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Um virar de página na carreira de Eric Bicfalvi

Joel Amorim · 4 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

A Taça da Rússia (Кубок России) marcou, a meio da semana, o regresso do futebol ao maior país do mundo. Agora que o frio gélido e agreste começa a dar tréguas, as equipas russas voltam ao activo e põem fim a uma longa paragem de Inverno no futebol russo, que, de acordo com muitos dos intervenientes, enfraquece, e muito, o ritmo e a qualidade competitiva das equipas.

O tal frio de Inverno obrigou a que a partida entre FC Ural e FC Krasnodar, a contar para a Taça da Rússia, se realizasse no novíssimo e moderno estádio de Krasnodar em vez de se realizar na SKB-Bank Arena, em Ekaterinburgo, como inicialmente estava previsto.

Bicfalvi na apresentação como jogador do FC Ural Fonte: FC Ural
Bicfalvi na apresentação como jogador do FC Ural
Fonte: FC Ural

O FC Ural, acompanhado de uma alma e de um querer do tamanho do mundo, venceu através das grandes penalidades um jogo que foi verdadeiramente electrizante, depois de aos 33 minutos da partida estar a perder por 3-0. Embora seja justo afirmar-se que toda a equipa teve mérito na vitória, há, porventura, um nome que merece particular destaque: Eric Bicfalvi. O médio ofensivo romeno de 29 anos de idade foi um dos homens do jogo ao apontar o segundo e o terceiro golo do FC Ural, que permitiram à formação de Ekaterinburgo levar a decisão do encontro para as grandes penalidades. Bicfalvi passeou a sua classe e o seu enorme talento pelo Krasnodar Stadium, contribuindo à mistura com um golo de fazer levantar o estádio em peso, que deu o empate a três bolas à sua equipa. Para além disso, Bicfalvi foi também um dos homens escolhidos por Aleksandr Tarkhanov, treinador do FC Ural, para a marcação das grandes penalidades, e o romeno não deixou os seus créditos por mãos alheias, batendo o penálti com a classe que se lhe reconhece.

Bicfalvi chegou à Rússia no passado Verão para representar o FC Tom Tomsk, com o intuito de relançar a sua carreira, que vinha, nos últimos anos, a conhecer períodos muito pouco brilhantes. Um salário de 30 mil euros mensais e o reencontro com algumas pessoas com quem já tinha trabalhado na Ucrânia, ao serviço do FC Volyn Lutsk, fizeram Bicfalvi aceitar o contrato sem quaisquer reservas, mas aquilo que parecia a melhor plataforma para relançar a sua carreira acabou por se tornar num verdadeiro pesadelo.

Os meses que Bicfalvi passou na Sibéria foram, nada mais, nada menos, do que uma angustiosa jornada sem receber um único cêntimo dos vencimentos que lhe haviam prometido. A penosa realidade financeira que o FC Tom Tomsk atravessa fez com que dois terços do seu plantel abandonassem a equipa durante a paragem de Inverno, depois de os jogadores estarem mais de seis meses sem receber o seu devido salário. Bicfalvi, que a certa altura no Verão passado afirmou à imprensa romena que havia escolhido o FC Tomsk em detrimento do FC Ufa de Viktor Goncharenko, não foi excepção e terá mesmo, segundo os media russos, recusado jogar pelo emblema da Sibéria numa ou noutra ocasião.

Bicfalvi em acção no encontro frente ao FC Krasnodar Fonte: FC Ural
Bicfalvi em acção no encontro frente ao FC Krasnodar
Fonte: FC Ural

Bicfalvi chegou a acordo com o FC Tom Tomsk para uma rescisão de contrato por justa causa e não demorou muito para encontrar um novo clube, uma vez que pouco tempo depois já estava ao lado de Aleksandr Tarkhanov a ser apresentado como novo reforço do FC Ural. Tarkhanov é um treinador da velha guarda soviética e tem sido responsável, ao longo dos tempos, por “recuperar para o futebol” jogadores como, por exemplo, o melhor marcador da Liga Russa, Fyodor Smolov. Com Bicfalvi, as coisas não parecem ser diferentes, e mesmo com pouco tempo de trabalho o ex-internacional romeno já mostra serviço, afirmando-se como elemento preponderante na manobra ofensiva da equipa.

Natural de Carei, junto à fronteira com a Hungria, Bicfalvi mostrou desde cedo uma aptidão natural para jogar futebol e foi sem surpresa que em 2007 chegou ao antigo colosso do futebol europeu, o FC Steaua Bucuresti. De presença habitual na selecção romena de Sub-21, Bicfalvi teve algumas dificuldades em impor-se aquando da passagem para o principal combinado romeno. Depois da uma passagem algo intermitente pelo emblema da capital romena, Bicfalvi rumou à Ucrânia e foi lá, ao serviço do FC Volyn Lutsk, que viveu aqueles que, porventura, terão sido os melhores momentos da sua carreira. 26 golos em pouco mais de 70 partidas é um número bastante bom para um jogador que não é propriamente um avançado nato mas que desempenha quase na perfeição o papel de “falso 9” ou de segundo avançado no apoio ao ponta-de-lança. Apesar de tudo, é no comando do meio-campo que Bicfalvi tem melhor rendimento, funcionando como armador de jogo no primeiro momento de construção ou um pouco mais à frente a pensar os movimentos ofensivos da sua equipa.

Após passagens menos felizes pelo futebol chinês, pelo FC Dinamo Bucuresti e pelo famigerado FC Tom Tomsk, onde, ainda assim, causou boa impressão, Bicfalvi parece agora decido em reacender a chama de uma carreira que chegou a ser extremamente promissora, mas que acabou no grande armário de esquecimento do futebol.

Foto de capa: FC Ural

Joel Amorim

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