Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting, falou do negócio do futebol. Declarações durante o Portuga Football Summit.
Francisco Salgado Zenha, vice-presidente do Sporting responsável pela área financeira, abordou o modelo de negócio do Sporting. As declarações foram prestadas numa conferência durante o Portugal Football Summit.
«Proteção do mercado? Há 10 anos, os valores totais de transferências eram à volta de 4 mil milhões; agora está nos 13 mil milhões e vão aumentar. Temos feito mais de 100 milhões de euros em vendas nos últimos mercados. Um grande erro é como os investidores olham para o futebol e sobretudo para o nosso mercado e como olham para os resultados operacionais. Devem olhar ao salário dos jogadores, o que também pesa nas transferências. Temos sido muito consistentes nos últimos 15 anos. As transferências dão-nos os lucros que procuramos. Mesmo durante a Covid-19, vendemos mais nesses anos do que em qualquer ano antes de 2017».
«Modelo de negócio do Sporting? Há um modelo de negócio baseado na venda de jogadores e investimentos dos lucros no estádio, mas tem de estar tudo conjugado. Há duas fontes de receita: uma de tudo à volta do negócio do estádio e outra relativa ao futebol. Temos tido resultados consistentes. É tudo volátil e depende do rendimento da equipa e da prestação na Champions League . Mas não é diferente do que acontece noutras indústrias. Faz parte do nosso negócio. Vejo muito a opinião pública no geral preocupada com o investimento dos clubes portugueses. Investiram 20, 30 ou 50 milhões de euros. Claro que investimos muito, mas se temos uma empresa que compra sapatos, tem de comprar a qualidade. O nosso modelo de negócio funciona. É um mercado funcional, mesmo num cenário como a Covid-19».
«Foco no Estádio? Há uma razão para vermos muito capital americano a entrar no futebol europeu. Temos o maior desporto do mundo, jogado em todos os continentes, e os americanos tentam penetrar em todos os mercados e eles têm este desporto que é visto por todos. Estamos num caminho em que podemos gerar muito mais dinheiro e receitas. Estamos muito longe do pico nesse aspeto. Por isso apostamos no lado financeiro do estádio e achamos que podemos dobrar as receitas em 10 anos. A minha opinião é que o futebol português faz muito, daí estarmos no 6.º lugar do ranking da UEFA e com uma economia tão pequena. Precisamos de manter o standard em termos de futebol, mas no aspeto económico há muito potencial. Temos de investir em ambos. Até há pouco tempo, nem olhávamos ou apostávamos no estádio. Por ano, e olhando para a história, investíamos dois milhões em Alvalade. Nos últimos, temos investido 30. Queremos gerar receitas nesse aspeto e é o nosso foco nos próximos 20 anos».
«Fair-play financeiro? A UEFA tem regras de sustentabilidade que são importantes para a indústria do futebol. Os controlos financeiros são importantes para impedir clubes da insolvência e ter impacto na competitividade. Vimos isso na regulação mas nem todos os clubes são regulados. Em Portugal, até clubes históricos, fruto de pouco controlo financeiro, foram até à falência. O primeiro pilar que a UEFA introduziu é o controlo financeiro, que é crucial. Até ao ano passado, podíamos falhar pagamentos e mesmo assim competir na liga local. Por isso é importante ter regras de sustentabilidade duras. Estamos a caminho do próximo pilar que é o controlo de custos, com o limite de gastos por plantel. Não podemos esquecer o fair-play financeiro e fair-play de competição. Ainda não estamos lá, temos feito um caminho para tal, mas deve haver fair-play desportivo. Se queremos provas competitivas e clubes mais pequenos a competir com os maiores, temos de encontrar um equilíbrio entre as regras de sustentabilidade e as regras do fair-play. Isso será vital nos próximos 10 anos».
O Bola na Rede está presente no Portugal Football Summit. O evento decorre na Cidade do Futebol entre os dias 23 e 25 de setembro de 2026.
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