Casemiro, porquê?

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Num regresso (justo) às vitórias europeias, depois do injusto empate na Ucrânia e da amarga, mas também justa, vitória dada em pleno Dragão ao Sporting (perdoem-me os sportinguistas, mas não considero que o tenha Sporting ganho apenas por mérito; considero, isso sim, que foi mais demérito do Porto), os comandados de Lopetegui continuam a manter o mesmo estilo de jogo: posse de bola e jogo enervante. Para o adversário. Para nós. Mas a questão que me prende neste texto é o facto de Lopetegui manter no onze um jogador que pouco ou nada acrescenta à equipa: Casemiro. Foi só Rúben Neves entrar e o Porto voltou a ser dono e senhor do jogo. Porquê? Porque Casemiro está claramente numa forma penosa e Rúben Neves é, nesta altura, o melhor trinco do Porto e um dos maiores valores do campeonato português.

Não estou, com isto, a tirar valor ao jogador emprestado pelo Real Madrid. Porém, faço uso das minhas palavras num texto anterior sobre Óliver, no qual dizia, mais coisa menos coisa, por outras palavras, algo como: “Quintero merece uma oportunidade, Óliver precisa de ir para o banco”. Ninguém tira a Óliver o título de uma das maiores promessas do futebol espanhol, de longe o único “novo Xavi”. E é isso que penso de Casemiro. Um jogador de enorme potencial (faz-me lembrar Javi Garcia, pelo portento físico e pelas sucessivas “marretadas” que sabe dar sem ser falta, embora ao pé do espanhol ainda seja um bebé…), mas se não está numa forma minimamente aceitável, porque insiste o timoneiro dos Dragões em apostar no jogador? O meio campo do Porto, se jogar a três, tem dois jogadores que, pelas suas características, têm sempre de jogar: Rúben Neves e Herrera. Depois temos uma vaga para três: Óliver, Quintero ou Casemiro. Quintero parece-me ser aquele que, de momento, está em melhor forma e melhor encaixa no xadrez – com Brahimi e Tello, atenção; se jogarem Brahimi e Quaresma (que entrou a “reclamar” um lugar), penso que Óliver ou Casemiro serão as melhores opções. Não foi à toa que Lopetegui, ao colocar Quaresma, retira Quintero de campo. Mesmo que o jogador tenha saído com mazelas, na cabeça de um treinador antes de se ambicionar ganhar um jogo, tem de se ter a “garantia” de não o perder, e num jogo traiçoeiro como o de ontem, com um Bilbao atrevido no contra-ataque, deixar Quintero, Quaresma, Brahimi, Tello, Jackson e um já imensamente cansado Herrera em campo poderia ser um atestado de derrota antecipado.

Casemiro tem de ir para o banco Fonte: madridsports.e
Casemiro tem de ir para o banco
Fonte: madridsports.e

Posso estar a ser um pouco exagerado, mas continuo a achar que um onze constituído pelos jogadores que referirei abaixo é de longe o melhor em Portugal e que se Lopetegui deixar a rotatividade de lado, poucos serão os jogos não ganhos no campeonato e muito dificilmente não seremos justos campeões – Fabiano (Helton?); Danilo, Maicon, Indi e Alex Sandro; Rúben Neves, Herrera e Quintero (Óliver?); Brahimi, Quaresma (Tello?) e Jackson. Depois temos um banco de luxo, coisa que em anos anteriores nunca tivemos. Soluções não nos faltam, mas soluções são o que o nome indica: soluções! Não é para andarem a rodar todas as semanas quatro e cinco jogadores, ao estilo de Paulo Bento. É, isso sim, para ser estilo Mourinho no Porto – raramente jogava o mesmo onze, mas as alterações eram mínimas e esperadas, com as trocas de Alenichev (que saudades!) por Carlos Alberto, Jorge Costa por Pedro Emanuel ou Hélder Postiga por Benni McCarthy. Nunca todas de uma vez. É esse o único dedo que aponto ao meu treinador, no qual confio plenamente e o qual penso ser o homem indicado para levar o clube azul-e-branco de volta onde pertence: ao de campeão nacional e ao de grande referência europeia na Europa vinda de Portugal!

Nota final: é triste continuar a ver adeptos assobiarem a equipa em pleno estádio, ainda para mais quando fizemos um belo jogo (tirando os minutos iniciais da segunda parte, até ao golo) e ganhámos. Pede-se um pouco mais de contenção aos “adeptos” que são portistas só nas vitórias.

Redação BnR
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