João Prates está na Tribuna VIP do Bola na Rede. É treinador de futebol, licenciado em Psicologia do Desporto e está no seu espaço de opinião no nosso site. O técnico de 52 anos já orientou o Dziugas da Lituânia, o Vaulen da Noruega e o Naft Maysan, do Iraque, e esteve na formação do Al Batin e Hajer Club da Arábia Saudita.
Chamar “tasqueiro” a um treinador diz mais sobre quem o diz do que sobre quem o recebe. No caso de Rui Borges, a realidade é simples, há trabalho, há ideia, houve evolução e há resultados visíveis dentro de campo.
No Sporting CP desta época, não há acaso, há um modelo claro, há identidade e há uma equipa que sabe exatamente o que faz em cada momento do jogo. Organização com bola, critério na construção, capacidade de variar ritmos e uma ocupação racional dos espaços.
Sem bola, uma equipa agressiva, compacta e com comportamentos coletivos bem definidos, isto não nasce por geração espontânea, quem conhece o relvado sabe que isto é treino, é liderança.


Rui Borges não herdou apenas um plantel, fez ajustes, impôs a sua ideia. E isso, no futebol atual, separa treinadores de gestores de grupo. O Sporting joga com intenção, não joga por jogar, há princípios, há padrões e há repetição de comportamentos que mostram trabalho diário.
E mais, há evolução, a equipa hoje é melhor do que era há meses. Isso é o maior indicador de qualidade de um treinador.
Dizer que é a equipa que melhor joga em Portugal não é opinião emocional, é análise objetiva. O Sporting apresenta consistência, qualidade no processo ofensivo, defensivo e equilíbrio competitivo.
E depois há esta eliminatória com o Arsenal. Quem viu os jogos percebe que o detalhe decidiu, bolas nos postes, momentos que podiam ter mudado a narrativa. Mas no futebol de alto nível, competir assim contra uma equipa deste calibre não é sorte, é competência. O Sporting não foi inferior, foi competitivo, organizado e fiel à sua identidade, jogou olhos nos olhos com uma das melhores equipas da Europa.


No futebol, há uma tendência perigosa, rotular rápido e analisar pouco. Rui Borges é o oposto disso, é trabalho consistente, é ideia clara e é capacidade de transformar uma equipa numa estrutura competitiva sólida.
No fim, o futebol não se decide nas palavras, decide-se dentro de campo. E aí, Rui Borges tem respondido como os melhores, com futebol e liderança..

