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João Pereira ficou conhecido pelo público em geral por ter orientado o Alverca e o Casa Pia. No entanto, a sua carreira vai bem mais além disso. Um jovem nascido e criado em Coimbra, que tem a Académica no seu coração e no seu historial. Dentro do campo não era fenomenal. O próprio assume que a sua verdadeira virtude está ‘à porta’ das quatro linhas. Afinal, João Pereira é um dos treinadores mais promissores da sua geração e, atualmente, procura um novo desafio para continuar a crescer. É o mais recente convidado do Bola na Rede.
Esta entrevista foi produzida no decorrer do Portugal Football Summit, evento que se realizou na Cidade do Futebol entre os dias 23 e 25 de setembro.
Bola na RedeOlá, João. Como estás? Um prazer estar a falar contigo.
João Pereira: Olá. O prazer é todo meu.
Bola na RedeHá uns meses foi noticiado que estavas realizar o curso de UEFA Pro em Espanha. Sentes que em Portugal deveriam ser libertas mais vagas? Afinal, treinaste na Primeira Liga e tiveste de rumar a outro país.
João Pereira: Penso que neste momento as pessoas responsáveis estão a olhar para isso com um carinho diferente. Já numa entrevista que dei disse que acreditava na modernização da FPF. O Portugal Football Summit é um exemplo disso. É querer aproximar as pessoas do conhecimento, da partilha, entender também as tendências. Relativamente aos cursos, penso que a partir de certo ponto existiram algumas alterações significativas que só trarão algo mais ao que é o futebol português no ponto de vista técnico.
Bola na RedeAtualmente encontras-te livre no mercado. Trata-se de uma opção própria?
João Pereira: Posso dizer que é por opção própria. Houve circunstâncias que acabaram por levar que as coisas não acontecessem. Derivado da minha decisão. Isto relativamente ao curso UEFA Pro, eu tive de terminar o curso a época passada, derivado de algumas regras da RFEF. Rapidamente tive de encontrar um clube para ter a carga horária da parte prática do curso. Tive o intervalo de tempo de um mês. Já não poderia ter uma terceira inscrição e isso congelar-me-ia o curso e a tal carga horária que eu teria de fazer. Só podia acabar na época seguinte e não tinha interesse nisso. Assim sendo, não aceitei nenhum projeto, fiquei a terminar na Académica de Coimbra, clube da minha cidade, que me fez o favor de ajudar para poder estar inscrito. Fui inscrito como adjunto nos Sub-19 e foi assim que terminei o curso. Esta época, por uma ou outra circunstância, derivada diretamente daquilo que foram próprias decisões ou de outros clubes, por não acharem o perfil indicado. Posso dizer que estou livre e recetivo a ouvir todos os projetos possíveis. Esses projetos são feitos de pessoas e de ideias. Recebi abordagens de Portugal mas também do estrangeiro.

Bola na RedeComo já referiste, és natural de Coimbra. Como é que avalias este começo de temporada da Académica, no seu regresso à Segunda Liga?
João Pereira: Com muita satisfação. É o clube do meu coração. Fui jogador na Académica, pseudo-jogador. Também foi treinador. Foi um clube que me deu muito de beber a nível formativo, ajudou a formar o que sou hoje, tanto a nível pessoal como profissional. É a minha cidade, é onde está a minha família, embora não viva lá. Fico muito feliz por este começo, só traz frutos à cidade. O clube tem uma dimensão muito grande, o estádio consegue receber 30 mil pessoas. É um dos clubes mais históricos de Portugal, já venceu uma Taça de Portugal. Está onde deve estar, mas, caso tenha a devida estabilidade, poderá regressar à Primeira Liga, o máximo patamar.
Bola na RedeO teu último desafio na carreira foi ao serviço do Casa Pia, que vive um novo ciclo. O que tens achado deste começo?
João Pereira: É um clube que eu acompanhado, que guardo no coração. As pessoas que lá trabalham também estão no meu coração. Devo parte do meu percurso a decisores que por lá passaram e que ainda lá estão. Eles sabem a gratidão que tenho, a forma como confiaram no meu trabalho. Essa ligação terminou e a vida é feita de decisões. Os dirigentes precisam de tomá-las. Continuei a acompanhar a época passada. Vi a dificuldade que foi vivida, mas felizmente conseguiram manter-se. Este ano não começaram da melhor maneira, mas alcançaram uma vitória antes da paragem. Desejo o melhor para eles.

Bola na RedeEm relação a esta época, questionava que equipas tens mais gostado de assistir e com as quais é que mais te identificas?
João Pereira: Vou fugir um bocadinho à pergunta, mas valorizar o que é o trabalho do Académico de Viseu, neste momento. O Bruno Pinheiro penso que está a fazer um excelente trabalho. Arouca e o Santa Clara também estão a fazer um excelente trabalho. Não me surpreende. A forma como a direções trabalham provoca tudo isto. Os próprios treinadores merecem a confiança (n.d.r. esta entrevista foi realizada antes da saída de Vasco Seabra para o Rio Ave). No Fontelo, o Bruno Pinheiro está muito bem. Conhecendo também indiretamente a decisão do Académico não me surpreende o que está a ser feito. Quando há sustentabilidade e coerência de ideias, mais tarde ou mais cedo os resultados desportivos vão acabar por aparecer.
Bola na RedePedia-te uma avaliação à disputa pelo título entre Sporting, Benfica e FC Porto.
João Pereira: Não me meto nessas contas (risos). Também não gosto de fazer futurologia. São grandes clubes, com grandes direções e treinadores. Quem for mais competente, quem também tiver um bocadinho da sorte do jogo, acabará por alcançar o objetivo que todos têm de serem campeões.













