Marco Silva fez a análise ao desaire do Benfica frente ao FC Porto. O técnico respondeu à pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa.
Marco Silva analisou a derrota do Benfica frente ao FC Porto por 3-1, na 7.ª jornada da Primeira Liga. O Bola na Rede esteve presente no Estádio do Dragão e teve a oportunidade de colocar uma questão ao técnico das águias.
Lê também a questão colocada a Francesco Farioli, treinador do FC Porto.
Bola na Rede: Para este jogo, o Benfica apresentou variabilidade no momentos de pressão, com um bloco medio em 442, mas com momentos de pressão alta e na saída de bola do Porto, a alternar entre Sudakov e Rafa na primeira linha de pressão. Pergunto lhe de que forma tentou condicionar a construção do Porto seja em bloco médio, seja em bloco mais alto? Por outro lado, já com dez jogadores, vimos muitas vezes o Froholdt a esticar na última linha e o João Palhinha a ter tendência para baixar para uma linha de cinco, quase num 5-1-3. Tendo em conta o espaço que poderia surgir no corredor central, como procurou equilibrar a equipa e proteger essa zona?
Marco Silva: Sim, foi claro na primeira parte: em momentos mais altos, claramente começámos no nosso 4-4-2, como é normal, e depois tínhamos os nossos ‘triggers’ para a pressão, para chegar. E depois o Fredrik [Aursnes], numa zona mais baixa para chegar ao Pablo Rosário, quando tínhamos de o fazer. Situações de pontapé de baliza diferentes: fomos mais homem a homem, praticamente, e daí termos condicionado e bem. Ganhámos muitas bolas numa zona mais alta, condicionámos aquela primeira fase do FC Porto, em que o Diogo [Costa], naturalmente, pela qualidade que tem, consegue encontrar espaços de uma forma muito boa, e não conseguiu até praticamente meio da primeira parte. Estivemos sempre muito bem nesse momento: fomos pressionantes, fomos agressivos, sabíamos o que o adversário ia procurar. Alternou um pouco, virou rapidamente para o lado esquerdo onde estava a superioridade, ou nós subíamos pelo corredor direito. E, mesmo assim, começámos a perceber isso também e a ganhar bolas sobre o nosso corredor direito quando o FC Porto tentava sair diretamente com o lateral-esquerdo na primeira pressão, com o pé direito, a tentar ligar rapidamente com o avançado. Fomos agressivos nesse momento e por isso ganhámos muitas bolas no meio-campo ofensivo. Depois, com 10, mais difícil. E aí concordo: em alguns momentos seguimos demasiado o Froholdt naquele momento em que já estávamos com menos um. Difícil: era mais importante a nossa linha de quatro rodar rapidamente de um lado ao outro, mesmo com o adversário a agredir muito o espaço, como o Froholdt tem essa capacidade de agredir e, naturalmente, com movimentos contrários do André [Silva], que depois vinha buscar em zonas mais baixas. Tirou-nos ali alguma coesão no meio. Tentámos emendar a meio da segunda parte, dando ‘feedback’ ao João [Palhinha]. Em alguns momentos conseguimos fazê-lo, noutros não, mas é mais difícil. Naturalmente não conseguíamos dar passos em frente para a nossa pressão; com menos um é muito complicado. Tentámos manter-nos coesos e a realidade é que o FC Porto faz dois golos muito rápido após o nosso empate. Matou um pouco as nossas esperanças, porque aquele era um momento de, com bola, sermos mais criteriosos. Mesmo não chegando muito rápido à frente, nós sabíamos, e o FC Porto mesmo contra 10 em alguns momentos fechou numa linha de cinco, com o Rosario a encaixar no meio dos centrais ou entre lateral-direito e central, e nós conseguiríamos ter bola porque não era uma equipa que se iria expor muito nesse momento, só quando havia passe atrasado ou a bola chegava aos nossos centrais. Faltou-nos um pouco isso após o golo. E sim, aqueles movimentos criaram-nos alguns problemas, com muita gente a atacar a nossa última linha. Faltou-nos ficar um pouco mais coesos e defender aquela linha de quatro naqueles momentos, mesmo correndo alguns riscos; faltou-nos um pouco isso.

