Jupp Heynckes | O primeiro treinador alemão do SL Benfica

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Como classificas o trabalho de Jupp Heynckes na Luz?

 

A chegada de Roger Schmidt não é um exclusivo histórico em nenhuma vertente, apesar de ser um corte transversal com a recente política do clube em relação a treinadores – portugueses  desde 2008 – e de significar uma esperança em recuperar terreno para a vanguarda europeia, contratando alguém da mesma escola de alguns da moda como Rangnick ou Klopp.

Em 1999, o contexto desportivo do clube era tudo idêntico ao actual: não se vencia títulos há três anos, não se era campeão há cinco. Depois de Graemme Sounness, Vale e Azevedo arregaçou as mangas e foi recuperar o campeão europeu de 97-98 do ano sabático.

Jupp Heynckes, o alemão que fez o Real Madrid regressar ao topo da Europa 32 anos depois, fora despedido na semana seguinte a esse triunfo – além do medíocre 4º lugar no campeonato (a 11 pontos do Barcelona de Van Gaal, primeiro classificado), perdera o balneário dos ainda não galácticos. Pelo menos foi essa a razão apontada por Lorenzo Sans, presidente madridista.

Sentindo-se injustiçado pela exigência espanhola e desconsiderado pelo próprio sucesso, tirou férias. Obviamente que não se sentiu valorizado, ele que sempre estivera habituado aos maiores palcos – como treinador e jogador, já que levou o Borussia Monchengladbach às costas nos anos 70, com 218 golos em 309 jogos.

Quatro Bundesligas (três seguidas), uma Pokal e a UEFA de 1974-75, numa final onde despacha o Twente com hattrick e 5-1 no placard. Ainda perde uma final da Liga dos Campeões para o demolidor Liverpool de Shankly e Dalglish, em ’77.

A lenda também se construiu na selecção: com a Maanschaft é campeão europeu (1972) e mundial (1974), acumulando 39 internacionalizações e 14 golos. Sim, poderia ser melhor se não coabitasse com Gerd Muller, o mesmo que lhe tirou três troféus de melhor marcador da Bundesliga.

Como treinador, mantém a bitola. Aos 34 anos – estamos em 1979 – substitui o lendário Udo Lattek no banco do Monchengladbach. Um ano depois, é finalista da Taça UEFA – que perde frente ao Eintracht Franfurt. Está no clube até 1987, onde acumula boas campanhas internas e façanhas europeias, como os 5-1 ao Real Madrid em 1985-86, mas acaba sem títulos.

Isso não impede o Bayern de o ir buscar e é com os bávaros que se estreia nos troféus: duas Bundesligas e duas Supertaças. Em 1992 ruma a Bilbau para treinar o Athletic, em 94 volta á Alemanha para treinar o Frankfurt, experiência que lhe correu mal pela sua tendência de pôr tudo em causa pelos anárquicos métodos de liderança no balneário – Okocha e Yeboah já não o podiam ver à frente.

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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