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Era na cidade portuária croata bem junto à fronteira com a Itália, Umag, que se jogava uma das três provas alusivas à categoria 250 do circuito ATP, que de entre essas era a que possuía um elenco mais apelativo. Nos courts do Goran Ivanisevic Stadium marcavam presença como principais cabeças de cartaz e por esta ordem: Carlos Alcaraz que defendia pela primeira vez um título conquistado numa final diante de Richard Gasquet e que marcou a primeira conquista do murciano entre a nata da modalidade, Jannik Sinner, Holger Rune e Seba Baez. Também os transalpinos Fábio Fognini, Marco Cecchinato já vencedores da prova ou Lorenzo Musetti, surpreendente campeão de Hamburgo eram jogadores com chances de levar o caneco!
Postcards from 🇭🇷 Croatia always look this beautiful! 💛💙💚 We are waiting for you in Umag! @Croatia_hr #CroatiaYourLifeTimeExperience #CroatiaNaturallyYours pic.twitter.com/W4crQsVcVO
— Croatia Open Umag (@CroatiaOpenUmag) July 23, 2022
Foto de Capa: Croatia Open Umag
CASEIROS E FOGNINI “CAEM” NUMA 1ª RONDA MARCADA PELO CALOR
Com a imensa vaga de calor que tem assolado grande parte do território do velho continente a chegar, e em força, a Umag os termómetros ultrapassaram os 30ºC e os tenistas foram quem mais sofreu. Um dos convidados da organização de apenas 16 anos, Dino Prizmic, indicado como uma das jovens promessas croatas não aguentaria a forte canícula, numa altura em que apesar de ceder a primeira partida se estava a bater de igual para igual com o espanhol e especialista no pó de tijolo, sob o qual se disputava a prova, Bernabe Zapata Miralles, integrante atual do Top noventa. Quanto aos demais convidados da organização, todos muito jovens e croatas, embora toda a qualidade demonstrada seriam afastados com a maior experiência dos oponentes a prevalecer. No entanto ficaram excelentes indicações para um futuro que se espera risonho para a modalidade neste país de leste.
A maior surpresa da primeira eliminatória seria a derrota do veterano, sétimo pré-designado, o italiano e ultra inconsistente Fábio Fognini (54ºATP) diante do primeiro tenista 100% vegetariano a entrar nos 100 melhores do mundo e atual (99º ATP), o colombiano Daniel Galan, em mais uma exibição paupérrima em que as atitudes de Fábio se sobrepuseram à qualidade do seu ténis, ele que recorde-se não há muito tempo era Top dez batendo entre outros nomes grados como Nadal e Djokovic. Estará já o tenista de San Remo na fase descendente da carreira?
ESPECIALISTAS DE TERRA SURPREENDEM NOS OITAVOS!
Embora se diga que aos dias de hoje já não tendem a existir especialistas de uma determina superfície, tal ideia seria amplamente refutada nessa fase da competição, pois alguns dos tenistas mais cotados do quadro, enfrentando atletas que jogam grande parte do ano neste piso acabariam por sair prematuramente de cena: o vencedor do nosso Millennium Estoril Open, Seba Baez, que até se dá para lá de bem no pó de tijolo “tombaria “ para a história da semana no circuito ATP Franco Agamenone, italiano de 29 anos que iniciara a semana como 139º da hierarquia, num encontro em que o alviceleste chegou a servir para fechar mas o italiano incrivelmente lutador, tenaz e batalhador viraria o encontro de pantanas! Também o quinto favorito ao troféu o eslovaco Alex Molcan seria afastado pela “velha raposa” espanhola Roberto Carballés Baena que explorou em pleno as debilidades físicas do pupilo de Marian Vajda, acabando com as suas pretensões. Rune afastado por Zapata Miralles de forma assombrosa em três partidas e Lorenzo Musetti derrotado com uma estranha clareza pelo compatriota Marco Cecchinato seriam os outros tenistas credenciados que diziam adeus na eliminatória dos oitavos.
UM MISTO DE SURPRESA E INEVITABILIDADE NO CAMINHO PARA AS MEIAS!
Seria e depois dos triunfos esperados dos jovens prodígios e grandes favoritos a uma final, Alcaraz e Sinner, em apenas duas partidas que se assistiria à continuação de uma semana histórica nas carreiras de dois atletas do país em forma de bota de senhora provenientes da fase de qualificação: Giulio Zeppieri, de apenas 20 anos afastaria em três exigentes partidas Bernabe Zapata Miralles, oitavo finalista na catedral da terra batida, numa exibição assaz impressionante, principalmente no serviço por parte do novato que visitara Oeiras no começo da temporada. Contudo Franco Agamenone seguir-lhe-ia as pisadas e vulgarizando um ex quarto finalista de Roland Garros, onde afastou Djokovic nesse fantástico trajeto, Marco Cecchinato, que pouco mais fez que figura de corpo presente saindo derrotado por expressivos, mas justos: 6-1 e 6-2, com Franco a servir muito bem, respondendo ainda melhor, mostrando-se muitíssimo sólido da linha de fundo.
ENQUANTO QUE SINNER PASSEOU , ALCARAZ SUOU!
Carlos Alcaraz est à Umag 🔥
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— We Are Tennis France (@WeAreTennisFR) July 29, 2022
Com as meias finais a colocarem em rota de colisão tenistas de “galáxias” totalmente distintas, era de prever uma final entre os dois prodígios, e em minha opinião futuros líderes do ténis mundial. De facto tal acabaria por se concretizar embora conseguida de formas bem diferentes! Enquanto que o antigo esquiador alpino, Jannik Sinner, apurar-se-ia facilmente, terminando com o conto de fadas de Agamenone por contundentes: 6-1 e 6-3, já o fervoroso adepto dos “blancos” Carlos Alcaraz sofreria e muito para derrotar Zeppieri. Depois de um primeiro set vencido na raça, na luta e no sacrifício por Charly, por 7-5, mas no qual a exibição estava longe de boa, tendo anulado três pontos de set, o segundo não seria mais bem jogado pelo murciano, que alternava grandes pontos com erros pouco habituais que acabavam por permitir a Zeppieri continuar a acreditar. Tanto assim foi que Giulio forçaria o híper favorito a horas extra, embolsando com justiça o segundo parcial por 4-6. No derradeiro set e quando parecia finalmente descolar abrindo um 3-0 assente em duas quebras de serviço, foi então que estranhamente Carlitos voltou a ficar passivo, dando iniciativa ao adversário que não se faria rogado. Resultado: em menos de nada as duas quebras estavam anuladas! Mas foi então que o físico do italiano lhe pregaria uma valente partida e o desgaste da fase de qualificação à qual se juntaram os encontros no quadro principal passariam uma fatura ingrata, forçando-o a exibir-se em claras dificuldades, com Alcaraz a ter terreno livre para disparar as suas fortes e penetrantes direitas às quais Giulio nem tão pouco acorria. Desta forma e com um parcial final de 6-3 e após aproximadamente três horas de duelo, eis que Alcaraz defrontaria Sinner na grande final, numa exibição de muitos altos e baixos.
FINAL: SINNER VULGARIZA ALCARAZ E SOMA SEXTO TÍTULO ATP
Naquele que seria o terceiro confronto entre os atletas, com o face a face a registar uma igualdade, mas com o italiano a ter a confiança de ter superado o espanhol na relva de Wimbledon, o duelo principiaria de forma totalmente equilibrada. Basta dizer que não se registou qualquer ponto de break ao longo de todo um primeiro set no qual os serviços ditaram lei, com ambos a deterem grande vantagem sempre que a primeira bola aparecia. Sinner levava já cinco azes enquanto Alcaraz colecionava dois saques sem resposta. Com essa tendência a prevalecer ao longo dos doze jogos regulamentares, seria o tie-break a decidir, e aí o equilíbrio seria novamente latente com Alcaraz a abrir para 1-5 mas com Sinner a reagir de pronto, de resto seria após um ponto em que a capacidade defensiva do espanhol veio novamente ao de cima que e por 5-7 ficava resolvida uma primeira partida que durou mais de uma hora. O ponto de viragem do encontro dar-se-ia quando Alcaraz no segundo jogo do set dispôs de seis oportunidades para “roubar” o serviço a Sinner, não concretizando qualquer uma. “Sobrevivendo” a essa dura batalha, Jannik estaria a partir de então a um nível estratosférico, venceu o segundo parcial por 6-1 e repetiu a dose no terceiro fazendo com que Alcaraz tivesse reações pouco frequentes, vulgarizando-o por completo, por forma a somar o sexto troféu da carreira no circuito ATP e o primeiro conquistado sob terra batida, após um encontro de duas horas e meia .
Apesar da derrota , Carlos será o sexto jogador mais novo de sempre entre os quatro primeiros da hierarquia posição à qual ascenderá, já Jannik manterá a décima posição, mas caso confirme na temporada norte-americana de piso rápido este desempenho poderá inclusivamente trepar vários postos e intrometer-se na luta pelo Top cinco até ao final da temporada.
Como habitualmente o BNR acompanhará tudo. Até lá já sabe, fique na nossa companhia.













