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A Troika deles

Tomás Gomes · 2 min

A Troika deles

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Chamem-me sonhador, chamem-me o que quiserem. Digam que não percebo nada de futebol, digam que que tenho palas nos olhos. Gritem colinho, façam piadas da Merkel e voltem a chamar-me ignorante. Eu não me importo. Porque tudo o que vocês disserem, disseram-no com mais força e num tom de gozo insuportável no início da época. As coisas mudaram. Nem eu acreditava… Se chegámos até aqui… Que mal há em continuar a acreditar?

Trocámos a pré-temporada por milhões. Os primeiros jogos foram horríveis. Não parecia sequer uma equipa. O Benfica, o bicampeão, tão conotado à garra e à união parecia partido. Em vez de uma equipa era onze jogadores despejados para um relvado. Não havia fio de jogo, a linha defensiva era fraca, desorganizada e penetrável. O meio campo era desnorteado e não sabia compensar a defesa nas subidas dos alas. O Gaitán jogava sozinho… A ala direita era uma incerteza, os golos não entravam… O mais fácil foi cair em cima do treinador. Claro. Também eu o fiz. Quem? Aquele homem não tem pedal para um grande! Dizia-se. E ele acreditou. Lentamente foi recuperando os resultados. Primeiro em casa e depois lá fora. Fomos andando e crescendo de rendimento. Fez-se uma equipa.

Chegámos onde chegámos por mérito próprio. Ninguém me tira da cabeça que podemos marcar na Alemanha. Um rasgo de génio do Gaitán, uma bomba do Eliseu, uma cabeçada certeira do Jardel ou Mitroglou… Qualquer coisa. O importante é jogarmos de olhos nos olhos do adversário e aproveitar o excesso de confiança que se vai disfarçando nas conferências antes dos jogos em que os alemães deixam elogios rasgados ao Benfica.

Esperemos que o Gaitán esteja nos seus dias de sonho Fonte: #SLBenfica
Esperemos que o Gaitán esteja nos seus dias de sonho
Fonte: #SLBenfica

O favoritismo não é nosso, mas nós somos o Benfica. Estamos entre os maiores do mundo e já há muitos anos que devíamos estar a competir a este nível. Há um simbolismo enorme nesta eliminatória e que pode marcar o regresso dos encarnados a este nível, a estas fases decisivas. Eles não são invencíveis, têm lacunas. Temos uma defesa capaz e um pragmatismo reconhecido. É uma oportunidade de fazer história. Que Rui Vitória, Jonas e Gaitán sejam a Troika deles, que Jardel, Ederson e Lindelof sejam a austeridade dos alemães, que Eliseu seja o nosso bombardeiro.

Crescemos tanto que sonhar só pode (e tem de) ser legítimo!

Tomás Gomes

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