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As Lavandarias e as Leis de Jogo

António Gonçalves · 2 min

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O futebol é indiscutivelmente o desporto rei, aclamado por muitos, amado quase por todos, é assim a essência do futebol. Essência que tem vindo a ser perdida ao longo dos últimos anos e muito se deve a todos os negócios que têm afectado o mundo do futebol. Contratações, atrás de contratações. Assim foi na China, com bons jogadores a ser contratados como se fossem de classe mundial.

Mas o que estará por detrás destes negócios? O que leva realmente um jogador a tornar-se “esquecido” a troco de dinheiro? Que promessa é feita para abdicar dos grandes palcos e dos títulos que qualquer jogador sonha vencer desde o seu primeiro pontapé na bola? Só eles saberão, mas o que nós sabemos é que a vida de um profissional é curta e os bons contratos são uma procura constante.

Aqui na Europa existe uma lavandaria que já afetou um dos grandes de Portugal, juntando clubes de Espanha, França e recentemente um clube da segunda divisão Inglesa, entre outros tantos clubes, que decidiram aderir também a esse tipo de negócio. Não está em causa a qualidade dos jogadores inseridos nos negócios entre estes clubes, o que é intrigante é o valor pago por jogadores que nunca conseguiram atingir o limbo nos clubes onde foram formados. Mais intrigante ainda é que não se consegue investigar estas transferências e limitar os clubes à verdade desportiva. Também é verdade, não existem regras que neguem estas contratações, não existe esforço da massa organizacional do Futebol (FIFA e UEFA) para poder salvar o futebol desta doença que aos poucos vai trucidando e, em contrapartida, vai enriquecendo empresários e fundos que utilizam este ramo para “lavarem” dinheiro e movimentá-lo para outros ramos.

 

O Futebol é neste momento a forma de negócio mais vulnerável para esta prática, é possível um clube da segunda divisão inglesa contratar um jogador mais caro que um jogador internacional A e com mais qualidade. É possível também contratar juniores promissores sem nunca terem provado o seu valor na equipa sénior. Se a tudo isto, juntarmos as leis de jogo que teimam em não mudar, que desrespeitam o espetáculo e a verdade desportiva, vamos arrastando e tornando o futebol num vício de esperança que é facilmente corrompido como quem acena com uma nota a uma stripper à espera de uma private dance.

A entrada dos meios tecnológicos no futebol tem urgência máxima Frame: Sport TV
A entrada dos meios tecnológicos no futebol tem urgência máxima
Frame: Sport TV

O Futebol precisa de se actualizar e afastar destes vícios, necessita de fazer o que já foi feito nos outros desportos, actualizar-se, mudar as regras e aproximar-se da veracidade, cessando às incertezas e conquistas dúbias. Precisamos que tudo isto progrida e que volte a ser ou continue a ser aquilo que sempre foi: um espectáculo somente dentro das quatros linhas.

Espectáculo alimentado por massas e amado por aqueles que sofrem como um jogador, que eterniza o momento quando baixa a cabeça para beijar o símbolo da camisola.

Foto de Capa: Facebook

António Gonçalves

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