O triunfo dos esforçados

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Depois de na semana passada ter falado sobre os talentos do ténis, esta semana vou dar o lugar aos esforçados. Aqueles que, não sendo prodígios da modalidade, trabalharam diariamente e lutaram para chegar onde chegaram; e felizmente hoje em dia temos bons e vários exemplos desse tipo de tenistas bem classificados.

É indissociável falarmos de tenistas esforçados e não falarmos de David Ferrer. O nº3 do ranking mundial ATP é o exemplo máximo de alguém que, não tendo nenhum talento em especial, conseguiu atingir um nível de trabalho e de capacidade de sacrifício que lhe permitiu chegar onde está actualmente.
Pessoalmente, considero que é impossível não simpatizar com Ferrer. O “patinho feio” da armada espanhola não é o mais bonito nem veste roupa das melhores marcas, mas está à frente de Murray e Federer no ranking mundial, e ver o seu jogo é sinónimo de ver um jogo certinho, tecnicamente limpo, bem disputado, e sobretudo aguerrido, sem nunca desistir do ponto, sem dar um ponto por perdido – e isso motiva não só quem está do outro lado como também quem assiste, tendo a possibilidade de ver quase sempre um encontro longo, tacticamente pensado, no qual o protagonista coloca tudo o que tem em campo.

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Stanislas Wawrinka
Fonte: ABC

Dentro do top10 do ranking mundial podemos também falar de Stanislas Wawrinka; o segundo melhor suíço da classificação do ténis sempre viveu à sombra de Roger Federer, mas parece que o decréscimo do “number one” coincidiu com a melhoria de forma de Wawrinka.

O suíço que deixou a mulher e a filha para se dedicar exclusivamente ao ténis tem nesta história de vida a tónica para uma carreira que tem estado em crescimento e que proporcionou já à História do ténis duelos épicos como o encontro a cinco set’s frente a Novak Djokovic, no Austrália Open, que terminou com um 12/10 ao fim de cinco horas. Wawrinka não é também o tenista mais talentoso do mundo, apesar de ter uma das esquerdas a uma mão mais bonitas do circuito, mas, fruto do seu empenho em relação à modalidade, conseguiu melhorar o seu jogo, sendo actualmente um tenista mais sólido e mais coeso ao longo de todo o seu jogo.
Stanislas Wawrinka tem já no currículo uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em Pares, ao lado de Roger Federer. Fosse Wawrinka mais novo e a Suíça teria um tenista de top para garantir a continuidade do país no top10 do ranking mundial. Ainda assim, Stanislas Wawrinka está a atravessar a melhor fase da sua carreira e poderão chegar mais alegrias para os seus adeptos.

Mais uma vez, e estabelecendo um paralelismo com Portugal, Frederico Gil é um tenista que, não sendo um portento no que toca ao talento, conseguiu, fruto do seu empenho e trabalho, chegar onde chegou, e a motivação que o leva todos os dias a entrar em court para treinar deu os seus frutos. Gil pode não ter o talento de um Pedro Sousa (apontado como um dos mais talentosos da sua geração), mas revelou ao longo dos anos uma capacidade de trabalho brutal e que deu resultados.

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