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O lado certo da bancada

André Eusébio · 2 min

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Núcleo Semanal

Apesar de ser filho de um Sportinguista, em miúdo tive várias influências benfiquistas. O meu pai sempre disse que não me ia obrigar a ser do Sporting, pelo que os seus amigos do Benfica aproveitavam para me fazer a cabeça. Um deles chegou a oferecer-me uma camisola oficial dos encarnados. Hoje penso… e se a tivesse aceitado e ficado adepto do Benfica?

Muitos negam, mas a mim parece-me óbvio: Sportinguistas e Benfiquistas, no que concerne ao desporto, têm culturas totalmente distintas, o que até considero ser bastante normal – afinal, são clubes que nasceram em berços diferentes, com objetivos diferentes. A própria forma como assumiram o ano da sua fundação foi diferente. E se eu me identifico tanto com o meu clube e tão pouco com o rival, como poderia estar do outro lado?

Não sei se teria crescido com uma arrogância desmedida, a cantar de galo antes das vitórias acontecerem e a fechar os olhos a tudo o que me beneficiava. Não vale a pena supor com base nas características da maioria, até porque certamente me virão desmentir e dizer que os benfiquistas não são assim (o que é uma outra característica sua, a falta de autocrítica).

Mas é-me fácil perceber que me faltaria muito na vida. Faltar-me-ia a forma transparente de viver o desporto. O fair-play de admitir a inferioridade nas derrotas. A dignidade de apoiar os derrotados nas vitórias. O ecletismo das modalidades. A paixão dos adeptos. A onda verde que percorre o país quando os fãs mais fervorosos de Portugal sentem que o clube está no caminho certo. Faltar-me-ia, sem dúvida, um grande amor na minha vida.

Sábado vou ao Estádio da Luz jogar com o rival. Enfrentar o clube que eu poderia ter apoiado toda a minha vida. Eu próprio poderia estar ali, a gritar pelo clube da casa, se tivesse tomado uma opção diferente. Não estarei. E eles podem obrigar-me a entrar meia hora mais tarde no recinto, podem colocar-me numa jaula, podem até derrotar-me de uma forma “limpinha”. O que importa é que, no final, continuarei com a minha maior certeza. A certeza de estar no lado certo da bancada.

André Eusébio

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