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O pior derby de sempre

António Gonçalves · 2 min

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Afinal quanto vale uma vida humana? Até onde pode chegar o fanatismo dos mais cépticos? Qual o preço a pagar pelo comportamento doentio e irracional daqueles que pensam que podem tirar uma vida como quem destrói uma onda do mar?

São perguntas a que, provavelmente, nunca vamos encontrar as respostas. Toda a envolvência do  derby de Lisboa foi um fiasco e nada, rigorosamente nada, se pode retirar de positivo ou de boa memória.

Partida muita fraca e sem brilhantismo, sem lances virtuosos, sem qualquer emoção e sem a espetacularidade que um jogo desta categoria merece. Uma equipa que não tem nada a perder, que já tinha afirmado estar fora da discussão do título, esteve noventa minutos presa às dinâmicas ofensivas do adversário e isso deve-se à estratégia que Jorge Jesus montou. Alan Ruiz realizou um jogo paupérrimo e não se compreende como é que Bruno César faz quase noventa minutos apenas com a tarefa de defender Nélson Semedo. O jogo pedia um Sporting solto, livre de qualquer compromisso ou responsabilidade e, mesmo marcando cedo via oferenda de Ederson, a equipa leonina foi deixando o Benfica subir no terreno, perdendo intensidade e agressividade à medida que o jogo ia decorrendo. Porém, desperdiçou a melhor oportunidade para marcar novamente por Bas Dost. O Holandês teve nos pés a ocasião dourada para poder aumentar a vantagem no marcador.

Artur Soares Dias esteve ao nível da mediocridade do jogo. Sem qualquer interferência no resultado, actuou mal no capítulo disciplinar, assinalando até consecutivas faltas ofensivas sem nexo. Aceita-se a marcação da falta que precede o golo do Benfica, mas, à distância que estava do lance, pedia-se uma melhor análise.

O apoio aos clubes devia ser apenas isto Fonte: Juventude Leonina 1976 - JUVE LEO
O apoio aos clubes devia ser apenas isto
Fonte: Juventude Leonina 1976 – JUVE LEO

Verificou-se em jornais desportivos “especialistas”, a análise dos lances da partida que criam dúvida em qualquer ser humano. No entanto, a área escolhida está equivocada por se tratarem de diagnósticos a roçar um nível científico só praticado nos laboratórios da NASA. Se juntarmos estas examinações aos dirigentes desportivos e respectivos órgãos de comunicação social é, extremamente fácil de entender, porque é que existe violência no futebol e a dificuldade que se vai tendo em poder contornar esta má imagem que temos vindo a espalhar.

O futebol devia ser vivido em clima de festa onde não houvesse pavor em levar a família a participar. Não podemos viver com medo de entrar num estádio com um cachecol posto para apoiar o nosso clube. Não devemos ter receio de andar na rua vestidos com a camisola das nossas cores. Todos temos o direito de poder escolher e sair livremente sem que um soco, um pontapé, uma garrafa, uma pedra ou até um carro nos prive dessa liberdade! O trabalho das direcções que representam cada clube deve preservar e apoiar o espectáculo.

Não podemos deixar que as frustrações do nosso quotidiano se tornem prioridades e, principalmente, não devemos ser cruelmente cépticos. Só se vive uma vez, mas se soubermos viver bem, uma vez é suficiente.

Foto de capa: Sporting Clube de Portugal

António Gonçalves

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