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Paulo Fonseca fez a antevisão do Sporting x Moreirense. Jogo da Primeira Liga marca a estreia do treinador nos leões.
Paulo Fonseca realizou a antevisão do Sporting x Moreirense, duelo da 11.ª jornada da Primeira Liga. O jogo marca a estreia do treinador no comando técnico dos leões.
«Moreirense e estreia? Esperamos dificuldades. Tive a oportunidade de observar bem o Moreirense. Se dermos espaço, tem qualidade, sistema muito próprio. Não sei em que sistema vêm, conseguem ter variabilidade. O tempo não foi muito, mas a equipa esteve bem e entenderam o que pretendo. Temos de estar a bom nível. O Moreirense nunca é uma equipa fácil».
«Campeão? Não gosto de criar expectativas nas pessoas, quando temos um cenário como o que temos. Acredito muito na nossa equipa, vamos jogar para ganhar independente do adversário. Sabemos que é difícil. Pessoalmente, se não acreditasse, não estava aqui. Após estes três dias de trabalho, começo a acreditar mais. Que é difícil, é muito difícil. Trabalho a pensar no próximo jogo, sem perder essa possibilidade».
«Paragem para as seleções? O Sporting fica sempre satisfeito quando tem os jogadores nas seleções. [Gonçalo Inácio] Não foi desta vez por opção do mister Jorge Jesus, que respeito imenso. Por outro lado, fico satisfeito porque tenho a possibilidade de ter tempo para trabalhar com ele. Seriam duas semanas que poderia trabalhar com os jogadores, mas não temos muito. Temos alguns defesas, com a permanência do Gonçalo aumenta o número».
«Cristiano Ronaldo? Falou-se tanto desta questão e não julgo ninguém. Como portugueses podemos ajudar todos e o Cristiano Ronaldo merece uma homenagem em que se sinta acarinhado por nós, independentemente do que se passou e do lado em que está a razão. Temos de homenagear o melhor jogador português de todos os tempos. Temos de forçar um jogo de homenagem e podia ser no nosso estádio. Esquecer as mágoas e prestar uma homenagem a um jogador que merece ser homenageado».
«Golos sofridos? Quando comecei a ver mais atentamente os jogos do Sporting percebi que há, sem ser uma crítica ao trabalho do Rui, somos diferentes, mas se não defender bem é impossível lutar por títulos. Uma das prioridades é meter a equipa a defender bem. Defendia diferente do que acho que se deve defender. Não quero passar muito tempo a defender, mas quando defendermos, temos de defender de acordo com o que nos torna mais forte».
«Poucos títulos nos clubes de maior expressão? Percebo [a desconfiança] por diversos motivos. As pessoas só retém quando não há sucesso e percebo porque as pessoas não acompanharam a minha carreira lá fora. Se perguntar como jogo, a maioria das pessoas não sabe, lembram-se dos tempos do FC Porto, mais do que Braga e Paços de Ferreira. A maior pressão é a que coloco a mim próprio. Estou aqui porque sinto que estou preparado para isso. Não conhecem o meu trajeto, sabem onde estive, mas não como jogo e no que penso. Perfeitamente normal essa perceção e ideia».
«Surpresas? Não estou surpreso. Um dos motivos que me levou a vir para o Sporting foi acreditar na qualidade do plantel. Tem confirmado isso nos treinos e nas sessões de vídeo. A equipa tem muita qualidade individual. Eu não conhecia a realidade Sporting. O que me tem surpreendido tem sido a organização do clube, altamente organizado, com pessoas muito profissionais. Tem sido uma agradável surpresa».
«Dúvidas? Eu não tenho dúvidas. Baliza? Já sei, não vou revelar. A equipa está escolhida, vão ter de esperar por amanhã».
«Marco Silva e Francesco Farioli? São grandes treinadores. Conheço-os bem e são grandes treinadores. Por isso está no FC Porto e foi campeão, o Marco está no Benfica a fazer um excelente trabalho. Espero uma luta intensa».
«Arbitragens? Vou ao máximo tentar abster-me de comentar. Tenho experiência nos campeonatos top-5 e não penso que os nossos árbitros tenham menos qualidade que os árbitros lá de fora. Tentarei respeitar ao máximo».
«Departamento médico? O Zalazar está bem. O Nuno Santos e o Debast estão a recuperar bem, as coisas estão a andar num sentido positivo».
«Naturalmente estou a chegar agora e, como devem compreender, a informação deve ser muito controlada neste momento. Aquilo que tenho passado aos jogadores é que vamos ter essa variabilidade na nossa estrutura. Acho importante aqui falar com vocês de que para haver um jogo posicional de acordo com o que a gente pretende, e reparem que o Sporting atua 80% das vezes em ataque posicional, se nós olharmos a estes jovens jogadores que vieram este ano, e foram muitos, a maior parte deles não estava habituada a este contexto de jogo. Naturalmente, tem de existir um tempo para os ensinar a jogar este jogo, que tem de ser perfeito. A questão do jogo posicional tem de ser uma coisa bem sustentada e eles têm de aprender a jogar este jogo. Vou-lhe dar um exemplo muito concreto e que vem do futebol italiano. O [Issa] Doumbia nunca passava por este contexto que tem no Sporting, mais difícil, de ataque planeado e de equipas em bloco baixo e não há espaço. Nós temos de nos posicionar no espaço certo, nós temos de nos movimentar no tempo certo. Para um jogador que chega do futebol italiano, que está habituado a um contexto HxH, é realmente difícil. Há que ter tempo para trabalhar este jogador. Temos outros exemplos de jogadores que vêm de outros campeonatos e acontece exatamente o mesmo. A verdade é que estes jovens precisam de aprender a jogar no contexto que é normal no Sporting, que é atuar 80% dos jogos em ataque planeado. Trabalharemos muito sobre isso, mas naturalmente os jogadores vêm de um contexto totalmente diferente e precisam de tempo».
«Ambiente em Alvalade? A pressão é a pressão normal de uma equipa que tem de vencer todos os jogos. O Sporting joga sempre para ganhar. Pressão negativa é jogar para não descer. Esta pressão é positiva e temos de aprender a lidar com ela. O ambiente é magnifico, espero um estádio cheio para apoiar a equipa».
«Tempo para implementar ideias? No futebol não temos tempo, devemos ter resultados imediatos. O tempo curto que tive com os jogadores dá-me grande confiança para o futuro. A recetividade que tive da parte dos jogadores faz-me acreditar que podemos ser diferentes. Vamos tentar apressar o processo. Podemos a breve prazo começar a mostrar algumas coisas de acordo com as minhas ideias».
«Ganhar 1-0 ou 5-4? Prefiro ganhar. Gosto muito de ganhar sem sofrer golos, não faz de mim um treinador defensivo. Não quero passar tempo a defender, a melhor forma de defender é sem bola. O jogo mudou muito nos últimos anos. A questão do HxH que existe há muito tempo em Itália e que agora se vê em todos os campeonatos obriga-nos a reformular o processo. Temos de ter equipas capazes de jogar tudo. Falámos no jogo posicional, próximo da baliza adversária. Tem de ser forte em função da falta de espaço. Até lá, as equipas quando pressionam alto, e vi Académico de Viseu e Gil Vicente e admiro a coragem dessas equipas, a marcar HxH. Jogar o jogo do HxH é totalmente diferente de jogar o jogo posicional. Os treinadores têm de preparar dois tipos de jogos no mesmo jogo. Fiz entender esta diferença. Quero uma equipa de ataque posicional, mas temos de saber jogar o jogo até este momento. Temos de ir ao essencial. Sou um treinador de detalhe, até individual, e neste momento não há tempo. Temos de acelerar o processo. É urgente percebermos isso, temos de jogar diferentes jogos no mesmo jogo. Vamos jogar contra a AS Roma HxH a campo todo. Um dos grandes méritos do FC Porto foi isso, as equipas portuguesas não estavam preparadas, mas já se passa em Itália e Inglaterra. É extremamente difícil, não há espaço, não há tempo. Gabo a coragem do Académico de Viseu e do Gil Vicente, de serem corajosos. Vamos jogar contra o Moreirense e temos momentos de pressão alta HxH e outros de ataque planeado e jogo posicional. Posicionei a equipa para os dois momentos».
«Provas europeias? Não acredito que haja um clube a dar prioridade às competições europeias que ao campeonato. Tenho a certeza absoluta que isso não aconteceu».
«Análise à equipa? Falei que tenho de pôr a equipa a defender como quero. Uma equipa vencedora tem de defender bem e para mim é defender como acredito. Tenho a minha opinião [do que há a trabalhar], mas não quero dar o trunfo aos adversários. Temos a tendência a esconder as fragilidades e não serei eu a divulgar. Tenho de trabalhar cá dentro para as melhorar».
O Sporting x Moreirense joga-se este sábado, dia 7 de novembro, a partir das 20h30.















