José Fontelas Gomes, vice-presidente da FPF, falou de arbitragem. Declarações durante o Portuga Football Summit.
José Fontelas Gomes, vice-presidente da FPF, falou dos desafios e da sustentabilidade da carreira de arbitragem. As declarações foram prestadas numa conferência durante o Portugal Football Summit.
«Tudo o que é utilizado para o exterior acaba por ter efeito negativo, e leva a fechar-se outra vez. Usa-se a tentativa de pedagogia de forma negativa e a arbitragem volta a fechar-se como proteção do ruído à volta. Qualquer atividade que esteja sob permanente ruído e crítica, não tem a atividade necessária para trabalhar. Se as pessoas quiserem essa abertura, trazer e conhecer mais a arbitragem, a arbitragem já o tentou várias vezes».
«Explicação de decisões? Os árbitros estão preparados para isso. Já explicam quando revertem decisões. A explicação será positiva ou será tomada como positiva? Neste momento, não creio que seja o caminho a tomar. Temos que ir seguindo a UEFA, a FIFA. Não podemos ser uns pensadores fora da caixa e fazer coisas que mais ninguém faz. Se houver um clima positivo, tomado pela explicação e nas horas seguintes tudo o que disser seja tomado de forma negativa, será positivo. Não vejo… A paixão pelo jogo, por vezes não permite ações deste género porque cria ruído. Quanto mais tranquilidade tiverem melhor. Explicar a decisão com ruído e controvérsia, não tem benefício nenhum».
O dirigente falou ainda do futuro e da falta de mediatismo da nomeação de árbitros portugueses para competições internacionais.
«Futuro? A FPF e o Conselho de Arbitragem querem uma entidade externa que gira a arbitragem e crie condições para a profissionalização. Daí vem uma carreira, a solidez da profissão, a regulamentação. Existe apoio em fisioterapia, médicos, treinadores, preparadores físicos. Há que criar uma equipa que pense só na arbitragem. O João Pinheiro, o Luís Godinho têm jogos internacionais e logo de seguida nacionais e é preciso recuperar, é preciso alguém destinado. Esta entidade será o futuro da arbitragem. Este caminho será muito benéfico para a arbitragem».
«Pouco mediatismo da nomeação portuguesa para competições europeias? Há muito esforço. Valoriza-se mais o que é fora do que o que está dentro. O esforço existe, é feita muita força para expor as coisas boas. É uma questão de comunicação externa à FPF. Deviam pegar mais nas coisas positivas».
Por fim, José Fontelas Gomes abordou as dificuldades e desafios de futuro.
«A arbitragem vive do trabalho em Portugal e do crescimento no campeonato português, do trabalho em solo nacional. É aí que fará a diferença para se projetar internacionalmente. A UEFA monitoriza os jogos nos seus países e é aí que escolhe a qualidade e os melhores árbitros. Nada surge lá fora se não for feito um trabalho sério e intenso. O futuro passa por aí. Ter uma equipa profissional a 1.000%, uma estrutura profissional, pensar em arbitragem todos os dias. Aí catapulta para o espaço internacional. O futuro passará por essa entidade externa de gestão de arbitragem».
O Bola na Rede está presente no Portugal Football Summit. O evento decorre na Cidade do Futebol entre os dias 23 e 25 de setembro de 2026.
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