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O FC Porto continua imparável na Primeira Liga de Andebol. Na receção ao Vitória SC, em encontro da sétima jornada, os dragões construíram muito cedo uma vantagem confortável e transformaram aquilo que se perspetivava como um duelo exigente numa noite tranquila no Dragão Arena. Diogo Rêma foi um muro na baliza, Antonio Martínez liderou a produção ofensiva e a formação portista manteve o pleno de vitórias no campeonato.
O equilíbrio durou pouco. Aos cinco minutos, o FC Porto vencia por 4-3, mas começavam já a aparecer os primeiros sinais do que se seguiria. João Gomes e Antonio Martínez entraram particularmente inspirados e, atrás deles, estava um Diogo Rêma praticamente intransponível. O internacional português somou três defesas nos primeiros dois minutos e meio e já levava cinco antes dos dez. Do outro lado, o Vitória acumulava falhas técnicas e ataques precipitados, oferecendo aos dragões aquilo que estes melhor aproveitaram: transições rápidas.
A diferença disparou. O 8-3 surgiu aos oito minutos e, ainda antes dos 11, o FC Porto já tinha construído nove golos de vantagem. Nem a pausa técnica pedida por Nuno Santos conseguiu travar a avalanche portista. Mesmo quando ficou temporariamente em inferioridade numérica, com as exclusões de Gilberto Duarte e Pedro Oliveira, a equipa de Carlos Martingo não perdeu o controlo. Aos 15 minutos, o marcador apresentava 15-4 e Antonio Martínez continuava a castigar a defesa vimaranense, chegando ao sexto golo através de um livre de sete metros.
O FC Porto nem precisava de acelerar demasiado. A organização defensiva, as intervenções de Rêma e a eficácia na hora de finalizar eram suficientes para tornar a diferença cada vez maior. Aos 18 minutos, o resultado já estava em 19-7 e a vantagem acabaria por chegar aos 15 golos ainda antes do intervalo. O 27-13 ao descanso praticamente retirava qualquer dúvida sobre o vencedor.
A segunda parte não trouxe uma reação do Vitória SC, muito pelo contrário. Os dragões regressaram com a mesma seriedade e chegaram rapidamente aos 31-14. A equipa minhota continuava a encontrar dois grandes obstáculos: as próprias falhas técnicas fruto de muita precipitação, e de Diogo Rêma, que prolongava uma exibição de enorme nível entre os postes.
Miguel Loureiro ainda conseguiu protagonizar um dos melhores momentos individuais dos visitantes, ao defender um livre de sete metros de Antonio Martínez e também a respetiva recarga. O guarda-redes vimaranense evitou mesmo que a diferença assumisse proporções ainda maiores, mas pouco podia fazer perante o domínio coletivo portista.
A meio da segunda parte, o marcador já registava 39-16. Com o encontro completamente decidido, Carlos Martingo aproveitou para rodar o plantel e dar minutos aos jogadores menos utilizados. Nem assim o FC Porto perdeu intensidade.
O apito final apenas confirmou aquilo que ficara evidente muito antes. O Vitória SC pagou caro uma noite marcada pela imprecisão e pelas sucessivas perdas de bola; o FC Porto respondeu com concentração, velocidade e eficácia. Antonio Martínez terminou como melhor marcador portista, com 11 golos, Zé Lu acrescentou oito e Ricardo Brandão seis, enquanto André Alves, com nove, foi o principal finalizador vimaranense.
Mas a figura da noite esteve na baliza. Diogo Rêma terminou com 20 defesas, depois de ter começado o seu particular recital praticamente desde o primeiro ataque adversário. Quando o guarda-redes fechou a porta, o ataque tratou do resto. E aquilo que poderia ter sido um teste complicado para o líder transformou-se numa demonstração de força no Dragão Arena.
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Bola na Rede: Num jogo com um resultado tão expressivo, a sua equipa nunca deixou de empregar a intensidade necessária, e não houve nenhum momento de relaxamento. Qual é o balanço que faz desta exibição e da postura da sua equipa?
Carlos Martingo: Estou muito satisfeito com a entrega e atitude dos meus jogadores. Tem sido desde o primeiro dia a nossa exigência, ter uma intensidade muito grande de jogo, e temo-lo feito muito bem. A nossa defesa esteve excelente hoje. O Diogo Rêma ajudou-nos muito hoje. Muitas vezes, associamos o desempenho defensivo ao trabalho do guarda-redes, e hoje foi um desses casos. Mas a nossa competência e agressividade defensiva, permitiu-nos várias roubos de bola, e aproveitar muito bem as situações de ataque rápido. O nosso ritmo de jogo tem aumentado, temos tido bastante eficácia nesses momentos de transição ofensiva. Temos ainda que melhorar a nossa transição defensiva. Quero deixar uma palavra ao Vitória SC, tem feito excelentes jogos, hoje não foi o melhor jogo deles, e seguramente vai fazer um campeonato tranquilo e dentro do objectivo deles.
Bola na Rede: Com um resultado tão desnivelado, escasseiam as palavras. Considera que o FC Porto está mesmo num patamar tão acima da sua equipa, ou faltou intensidade e precisão à sua equipa?
Nuno Santos: Há uma diferença muito grande entre as equipas, efectivamente.Não conseguimos sequer camuflar as nossas lacunas com atitude. Não foi um jogo bem conseguido, foi uma lição para nós. Quando jogamos com estas equipas e com esta intensidade, temos de ter outra postura. Temos de mudar, e vamos mudar. O que não pode voltar a acontecer num conjunto da dimensão do Vitória SC, é haver uma equipa rendida.Isso é absolutamente inadmissível. Estamos muito tristes com esta exibição. Esperávamos uma segunda parte diferente, mas não a conseguimos fazer. Os adeptos do Vitória SC são um caso singular e único, exigem muito de nós, mas nós temos de saber aprender a viver e a lidar com isso.









