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Francesco Farioli e a lesão de Samu: «Foi uma pedra na cara para todos nós»

Dinis Jacob · 6 min

Foto: João Pedro / Bola na Rede

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Francesco Farioli recordou a lesão de Samu Aghehowa na temporada passada e abordou o impacto da recente paragem internacional.

Francesco Farioli concedeu uma longa entrevista ao Opta Analyst, durante a qual refletiu sobre vários temas. O técnico do FC Porto refletiu sobre a mentalidade que levou à conquista do título da Primeira Liga na sua época de estreia:

«Na época passada, quando nos encontrámos no início de julho e decidimos começar a trabalhar juntos e a construir em direção à nova época… Claro, nós ambos (Farioli e o FC Porto) queríamos vencer, nós ambos tínhamos a raiva e o desejo de sermos bem-sucedidos, enquanto sabíamos o quão difícil esta liga pode ser. Na época passada ganhámos a liga com dois jogos de margem, mas nesta liga, tu precisas de vencer muitos jogos para te colocares numa posição para seres campeão.Nós vencemos 28 jogos de 34 e há um sentimento de pressão em cada jogo de que tu não podes deixar cair um único ponto, porque isso será crucial no fim. Isso cria uma obsessão pelos pequenos detalhes, sabendo que no fim esses pequenos detalhes provarão ser benéficos. É muito exigente, é muito pesado e pode ser muito difícil de lidar mas, no fim de tudo isto, estar num clube como o FC Porto, um clube com tal dimensão e tradição, não poderia ser de outra maneira. Portanto, colocando todas estas coisas juntas, a minha fome por resultados, a história deste clube bem como o espírito que este grupo tem tido desde o meu primeiro dia com eles, isto ajuda-nos a construir uma ligação, um forte laço, onde, se uma pessoa está em baixo, há outro colega de equipa pronto para dar um passo em frente para ajudar a manter o nível e os padrões num certo ponto. Isto tem sido uma parte fundamental no que nós já fizemos juntos, mas o passado é o passado, os troféus já estão no museu e agora é hora de seguir em frente e ir por mais. Esta época vai ser uma maratona muito longa, e nós temos de estar prontos para tudo o que vai aparecer na estrada».

Francesco Farioli falou também sobre a recente paragem internacional, afirmando que «Todos os jogadores voltaram das férias ainda mais em forma»:

«Infelizmente, as boas memórias (da época passada) já estão longe da nossa realidade. Nós todos voltámos no verão com um estômago vazio, com um desejo de ir outra vez. À entrada do nosso campo de treinos, eu quis colocar uma fotografia das nossas celebrações do título, dividida em duas. Portanto, uma metade são os Aliados, onde celebrámos o nosso título, e a outra metade está vazia, porque eu queria que toda a gente estivesse esclarecida de que, claro que nós estamos a vir de uma época com memórias muito bonitas, mas quando damos o primeiro passo de volta para dentro do edifício, uma nova história vai ser escrita, com novas dificuldades e novos desafios. Nós podemos ir outra vez com a mesma fome e o mesmo desejo, com os mesmos padrões que nós estabelecemos no ano anterior com o nível de expectativa que nós todos temos. Todos os jogadores voltaram do verão ainda mais em forma do que eles estavam quando partiram. Na realidade, os 25 ou 30 dias que eles tiveram de folga, claro que eles tiveram tempo para passar momentos com as suas famílias, mas muitos deles realmente suaram durante o verão para estarem ainda mais prontos para enfrentar uma época em que, na liga, nós começamos do zero mais uma vez. Nós vamos enfrentar novas exigências numa besta diferente como a Liga dos Campeões e, claro, com as duas taças domésticas, em cima da Supertaça que nós ganhámos em agosto. Há muitas coisas pelas quais jogar esta época e aqui (no FC Porto), trabalhar assim é muito fácil, não há outra maneira para nós do que trabalhar e tentar trabalhar mais duro do que todos os outros».

O técnico dos dragões relembrou o impacto da lesão grave de Samu Aghehowa durante a temporada passada:

«Na época passada, a lesão do Samu chegou no início de fevereiro, num ponto em que estávamos no meio da corrida pelo título, a meio da campanha da Liga Europa, e também ainda estávamos envolvidos na Taça. Foi uma pedra na cara para todos nós, para os jogadores, para todo o plantel. O que foi realmente especial foi o facto de que todos os jogadores sentiram uma responsabilidade de dar um passo em frente, de partilhar os golos que estávamos à espera do Samu. Tivemos de ganhar algumas oportunidades extra através de outros métodos, por exemplo a partir de lances de bola parada. Tivemos de encontrar uma maneira diferente de atacar e de gerar as oportunidades certas porque, claro, perder um jogador que é tão importante e tão impactante na maneira como atacamos não foi fácil. Tenho de dizer que os jogadores que o substituíram, claro, com as suas próprias características e as suas qualidades diferentes, fizeram um grande esforço. Aumentámos os golos marcados a partir dos nossos médios-ofensivos, com esses jogadores a tornarem-se uma das nossas principais ameaças de golo. Depois tivemos a contribuição dos extremos e também dos defesas-centrais. Melhorámos com os nossos lances de bola parada, o que nos permitiu marcar golos desta maneira. O que foi ótimo foi a reação de toda a gente e como toda a gente tentou ajudar a minimizar esta lesão massiva de forma a nós alcançarmos o que queríamos alcançar».

Francesco Farioli abordou as adaptações que tiveram de ser feitas ao modelo de jogo do FC Porto, após a lesão do avançado espanhol:

«Nós temos um estilo de jogo, a maneira como treinamos, a maneira como atacamos a área e a maneira como usamos a largura. Na época passada, digamos que tínhamos quatro avançados, mas infelizmente o (Luuk) De Jong esteve fora por quase toda a época, o Samu lesionou-se em fevereiro, e nós terminámos a época com apenas Terem Moffi e Deniz Gul como os jogadores que carregaram a responsabilidade como números 9, e eles são jogadores que são muito diferentes. Eu diria que o Samu é provavelmente o perfil mais completo. O De Jong é um avançado que precisa de estar na área, que é fantástico no ar. O Moffi é mais um jogador que é capaz de atacar o espaço e depois o Gul, em termos de perfil e características, é bastante semelhante ao Samu, muito completo, mas ele não tinha aquele nível de experiência para carregar tudo nos seus ombros. Portanto, tivemos de encontrar como que pequenas adaptações, pois com jogadores diferentes não é o mesmo. Eles são todos jogadores diferentes. Não é o mesmo atacar a área com o De Jong e atacar a área com o Samu. Nós temos de planear de acordo com as características do número 9, mas também com as características dos extremos e dos médios-ofensivos, há certas relações entre jogadores que precisam de ser respeitadas, que precisam de ser enfatizadas, que precisam de ser trabalhadas em sessões de treino de forma a estarmos prontos para os jogos».

Por fim, o técnico abordou o papel dos extremos na sua ideia de jogo:

«Há princípios ou certos comportamentos que nós adoramos ver em termos de atitude e exigências táticas. Como podem imaginar, jogando tão frequentemente, especialmente em competições diferentes, com o nível que está constantemente a subir, isso exige do nosso lado uma adaptação constante, uma capacidade constante de estar no ponto no que sentimos e no que acreditamos que poderiam ser as áreas onde podemos criar problemas para o adversário. Claro, a posição do extremo, especialmente na maneira que nós jogamos, é uma das principais ameaças, não apenas para eles estarem abertos, mas às vezes mais para dentro, de acordo com o que o jogo nesse ponto necessita. A ameaça a partir das posições abertas é algo em que nós realmente acreditamos para a maneira como jogamos. É algo que ajuda muito com a nossa criação de oportunidades e os nossos extremos oferecem muitas contribuições ofensivas»

Dinis Jacob

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