidamente nos joelhos e ainda com sintomas de vertigens associados, não poderia ter escolhido outro dia e torneio para se exibir perto do seu melhor.

Com o lusitano a fechar o primeiro parcial no Tie-break, parecia que Fred iria marcar presença na segunda ronda da fase de qualificação, mas o veterano de 33 anos não deitou a toalha ao chão, triunfando no segundo set  por 6-4. Após estar a vencer a terceira partida por 4-2, o atleta das Caldas acusou a solenidade da ocasião, com o tenista australiano a conseguir seguir em frente na competição. O trajeto de Ebden apenas foi interrompido nas meias finais, devido a questões físicas, dado que já disputara cinco duelos durante a semana. tendo deixado o terceiro cabeça-de-série e 21.º da tabela, o russo Karen Khachanov para trás nos quartos. Ficará sempre a questão: até onde poderia ter chegado a representação lusa no certame?

CABEÇAS-DE-SÉRIE COM “VIDA CURTA” EM MARSELHA

Embalado por uma série de duas provas, sendo que em Roterdão havia mesmo marcado lugar nos seus primeiros quartos de final da temporada, estava o nipónico, n.º 40 do ranking mundial e ex membro do Top cinco bem como finalista de “Majors”, Kei Nishikori. Contudo a sua estadia na cidade gaulesa, apenas se cifrou na conquista de cinco jogos. Com uma atuação bem longe do seu melhor, seria afastado pela grande surpresa da prova, o caseiro e grande especialista na variante de pares, onde ao lado de Nicolas Mahut, já havia conquistado múltiplas provas de “Grand Slam”, Pierre-Hugues Herbert, que “despachou” autenticamente o atleta do país do sol nascente pelos parciais diretos de: 6-1 e 6-4, precisando de pouco mais de uma hora para o fazer. Com os restantes favoritos ao título a seguirem em competição, com maiores ou menores dificuldades, o seguinte a cair seria mesmo o russo Khachanov, que foi travado por um Mattew Ebden a atuar em estado de graça, que recuperava pela terceira ocasião na presente semana de uma desvantagem de uma partida, tendo fechado com um set final em que nem parecia que ocupava  o posto 227.º do ranking mundial. Conquistado este encontro com uma vitória no derradeiro parcial por 6-2, no qual pareceu estar a levitar em court!

A POLÉMICA COM O TSITSIPAS MAIS NOVO

Foi para grande espanto da comunidade tenística em geral e dos jogadores da casa em particular, que a organização da prova decidiu atribuir um convite a Petros Tsitsipas, apenas classificado na posição 970 da tabela ATP. Este “wild card” conferido ao irmão de Stefanos, foi desde logo, e ainda mais aquando da sua inequívoca derrota face ao hispânico Alejandro Davidovich Fokina, n.º52 mundial, em 46min, por 6-0 e 6-2, motivo de grande falatório e incontáveis críticas à entidade regente da compita. Vários foram os atletas caseiros que manifestaram a sua insatisfação, face ao verificado com o mano mais velho a ter de sair em defesa do mais jovem, revelando que o mesmo estaria alegadamente a atuar lesionado.

A TRADIÇÃO QUE PARECE VIRAR MODA!

Após os feitos da dupla de irmãos Cerundolo, Juan Manuel que vencera em Córdova e Francisco que atingira o derradeiro encontro na semana seguinte em Buenos Aires, ambas provas ATP 250 disputadas no seu país, a Argentina. Estas integradas no “Golden Swing”  Sul-Americano jogado sob terra batida. Desta feita foi o tenista gaulês de 25 anos e classificado no início do torneio para lá do Top 120 mundial, Arthur Rinderknech que esteve perto de igualar esses desideratos. Percurso este, que apenas parou nos quartos, diante do quarto pré-designado, o seu compatriota Ugo Humbert , um tenista que embora jovem tem uma calma que por vezes até enerva, independentemente do resultado do momento!

Quanto a Ebden, apenas foi parado por Medvedev‎, que até ao encontro decisivo conseguiu o feito de manter o seu serviço inviolável bem como “passeou” até encontrar Herbert na final.

Antes disso, o gaulês cometeu a proeza de afastar Stefanos Tsitsipas nos quartos de final, que mesmo após ter logrado fechar o primeiro parcial por 6-7, com 8-6 nesse jogo decisivo, nunca pareceu confortável, tendo desaparecido a partir de meio da segunda partida. A determinada altura nem se conseguia perceber a diferença de nível entre os dois, com o atleta mais velho de 29 anos e n.º 93 da hierarquia a subjugar por completo o seu melhor rankiado oponente.

FINAL: MEDVEDEV‎ FORÇADO A HORAS EXTRAS!

Na grande final da competição disputada em solo francês, esta apresentava um duelo na teoria com tudo para ser desequilibrado. Os atores do episódio final desta edição eram Pierre-Hugues Herbert, grande sensação da prova e Daniil Medvedev‎ que espalhara classe e facilidade até aqui. A  disputa pela conquista do troféu principiou com o francófono a tentar colocar em prática a mesma receita que desregulara o jogo de Humbert na ronda anterior. Ciente de tudo isso, Medvedev‎ que perdera no anterior duelo entre ambos, curiosamente  jogado nesta cidade, mas a contar para a segunda divisão do ténis mundial, parecia ter plena noção disso. Acrescente-se que contrariamente ao que se supunha, nenhum dos contendores estava a tirar grande partido do seu golpe de saída. Três quebras de serviço na primeira meia dúzia de jogos, com a primeira partida a ficar selada pelo grande favorito a sagrar-se campeão desta prova, por 6-4, ao cabo de 38’.

Na segunda partida, começava-se a escrever o guião aguardado: Herbert subia à rede sempre que possível, isto quando não assegurava o  ponto diretamente no serviço. Quanto ao tenista de leste, ia servindo muito bem e aplicando em pleno a potência e naturalidade das suas pancadas na linha de fundo. Sem quebras de serviço, não obstante o gaulês estar mais perto de o conseguir, foi num tie-break  que se decidiu este segundo parcial. Aí e quando o russo parecia embalado rumo à vitória, visto ter estado no comando por 4-2, foi então que o atleta mais experiente puxou de forças vindas das suas entranhas! Arrecadando cinco pontos de modo consecutivo, transportando tudo para uma terceira e decisiva partida. Pena não haverem espectadores para lotar uma arena com mais de 15.000 lugares, que ia estando despida!

No derradeiro set e após os serviços terem reinado ao longo de uma dezena de jogos onde foram escassas as oportunidades de quebra de serviço, foi então que Medvedev‎, fruto de um Herbert já um pouco fatigado pelo grande percurso cumprido na semana marselhesa, desferiu o golpe derradeiro e ao fim de 2h14m arrecadou o seu décimo título de uma ainda curta mas auspiciosa carreira, tendo vencido o derradeiro parcial por 6-4.

De destacar ainda que o praticante russo pôs términus a um período que durava desde 25 de julho da longínqua temporada de 2005, altura desde a qual os denominados “BIG Four”: Novack Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer e Andy Murray, alternavam entre si as duas primeiras posições da classificação individual masculina.

Quanto ao tenista que atuava em solo pátrio, garantiu uma ascensão de 30 postos na mesma tabela. Com a presença na final, Herbert abandonou o lugar 93.º posto trepando até à posição 63 da mesma tabela, provando que se mantiver o foco na variante de singulares poderá voltar ao Top 40 onde figurou há três temporadas atrás.

Foto de Capa: Open 13 Provence

Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos