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Leonardo Jardim lidera o Brasileirão ao comando do Flamengo, Abel Ferreira mantém-se no Palmeiras, Artur Jorge continua no Cruzeiro e Pedro Emanuel procura afirmar-se no Vasco da Gama. Luís Castro e Franclim Carvalho já ficaram pelo caminho.
Dezanove treinadores já caíram no Brasileirão 2026. Entre a instabilidade que varre os bancos brasileiros, os portugueses resistem: seis passaram pelo campeonato e quatro continuam de pé. Fernando Diniz, atualmente no Corinthians, foi a mais recente vítima e já tinha sido afastado do Vasco da Gama no início da temporada. A dança das cadeiras começou ainda em fevereiro, com a saída do argentino Jorge Sampaoli do Atlético-MG, e transformou a mudança de treinador numa das imagens de marca da competição.
Num campeonato onde a paciência parece cada vez mais curta e os resultados pesam imediatamente sobre os treinadores, a presença portuguesa ganha particular relevância. Dos seis técnicos que passaram pelo Brasileirão em 2026, quatro continuam no ativo e dois já ficaram pelo caminho. E entre os que resistem há perfis bem diferentes: da longevidade quase excecional de Abel Ferreira à estreia de Pedro Emanuel, passando pela liderança de Leonardo Jardim e pela reconstrução de Artur Jorge no Cruzeiro.
Dois ficaram pelo caminho
Luís Castro foi um dos portugueses a não escapar à pressão. O treinador deixou o Grêmio depois de nove meses no cargo. Conquistou o Campeonato Gaúcho em março, mas não conseguiu dar continuidade aos resultados no Brasileirão. A dificuldade em vencer fora de casa e uma sequência negativa acabaram por ditar a saída.
Foi a segunda passagem de Luís Castro pelo futebol brasileiro, depois da experiência no Botafogo, onde deixou uma marca forte antes de rumar a outros desafios internacionais. Desta vez, porém, o título estadual não foi suficiente para travar a pressão gerada pelos resultados no campeonato.
Também Franclim Carvalho deixou o seu lugar no banco. O português, de 39 anos, assumiu o Botafogo em abril, mas ficou apenas quatro meses no comando. A pesada derrota por 6-1 frente ao Cienciano, na Copa Sul-Americana, agravou a contestação e acabou por precipitar a saída.
A instabilidade não poupou, portanto, os treinadores portugueses. Mas, enquanto Castro e Franclim Carvalho já foram afastados, os outros quatro continuam a desafiar uma realidade particularmente exigente.
Quatro portugueses continuam na luta
Abel Ferreira é o símbolo máximo da longevidade. Chegou ao Palmeiras em 2020 e está já na sétima temporada no clube. Em março, ao conquistar o Campeonato Paulista, chegou aos 11 títulos pelo Verdão, tornando-se o treinador mais titulado da história do Palmeiras. Duas Libertadores, dois Brasileiros, uma Copa do Brasil, uma Recopa Sul-Americana, uma Supercopa do Brasil e quatro Paulistas fazem parte do currículo. Num Brasileirão marcado pela instabilidade, Abel continua a ser uma exceção — e uma das figuras centrais da luta pelo título.

Leonardo Jardim tem uma história diferente. O português terminou a última temporada no Cruzeiro, mas assumiu o Flamengo em março. Meses depois, está na liderança do Brasileirão, colocando o clube carioca diretamente na corrida pelo título.
A mudança colocou Jardim frente a um novo desafio num dos maiores clubes do país e acrescentou um ingrediente português à luta pelo topo: o Flamengo disputa a liderança com o Palmeiras de Abel Ferreira. Dois treinadores portugueses, dois dos principais candidatos ao título e uma rivalidade que dá ainda maior visibilidade à presença lusa no campeonato.
Artur Jorge continua no Cruzeiro, depois de fazer história no Botafogo, onde conquistou o Brasileirão e a Libertadores em 2024. O regresso ao Brasil aconteceu já este ano, depois da experiência no Catar, mas o início da segunda passagem pelo futebol brasileiro esteve longe de ser tranquilo. O treinador português assumiu o Cruzeiro depois de um arranque difícil e de resultados negativos, tornando-se o segundo técnico do clube na temporada. Chegou, por isso, a uma equipa já marcada pela pressão e pela necessidade de inverter uma tendência.
A permanência no cargo ganha assim outro significado. Artur Jorge não está apenas a dar continuidade a um trabalho: está a tentar reconstruir o caminho de uma equipa num campeonato em que a mudança de treinador se tornou quase rotina.
Em agosto, teve mesmo um duelo português pela frente: o Cruzeiro derrotou o Flamengo de Leonardo Jardim por 2-1, interrompendo uma longa série invicta da equipa carioca. Um resultado com peso na classificação e também no duelo particular entre dois dos quatro portugueses que continuam no Brasileirão. Pedro Emanuel completa o quarteto. O treinador português chegou ao Vasco da Gama em julho, iniciando a primeira experiência da carreira no futebol brasileiro. Encontrou um clube que já tinha trocado duas vezes de treinador em 18 jornadas e um campeonato pouco tolerante com períodos de adaptação.
Chegar a meio da temporada significava, desde logo, trabalhar sob pressão e com pouco espaço para construir. Ainda assim, Pedro Emanuel permanece no cargo, tem somado vitórias, mantém-se na luta na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana e procura afirmar-se numa nova etapa da carreira.
É também mais uma prova da capacidade dos treinadores portugueses para se adaptarem a contextos diferentes. Abel Ferreira consolidou um ciclo histórico no Palmeiras. Leonardo Jardim assumiu a liderança do campeonato. Artur Jorge tenta estabilizar o Cruzeiro depois de um início turbulento. Pedro Emanuel procura construir o seu espaço num Vasco da Gama igualmente marcado pela instabilidade. Abel Ferreira representa a longevidade. Leonardo Jardim está no topo. Artur Jorge continua no Cruzeiro. Pedro Emanuel ganhou espaço no Vasco.
E num campeonato onde 19 treinadores já caíram, há um dado que diz muito sobre o peso que Portugal continua a ter no futebol brasileiro: um português lidera o campeonato e outro está na perseguição. Não é apenas uma questão de quantidade. É a capacidade de permanecer, competir e vencer num campeonato onde os treinadores vivem sob pressão permanente.
No Brasileirão 2026, os bancos mudam. Os portugueses continuam.













