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Jogadores Que Admiro #32 – Krassimir Balakov

Ricardo Figueiredo · 3 min

Jogadores Que Admiro #32 – Krassimir Balakov

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Não seria justo dizer que o Krassimir Balakov foi o meu primeiro ídolo no Sporting, uma vez que esse espaço foi preenchido pelo Fernando Gomes, que, apesar de ser um símbolo vivo do FC Porto, soube, com grande profissionalismo, finalizar a sua carreira em Alvalade com grandes exibições e muitos golos, ficando naturalmente na retina a sua contribuição decisiva para a fantástica campanha leonina na Taça UEFA 1990/91, apenas travada nas meias-finais, diante do então super-poderoso Inter de Milão de Zenga, Brehme, Bergomi, Matthäus ou Klinsmann.

Essa eliminatória, aliás, pareceu quebrar um ciclo para mim, porque ao mesmo tempo que Fernando Gomes entrava nos meses finais da sua carreira (retirar-se-ia poucos meses depois), começava a despontar em Alvalade o internacional búlgaro que o Sporting havia recrutado a meio dessa temporada de 1990/91 ao Etar Tarnovo, o mágico Krassimir Balakov.

É certo que, nos tempos que correm, a palavra “mágico” é usada de forma excessiva para classificar alguns jogadores que, apesar de talentosos, certamente não mereciam essa distinção. Mas esse, na verdade, jamais foi o caso do “Bala”, jogador que, durante os anos em que envergou a camisola verde-e-branca, foi sucessivamente o melhor jogador do Sporting e isso num período onde nomes como Stan Valckx, Paulo Sousa ou Figo passaram por Alvalade.

Dos melhores que já passaram por Alvalade Fonte: Facebook Oficial de Balakov
Dos melhores que já passaram por Alvalade
Fonte: Facebook Oficial de Balakov

Ao todo, em quatro épocas e meia em Lisboa, entre Dezembro de 1990 e Junho de 1995, Krassimir Balakov somou 156 jogos e 60 golos pelo Sporting, sendo que estas seis dezenas de tentos não podem ser apenas avaliadas pelo aspecto quantitativo, mas, também, pelo qualitativo. Afinal, quase todos os tentos do internacional búlgaro eram dotados de nota artística, ou não tivesse ele um pé esquerdo capaz de colocar a bola onde queria e de onde queria.

As bolas paradas, então, eram a sua especialidade, sendo que um livre directo à entrada da área levava quase sempre o público de Alvalade à expectativa de um golo iminente. E se esse livre fosse descaído para o lado direito e à medida da canhota do “Bala”, dificilmente se enganariam.

Ainda assim, é óbvio que o estatuto de lenda que certamente Krassimir Balakov sempre conservará entre os sportinguistas está longe de se dever apenas ao dom que o búlgaro tinha para as bolas paradas. Este, afinal, transpirava classe em todos os seus movimentos, jogando como um “dez” puro, daqueles que o futebol moderno tenta “assassinar” mas que, de quando em vez, ainda vão aparecendo por aqui e por ali (confio muito em ti, Bernardo Silva).

Falamos de um jogador com uma superior visão de jogo e uma condução de bola soberba, quase “maradonesca”, que tantas vezes redundou em jogadas fantásticas e golos de antologia, como um, no Bonfim, em que fintou meia equipa do Vitória de Setúbal (guarda-redes incluído), para depois atirar para a baliza deserta. Depois, graças ao seu pé esquerdo fabuloso, era igualmente um mestre do drible e de fantásticos passes de curta, média e longa distância.

Infelizmente nunca atingiu o patamar de reconhecimento que merecia, muito por culpa da opção de carreira que tomou quando abandonou o Sporting, aos 29 anos, e transferiu-se para o Estugarda, emblema com algum peso no futebol alemão, mas curto para o talento de um jogador que certamente merecia palco mais grandioso para o epílogo da sua carreira.

Certo é que, no Sporting, em 32 anos de vida, jamais vi melhor com a verde-e-branca vestida.

Foto de capa: Facebook Oficial de Balakov

Ricardo Figueiredo

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