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Os departamentos de comunicação dos clubes de futebol são cada vez mais profissionalizados e cuidados nos seus desempenhos. Apesar de funcionarem com objetivos semelhantes, as estruturas utilizam estratégias bastante diferentes, um pouco condizentes, diga-se, com a tradição e história dos clubes.
Apesar de a guerra mais ríspida se notar entre Sporting Clube de Portugal e Sport Lisboa e Benfica, vou começar por um episódio recente entre os “leões” e o Futebol Clube do Porto. No mais recente clássico, disputado no último fim de semana de agosto. Os “dragões” alegam que foram prejudicados pela arbitragem, algo que não é partilhado pela esmagadora maioria da opinião pública. Durante e depois da partida, as contas oficiais dos dois clubes no twitter esgrimiram argumentos, com os dragões a partilharem imagens, “frames” de supostos erros de arbitragem no clássico, ao bom estilo do “paineleiro” Pedro Guerra. Tendo em conta a pessoa que os “azuis e brancos” estão a imitar, está tudo dito sobre a credibilidade dos argumentos. Já o Sporting, tendo ganhado, pôde responder com humor, tendo partilhado, por exemplo, uma imagem de Gelson Martins a festejar o golo da vitória. Ver o FC Porto a queixar-se de arbitragem é tão ridículo como um caloteiro acusar alguém de lhe dever dinheiro. Contudo, o Sporting até respondeu com alguma classe, não respondendo às acusações inúteis dos “azuis e brancos”. Nem sempre a resposta do Sporting CP é a mais adequada, mas desta vez podemos ficar satisfeitos com o resultado.
Já a luta com o SL Benfica atinge proporções estratosféricas, tanto pela rivalidade gigante entre os dois clubes da Segunda Circular, como pelas técnicas utilizadas pelos “encarnados” e a dualidade de critérios gritante da comunicação social no tratamento da informação relativa aos dois clubes. Sobre isto, existe tema para muita conversa.
Este mercado foi fértil em histórias que podem ilustrar esta guerra. O episódio mais recente foi o dia em que o Sporting CP conseguiu o empréstimo do extremo Lazar Markovic, um antigo prodígio encarnado. Este anúncio, que fez com que Rui Gomes da Silva ficasse cabisbaixo em direto, foi feito pouco antes da consumação do maior negócio entre clubes portugueses por um jogador português: a contratação de Rafa, que terá custado entre 16 e 18 milhões aos cofres da Luz. Dois extremos contratados no mesmo dia, que deram azo a uma enchente de benfiquistas enraivecidos na conta de Instagram do jovem sérvio, que vem do Liverpool para Alvalade. Rui Gomes da Silva, ou “O Imbecil”, segundo palavras de Jorge Nuno Pinto da Costa, deu assim seguimento a uma semana horrível, pois, qual Professor Karamba, tinha previsto uma derrota do FC Porto em Roma e uma vitória dos “azuis e brancos” em Alvalade. Das duas uma: ou Rui Gomes percebe zero de futebol (a hipótese que me parece mais plausível), ou teve simplesmente azar nos seus prognósticos. O negócio Rafa deu também azo a que os jornais inventassem uma suposta derrota do Sporting frente ao Benfica na corrida pela contratação do internacional português. Esta arma da comunicação social é bem conhecida dos sportinguistas. Quem não se lembra de o FC Porto ter, supostamente e segundo “fontes inatacáveis”, roubado os prodígios Suk e Marega ao Sporting no passado mercado de janeiro?

Frame: TVI
Voltando aos “paineleiros”, é quase obrigatório falar no comentador benfiquista da TVI24, pois é uma pessoa que não passa despercebida. Desde os famosos “frames” que supostamente provam erros de arbitragem no futebol, que é um jogo em constante movimento, até ao conhecimento alegadamente enorme que o indivíduo tem da personalidade de JJ e dos meandros do Sporting, as segundas feiras à noite são povoadas por constantes chorrilhos de disparates. Eu diria até que ele tenta denunciar episódios do Sporting, da mesma forma que noticiou o episódio do “camião” de Luís Filipe Vieira. Se até os benfiquistas conseguem ter vergonha de o ouvir, que dizer dos sportinguistas?
Além dos programas televisivos, onde estes comentadores conseguem manipular as opiniões de uma larga franja de telespetadores, existem os próprios jornais, órgãos de comunicação social supostamente independentes, que deixam muito a desejar devido a alguns protagonistas e artigos. Que diriam os jornais se o Wolverhampton fosse a “casa dos renegados” do Sporting como é do Benfica? Onde é que estão aqueles que se abespinharam por causa de o Sporting não pagar à Doyen, quando o Benfica renova constantemente o contrato a Ola John, tem negócios muito “esquisitos” com Jorge Mendes (o famoso carrossel que envolve Benfica, SC Braga, Mónaco, Valencia e agora Wolverhampton, entre outros) e até com acusações de lavagem de dinheiro, vindas do Paraguai? A resposta é fácil: não se pronunciam.
Aqueles que criticaram Bruno de Carvalho por atacar a intervenção estupidamente excessiva dos empresários no futebol vieram agora criticar também a intervenção do empresário de Rafa no negócio mais badalado do momento. Tudo serve para criticar Bruno de Carvalho. Esta perseguição chega ao ridículo de criticar o presidente leonino por lutar ferozmente pela introdução de novas tecnologias no futebol, algo que toda a gente já viu que vai beneficiar a verdade desportiva. Quando chega a hora de falar dos “vouchers” oferecidos pelo Benfica a juízes supostamente independentes, mais uma vez ninguém se pronuncia. Tudo pela manutenção do futebol como um pântano de onde é difícil retirar a corrupção e a viciação de resultados.

Fonte: Sporting CP
Felizmente, Bruno de Carvalho refreou as suas intervenções no Facebook. O Sporting não pode compactuar com práticas miseráveis que são utilizadas pelo rival, que as utiliza por via oficial ou por via dos seus pontas de lança, que se portam na comunicação social como o Jonas em frente às balizas. Felizmente o Sporting tem os melhores adeptos do país, e as balas que vêm do outro lado da Segunda Circular batem num escudo forte: o escudo da noção.
Foto de capa: Sporting Clube de Portugal













