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Tempo de mudança

Redação BnR · 3 min

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Nova era no Dragão. 21 janeiro marca o primeiro dia do resto da temporada azul e branca. José Peseiro é o homem escolhido por Pinto da Costa para dar um rumo a uma equipa desnorteada. Depois de Julen Lopetegui, chega a vez de Peseiro comandar o FC Porto. Depois de Sporting e Sporting Braga, os dragões são mais uma experiência de fogo para o técnico.

Os últimos tempos da vida azul e branca têm sido tudo menos fáceis. Depois da eliminação na Liga dos Campeões, foi quase sempre a descer. A liderança inesperada no campeonato deu uma falsa ideia de recuperação. Imagem rapidamente ultrapassada após a derrota com estrondo em Alvalade. A partir daí, a confiança da equipa perdeu-se e, até hoje, os resultados têm sido quase sempre negativos. A liderança do campeonato está já a 5 pontos e o terceiro lugar na liga é um fardo para quem chega para uma equipa que mentalmente está de rastos.

José Peseiro não parte definitivamente do zero. Peseiro parte do -5, e por isso a tarefa parece tão complicada à partida. Admito que não fiquei muito surpreendido com a escolha do presidente. Falou-se de André Villas Boas, Leonardo Jardim, Marco Silva e Sérgio Conceição mas, por diferentes razões, todos estes nomes eram difíceis de serem conseguidos. A meio de uma temporada, dificilmente se consegue um grande nome do futebol europeu para se liderar um projeto como o do FC Porto. Surgiu, por isso, o nome de Peseiro. Devo admitir que José Peseiro mas faz lembrar aquele amigo que toda a gente tem mas que raramente é lembrado. Isto porque, ao olhar para a lista telefónica, todos sabem que ele sempre esteve e sempre estará lá e, por essa razão, passa tantas vezes despercebido. Confesso que, olhando para José Peseiro, nunca percebi o porquê deste ser tão esquecido pelos clubes e pela crítica em Portugal.

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José Peseiro assina por época e meia
Fonte: fcporto.pt

É certo que existe um Peseiro antes e depois da sua passagem pelo Sporting. Até àquela mítica época 2004/2005, o coruchense era quase um deus entre os seus pares. O excelente trabalho no Nacional da Madeira, conjugado com a passagem pelo Real Madrid de Carlos Queiroz, fez de Peseiro um alvo apetecível para os grandes portugueses. Uma imagem que foi ficando mais vincada numa época onde os três grandes perderam pontos atrás de pontos e que terminou com o golo de Luisão a Ricardo como ponto alto e decisivo do título benfiquista. Perdido o título nacional e a Taça Uefa, em pleno Estádio de Alvalade, num espaço de 4 dias, tudo desabou para Peseiro. Na altura, José Peseiro não teve o apoio que, nas mesmas circunstâncias, outros treinadores tão venerados em Portugal tiveram nas últimas temporadas.

A época leonina, que podia ter sido de sonho, terminou num pesadelo que Peseiro, meses mais tarde, não aguentou. Depois do Sporting, houve quase uma travessia no deserto para ele. Do nada, António Salvador, em 2012, foi buscá-lo para liderar o projeto do Sp. Braga. O 4.º lugar no campeonato, atrás do surpreendente Paços de Ferreira, terá sido decisivo para que a ligação terminasse no final da temporada. Isto apesar de Peseiro, no meio de tantos supostos génios que já passaram pela pedreira, ter sido o único a dar um título aos bracarenses.

A verdade é que, mesmo com a conquista da Taça da Liga, Peseiro continuou a ser o mesmo amigo de lista telefónica que raramente é convidado para as grandes festas. Depois de tantos anos de carreira, o título de perdedor continua vinculado a Peseiro. Terá, dirão alguns, no FC Porto a oportunidade de se livrar desse rótulo. Para mim, o mais importante é que, a partir deste dia, Peseiro seja sempre Peseiro. Com isto virá, tal como afirmou na apresentação, uma ideia de jogo diferente. Melhor ou pior, os jogos e os resultados o dirão. Mas, no meio de uma época e de uma equipa com tantas dúvidas e tão poucas certezas, uma coisa é certa: Peseiro ainda vai a tempo de salvar a época. Queiram os jogadores e toda a estrutura que isso aconteça. Só assim o FC Porto pode ser mais forte nas batalhas que ainda vêm aí. Com ou sem pés frios.

Redação BnR

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