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De qualquer das formas, era um jogo em casa do rival, aquele que poderia ser o último da série, portanto; tarefa, ainda assim, complicada, na teoria, para os homens comandados por Lebron James. O anel tão desejado e que parecia estar, novamente, a escapar passa de uma simples miragem para um verdadeiro oásis no deserto. Os Cavs vencem categoricamente esse jogo. Cumprem, no jogo seguinte, em sua casa, e levam o desfecho destas excelentes finais para a última e decisiva partida, a negra: o Game 7.

Fonte: Boston Herald
O último jogo. Festa enorme na Oracle Arena, casa dos Golden State Warriors, incrível receção à equipa da casa e muito respeito pelos outros finalistas, Cleveland Cavaliers. O jogo começa forte para os Cavs, com um parcial de 4-0, e os Warriors respondem com um parcial de 8-0 e com seis pontos a virem por meio de, claro, triplos, a maior fonte de rendimento destes Warriors (15 triplos ao todo nesta final). Lebron e Green já neste primeiro período (que terminou bastante equilibrado) mostravam que iam ali para discutir ao milímetro o título de MVP das finais.
As imensas viragens no marcador constituíram um dos destaques deste jogo. O equilíbrio foi a nota dominante, do princípio ao fim. Ainda assim, no final do segundo período, os Warriors conseguiram uma vantagem de sete pontos, algo que poderia ter sido decisivo para o desfecho final. A resposta imediata dos Cavs, no início do terceiro período, permitiu voltar a empatar a partida. Mesmo assim, no final do período, tínhamos Golden State novamente em vantagem, desta vez por um ponto apenas.
No último período, com dois minutos ainda por jogar e o jogo empatado a 89, provavelmente um dos momentos decisivos desta final: Curry encontra Iguodala livre, passa-lhe a bola e dois pontos “fáceis” transformam-se num dos melhores blocks na história das finais da NBA. Quem o fez? Pois, claro, Lebron James. Vindo bem de trás, consegue incrivelmente chegar ao pé de Iggy e, numa incrível impulsão, com a mão direita impede que a bola entre. Pouco depois, se James tinha preparado o embrulho, Kyrie Irving (não fossem os grandes jogos do “King” e teria sido o MVP destas finais) meteu o laço, e “na cara” do MVP Stephen Curry faz o triplo mais importante do jogo todo, com menos de um minuto para terminar no relógio.
De nada serviram as tentativas finais dos Warriors para voltar a empatar o jogo. Curry termina com um triplo falhado, talvez numa pequena representação (não no total, claro, porque, ainda assim, fez bons jogos) do quão menos espetacular foi e o quão menos decisivo foi, pelo menos em relação ao que deveria ter sido. Não se mostrou tão assertivo como seria de esperar e a equipa ressentiu-se disso, claramente.
No fim de contas, festa para os Cavs, Lebron James em lágrimas e uma cidade inteira em alvoroço. Um dos melhores jogadores de sempre cumpriu o que prometeu. Voltou à sua cidade e “ofereceu-lhes” o tão desejado e ambicionado título, o primeiro da sua história!

Fonte: Golden State Warriors
Não houve mais comemorações para os históricos Golden State Warriors, aqueles que conseguiram bater o recorde dos Chicago Bulls de Michael Jordan na fase regular, com o maior número de vitórias. Um feito incrível e uma época regular épica, com imensos recordes coletivos e individuais batidos, não foram coroados como deveriam ter sido. O anel esteve bastante tempo nos dedos dos jogadores, mas acabou por não se fixar da melhor forma e os Cavs “roubaram-no” com uma grande mestria.
Se de um lado não existiu mais história, do outro houve bastante para contar. Além do tal primeiro título para a população de Cleveland (fim do jejum que durava desde 1964, altura em que os Browns venceram na NFL), nunca ninguém tinha virado uma final da NBA que estivesse em 3-1 para a equipa adversária! Lebron demonstrou que ainda pode ser considerado o melhor jogador da atualidade e que terá um lugar à sua espera no “Olimpo da NBA”.
Apesar de não ter estado bem no lançamento (9-24), Lebron voltou a fazer um triplo-duplo, juntando-se ao clube dos jogadores que fizeram TD’s num Jogo 7 e, igualmente, conseguindo o seu 7.º TD numa final e estando apenas a um, em finais, do também lendário Magic Johnson. Foram 27 pontos, 11 ressaltos e 11 assistências. A juntar a isto, 3 blocos, todos eles essenciais e em fases decisivas, principalmente o seu último ao Iguodala. Foi uma enorme dedicação, resiliência, espírito de sacrifício e imensa qualidade demonstrada por parte de um dos melhores e mais atléticos jogadores que este jogo já teve o prazer de ver.
Em relação a destaques individuais, para além do MVP das Finals, Lebron James (que terminou, pela primeira vez na história, como o líder em pontos, ressaltos, assistências, roubos de bola e blocos de uma eliminatória, incrível), há que destacar, claramente, o seu “fiel escudeiro”, Kyrie Irving! Além de ter decidido o jogo com o tal triplo, fez 26 pontos e acrescentou uma grande capacidade de envolvimento com a equipa e decisão. Love não esteve tão bem, mas, ainda assim, aos 9 pontos, acrescentou 14 ressaltos e, num dos últimos lances da partida, defendeu de forma excelente as manobras de Curry para fazer um triplo que voltasse a empatar o jogo.
Thompson foi mais importante noutros jogos (a sua capacidade como ressaltador, quer defensivamente, quer ofensivamente, é incrível, parece quase sempre saber onde a bola vai cair), mas também contribuiu neste e JR Smith foi crucial em 2 momentos com os seus triplos, para responder aos vários triplos vindos dos Warriors. Fez talvez os 12 pontos mais importantes da sua carreira, todos eles ou quase todos em alturas onde a equipa precisava mesmo de marcar para não deixar os Warriors fugirem.

Fonte: Cleveland Cavaliers
Do lado dos ex-campeões da NBA, Draymond Green foi, mais uma vez, o claro destaque da equipa. Uma exibição “à MVP” com 32 pontos (melhor marcador do encontro), com 11 lançamentos certeiros em 15 tentativas, 15 ressaltos, 9 assistências e 2 roubos de bola. E foi também o “melhor triplista do dia”, com 6 triplos (em 8 tentativas). De facto, se há alguém que merecia mais a vitória nesta final do que todos os outros dentro dos Warriors, esse alguém foi Green, por tudo o que fez ao longo destes 7 jogos, mesmo tendo sido suspenso por 1 jogo.
Curry e Thompson nunca tiveram verdadeiramente ao seu nível “máximo” e a equipa ressentiu-se disso. Neste último jogo, Curry fez 17 pontos (4 triplos), mas esteve particularmente infeliz nalgumas situações, com 4 faltas e 4 turnovers. Thompson fez 14 pontos, mas lançou mal ao longo de todo o jogo. O banco não acrescentou o que costuma acrescentar e notou-se claramente a ausência de um Center com outra categoria. De notar o respeito da equipa de Golden State, no final, perante os Cavs. Principalmente Green e Curry a mostrarem grande consideração e fair-play não só pelos Cavs mas também para com o Lebron e este a corresponder da mesma forma. Era assim que deveria ser sempre no final, por muitas picardias que possam existir durante os jogos.
Terminou assim mais uma incrível época de NBA, mais um ano de puro espetáculo e entretenimento ao mais alto nível. Uma final histórica, equilibrada (foi o único jogo em que não houve uma diferença maior do que 10 pontos no resultado final entre as duas equipas) depois de uma época histórica. Os Warriors não conseguiram juntar o anel ao recorde da fase regular e os Cavs aproveitaram e conquistaram o primeiro título da sua história, sob o comando de Lebron “King” James. Continuem por aí na “Summer Season” e até à próxima época (sendo adepto dos Lakers, estou particularmente interessado no draft que aí vem, claro), caros fãs da NBA!
Foto de Capa: Cleveland Cavaliers












