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Gelo Fino

André Eusébio · 2 min

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portosentido

Após um grande início de campeonato, com bom futebol e destruição total dos adversários, o Porto está em quebra. De jogos muito conseguidos, com golos e sem conceder pontos, o Porto está instável. Com os jogadores em boa forma – alguns, como Lucho, numa forma excepcional – não se percebe por que há tanta dificuldade.
Pondo o plantel de parte, a culpa cai em Paulo Fonseca. O ex-treinador do Paços mostrou trabalho para treinar o Porto. Não é estranho ver Paulo Fonseca a treinar um dos “grandes”. Porém, após o período magno, onde tudo parecia correr bem, sem qualquer perturbação, a situação já não é tão risonha. A pressão da cultura de vitória, própria do Porto, aparenta estar a afectar Paulo Fonseca. O treinador que outrora era sereno, confiante e de pulso firme pode estar a perder o controlo da equipa.

O caso mais sonante foi o de Jorge Fucile. Saiu a público que houve mais do que um desentendimento entre treinador e jogador. Embora Fucile não seja uma das peças centrais do Porto, é uma situação que cria uma mossa. Mais importante do que um caso com um jogador é a forma da equipa. Desde a derrota em casa com o Atlético de Madrid que o Porto não voltou a ser o mesmo. Esse jogo marcou um ponto de viragem a partir do qual o Porto começou a vacilar.

Momentos como estes são os que fazem grandes treinadores. Pois, Paulo Fonseca não conseguiu ser um grande treinador naquela situação. Dragão ferido tem de lamber as feridas e seguir em frente rumo à vitória que não conseguiu no passado. O Porto de Paulo Fonseca parece ainda preso naquele momento. As feridas não foram tratadas e o dragão coxeia. Um dragão coxo não possui a imponência que lhe está inerente. Vejamos os factos, depois do Atlético, o Porto não venceu nenhum dos jogos europeus contra o Zenit e tem o apuramento em risco. No campeonato, as vitórias que teve foram sempre sofridas e sem grande segurança. Mais recente ainda, dois empates seguidos para a Liga. O Porto, que seguia isolado, está agora apenas 1 ponto à frente dos principais rivais.

Paulo Fonseca não é um treinador idolatrado. Na verdade, as opiniões face ao treinador portista divergem entre apoio incondicional e desconfiança absoluta. Se tem qualidade? Se não tivesse qualidade Pinto da Costa nunca o teria convidado a orientar os campeões nacionais. Se transmite confiança? Para mim, começa a dar sinais de sucumbir à pressão. No futebol, há momentos de forma. Estes não se aplicam apenas aos jogadores. Paulo Fonseca está, para mim, num baixo momento de forma. Há sempre espaço para melhorar e mudar as opiniões das outras pessoas. Enquanto portista, estou a espera que Paulo Fonseca me faça mudar de opinião. Neste momento, Paulo Fonseca está sobre gelo fino.

André Eusébio

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