Jorge Jesus analisa vitória de Portugal: «Não entrámos bem no jogo»

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Jorge Jesus analisou o jogo em conferência de imprensa. Portugal e País de Gales defrontaram-se na Liga das Nações, na estreia do treinador.

Jorge Jesus fez, em conferência de imprensa, o rescaldo do duelo entre Portugal e País de Gales, de início de uma nova era com Jorge Jesus e que principiou a caminhada portuguesa na Liga das Nações. Depois da vitória por 1-0, o treinador analisou o encontro.

«Próximos jogos? Joguei com o País de Gales. Hoje interessa este jogo. O que vem à frente não interessa. Ganhámos, com margem grande para melhorar. Não entrámos bem no jogo. Pensava que iam jogar com trio no meio-campo diferente. Aos 15 minutos, a equipa começou a ter referência a defender. Se defendes bem, começas a defender melhor. Fizemos o golo, algumas situações. Equipa bem organizada defensivamente, agressiva. Fez um remate à baliza, podia ter feito golo, apesar de ter sido braço. Contente com o que a equipa fez, principalmente defensivamente. Deixou fazer um remate é sinal de que a equipa bem. Bola parada estivemos bem. É uma equipa com jogadas coletivas interessantes. Parabéns à equipa, aos jogadores. Temos ainda muita margem para crescer».

«O que corrigir? É o que tem de ser. Estamos a trabalhar em cima de jogos. Não tenho base para ter outros processos onde poderíamos ser melhores. O selecionador de Gales tem três anos para trabalhar, bem preparada estrategicamente. Vamos analisar o jogo de hoje e o que não fizemos e fizemos bem, vamos tentar melhorar. Temos margem. Tivemos jogadores importantes que não tiveram perto da qualidade individual, mas a equipa jogou como equipa. Os últimos cinco, linha de 4 e o keeper, estiveram bem. Os quatro defesas mais o Nuno Tavares, que entrou muito bem no jogo na minha opinião».

«Bruno Fernandes à esquerda? Com o Ruben Amorim, no primeiro ano no United, era ali que jogava. Era um dos três, a jogar à esquerda. Com bola é ao meio, sem bola tem de baixar e ajudar o lateral esquerdo. Uma posição que conhece, não é nada de novo. Ou jogava como segundo médio ou nesta posição».

«Nuno Mendes? O Nuno Mendes pediu para sair por cansaço. É extraordinário, mas o Nuno Tavares entrou bem. Sem a mesma técnica, mas parecidos em intensidade de jogo ofensivo».

«Cristiano Ronaldo saiu a coxear? Faltavam 25 minutos para terminar o jogo. Achei que era importante ter um jogador fresco, pressionante a defender, não deixar que os defesas construíssem com facilidade. O Gonçalo fazia isso. Poderia perder uma situação técnica, ganhava noutro momento do jogo. O Cris podia estar mais 5/10 minutos. Tinha planeado sair».

«Assobios a Palhinha? Acredito que sim, não senti tanto onde estava. Tanto barulho que não dá para entender bem. Para mim não é problema. O problema é o jogador e o jogo. O Rúben Neves estava a perder alguma intensidade de jogo. O João, agressivo, pressionante, dava segurança. Eles baixavam com um segundo avançado que obrigava o Rúben Dias a sair da posição. Queria que desse posicionamento nesse movimento. Foi por isso que entrou. Não pensei em fãs».

«João Félix? Jogou comigo na última época e conheço-o muito bem. Mesmo cansado, deixo-o estar no jogo porque sei que a qualquer momento sai qualquer coisa dali. É diferenciado. Marcou golo, defensivamente correu porque queria cobertura ao médio e pressão ao central. Muito sereno com bola, a saber ocupar os espaços. Jogou o normal pelo talento que tem».

«1.º jogo na seleção? Já me conhecem, sou um treinador sempre dentro do jogo. Normal que hoje pudesse estar por dois motivos. Um, a emoção, primeiro jogo pela seleção, o meu país, a minha bandeira, o meu povo. Cria um sentimento. Depois, os jogadores têm pouco tempo de treino de campo. Vejo que está mal o posicionamento, quero entrar no jogo, alertar o jogador para corrigir os posicionamentos. É assim que vou estar no jogo».

«Gestão do jogo com bola? Há um período de jogo onde os jogadores sentiam que podiam controlar o jogo. Dificilmente com 1-0 se controla o resultado. Controlar a posse no meio-campo adversário dá garantias de segurança, de controlo do jogo e resultado. Satisfez-me, são jogadores experientes e inteligentes. Nos últimos minutos, principalmente, a equipa não quis arriscar na perda de bola. Podia dar um contra-ataque com jogadores muito rápidos. Fizeram isso uma vez, com vantagem numérica pela velocidade. Uma equipa consciente».

«Tirar as ideias de Martínez? Difícil, penso que não. Se tens uma ideia, não pensas que aquilo seja difícil. Tens jogadores de alto nível, habituados a jogar ao mais alto nível, com ideias diferentes. Nos clubes jogam com ideias diferentes. Com jogadores inteligentes, tudo é mais fácil. Foi o que aconteceu hoje. Dos quatro setores, defensivamente pensaram como equipa, não é só a bola e o jogador. Há mais que isso, quando se defende. Foi o que tentei passar à equipa. Quando jogas com Gales, não tem os avançados da Dinamarca e Noruega, mas oito jogadores jogam na Premier League. São jogadores com muita qualidade. A equipa esteve muito bem».

«Vitinha e João Neves em simultâneo? O dos clubes não me interessa. Interessa o que faço na seleção. Parto do princípio da ideia de jogador do clube pela qualidade técnica. Não me importa muito. Não vou pôr o central a ponta de lança, mas não me interessa o que fazem no clube. É na ideia de seleção que me baseio».

«Melhorias? Portugal pode e tem de fazer melhor. Portugal fez 10 remates à baliza, tecnicamente melhor que Gales. Estamos a crescer e temos de crescer mais contra a Noruega. É uma seleção muito forte, com uma das duplas de avançados mais fortes do mundo. Acreditamos que vamos melhorar mais».

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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