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Pista Curta, hegemonia longa: Sporting faz o pleno e deixa Benfica para trás | Atletismo

Diogo Ferreira · 4 min

Pista Curta, hegemonia longa: Sporting faz o pleno e deixa Benfica para trás | Atletismo

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Fim de semana histórico no Fórum Braga. Dois anos depois, o Sporting CP recuperou o trono masculino e manteve a coroa feminina, selando uma “dobradinha” autoritária nos Campeonatos Nacionais de Clubes de Pista Curta. Num duelo titânico com o SL Benfica, decidido no pormenor, na tática e na profundidade das equipas, o leão rugiu mais alto no Minho.

Quem entrou no Fórum Braga este fim de semana sentiu o peso da história e a eletricidade da rivalidade. Com as bancadas praticamente cheias, o atletismo português viveu dois dias de exaltação, onde cada ponto foi disputado como se fosse o último. O Sporting CP chegou ao Minho com uma missão clara: acabar com o jejum de dois anos no setor masculino e cimentar o domínio no feminino. Missão cumprida com distinção.

SÁBADO: O VOO DE BALDÉ E A GUERRA DOS CENTÉSIMOS

O primeiro dia foi desenhado a verde e branco, mas teve contornos de suspense. O momento que definiu o campeonato aconteceu na caixa de areia: Gerson Baldé desafiou a gravidade e “voou” para uns estratosféricos 8.32 metros, estabelecendo um novo Recorde Nacional de Pista Coberta. Foi o tónico anímico que a equipa de Alvalade precisava.

Na velocidade pura, o Sporting foi demolidor. O olímpico Emmanuel Eseme (6.62s) não deu hipóteses nos 60m masculinos, enquanto no setor feminino, a jovem Beatriz Castelhano p  bateu a favorita Arialis Martinez e fixou um novo recorde nacional sub-23 (7.33s).

Mas a verdadeira “guerra” travou-se nos 400 metros. Num duelo de titãs, o experiente Omar Elkhatib (Sporting) e o prodígio Pedro Afonso (Benfica) lutaram metro a metro. A vitória sorriu ao leão por uns ínfimos dois centésimos (46.86s contra 46.88s), num final dramático que fez tremer o pavilhão.

O Benfica resistiu como pôde ao vendaval. Salomé Afonso foi imperial nos 1500m femininos, com uns últimos 200 metros brutais, e Agate Sousa segurou o forte no comprimento (6.69m). Já perto das 22h00, num pavilhão quase vazio, Pedro Buaró lutou sozinho contra a fasquia na vara, garantindo a vitória com 5.40m, mas sem conseguir evitar que o Sporting dormisse na liderança de ambos os setores. Destaque ainda para a “eternidade” de João Vieira, que na marcha bateu o benfiquista Eduardo Camarate, e para o lançamento de classe mundial de Auriol Dongmo (19.15m) no peso.

DOMINGO: A RESPOSTA DE NADER E O XEQUE-MATE TÁTICO

O dia de todas as decisões amanheceu com o Benfica obrigado a arriscar. E a resposta veio no duelo mais aguardado do fim de semana: os 3000 metros masculinos. Isaac Nader (Benfica) e José Carlos Pinto (Sporting) protagonizaram uma batalha tática que explodiu nas últimas voltas. Nader, com um motor de Fórmula 1, disparou para a vitória (8:11.30), batendo no peito e apontando para o símbolo encarnado num grito de “eu estou aqui”, numa clara mensagem de vitalidade das águias.

Contudo, campeonatos ganham-se com equipas, e o coletivo do Sporting foi irrepreensível na resposta. Nos 800 metros, a tática falou mais alto: Patrícia Silva bateu Salomé Afonso e David Garcia impôs a sua força bruta na reta final, garantindo 16 pontos cruciais que começaram a fechar as contas. Nos concursos, Tsanko Arnaudov dominou o peso (18.64m) e anulou a recuperação tentada pelas vitórias do Benfica no triplo salto (Tiago Pereira com 15.94m e Amélia Pinga com 12.81m).

Se Nader teve a celebração, Mariana Machado (SC Braga) teve a emoção. Nos 3000m femininos, a correr em casa, a bracarense travou um duelo ombro a ombro com Teresiah Gateri (Benfica). Ambas cortaram a meta com o mesmo tempo (09:01.86), mas o photo-finish deu a vitória à atleta da casa, levando as bancadas ao delírio.

Houve ainda espaço para o futuro brilhar: no salto em altura, o jovem de 18 anos Eduardo Carrolo (GD Estreito) foi gigante. Garantiu mínimos para os Mundiais de Juniores e discutiu a vitória com o vencedor Vladyslav Lavskyy (Benfica), terminando num honroso segundo lugar (2.12m).

(Nota negativa para a organização técnica: os rádios dos juízes interferiram, por diversas vezes, com o sistema de partida, prejudicando a concentração dos atletas em momentos chave).

O Veredito: Estafetas e a queda do Estreito

A confirmação matemática dos títulos chegou com as estafetas 4×400 metros. O Sporting venceu ambas as corridas. No masculino, o Benfica ainda ameaçou com uma recuperação fantástica de Pedro Afonso no último percurso, mas o quarteto leonino segurou a vitória (3:08.65).

No final, a festa foi verde e branca. O Sporting CP recupera o título masculino que fugia há dois anos e segura com “unhas e dentes” o título feminino. O ACD Jardim da Serra confirmou-se como a terceira força nacional, fechando o pódio em ambos os géneros com uma prestação muito sólida.

No reverso da medalha, o domingo foi negro para o GD Estreito. A equipa madeirense viveu um pesadelo, sendo despromovida em ambos os setores, acompanhada pelo Marinha Grande (masculinos) e Fundação Salesianos (femininos). A renovação faz-se com a subida da Juventude Vidigalense e Grecas Vagos (Femininos) e CPT Sobral de Ceira e Olímpico Vianese (Masculinos).

CLASSIFICAÇÕES FINAIS

I Divisão – Femininos:

Pos.ClubePontos
1.ºSporting CP (Campeão)93
2.ºSL Benfica74
3.ºACD Jardim da Serra70
4.ºJOMA52
5.ºSC Braga50
6.ºAtlético da Póvoa50
7.ºGD Estreito (Desce)42
8.ºFundação Salesianos (Desce)29

I Divisão – Masculinos:

Pos.ClubePontos
1.ºSporting CP (Campeão)97
2.ºSL Benfica94
3.ºACD Jardim da Serra60
4.ºAtlético da Póvoa50
5.ºJuventude Vidigalense50
6.ºSC Braga44
7.ºCA Marinha Grande (Desce)37
8.ºGD Estreito (Desce)36
Diogo Ferreira

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